A trajetória da Seleção Brasileira na Copa de 1982

A trajetória da Seleção Brasileira na Copa de 1982

Apesar de apresentar o melhor futebol na competição, o Brasil de Telê Santana acabou derrotado pela Itália em um jogo histórico

Brasil 3 x 1 Argentina

Brasil 3 x 1 Argentina

Créditos: Reprodução FIFA

Brasil 2 x 3 Italia

Brasil 2 x 3 Italia

Créditos: Reprodução FIFA

Brasil 2 x 3 Italia

Brasil 2 x 3 Italia

Créditos: Reprodução FIFA

BRASIL 4 X 2 ESCOCIA

BRASIL 4 X 2 ESCOCIA

Créditos: Reprodução FIFA

BRASIL 3 X 1 ARGENTINA

BRASIL 3 X 1 ARGENTINA

Créditos: Reprodução FIFA

Brasil 2 x 3 Italia

Brasil 2 x 3 Italia

Créditos: Reprodução FIFA

Brasil 2 x 3 Italia. Em pé: Waldir Peres, Leandro, Oscar, Falcao, Luizinho, Junior

Brasil 2 x 3 Italia. Em pé: Waldir Peres, Leandro, Oscar, Falcao, Luizinho, Junior

Créditos: Arquivo CBF

Brasil 4 x 0 Nova Zelandia. Em pé: Waldir Peres, Leandro, Oscar, Falcao, Luizinho, Junior

Brasil 4 x 0 Nova Zelandia. Em pé: Waldir Peres, Leandro, Oscar, Falcao, Luizinho, Junior

Créditos: Arquivo CBF

Brasil 2 x 1 URSS. Em pé: Waldir Peres, Oscar, Leandro, Falcao, Luizinho, Junior. Agachados: Dirceu, Socrates, Serginho, Zico, Eder.

Brasil 2 x 1 URSS. Em pé: Waldir Peres, Oscar, Leandro, Falcao, Luizinho, Junior. Agachados: Dirceu, Socrates, Serginho, Zico, Eder.

Créditos: Arquivo CBF

A expectativa em torno do tetra aumentou depois que a Seleção prosseguiu marcando muitos gols em amistosos antes da Copa do Mundo de 1982: 7 a 0 sobre o Eire, em 27 de maio, um dia antes do embarque para a Espanha. Os números da equipe sob o comando de Telê Santana eram mesmo incontestáveis: 32 jogos, 24 vitórias, seis empates e apenas duas derrotas – para a URSS em 1980 e para o Uruguai em 1981 –, com 84 gols a favor e 20 contra. Não levou gol em 14 ocasiões e só uma única vez deixara de marcar, contra o Chile, num amistoso em Santiago. E se os números já seriam suficientes para entusiasmar o mais cético dos torcedores, é sempre importante destacar que a Seleção de Telê abrigava pelo menos seis craques de primeira linha: Leandro, Júnior, Toninho Cerezo, Falcão, Sócrates e Zico.

O Brasil estreou com triunfo de 2 a 1 sobre a URSS, ressentindo-se da ausência de Toninho Cerezo, suspenso, marcando seus gols nos 10 minutos finais, ambos de fora da área. O primeiro num chute colocado de Sócrates, e o segundo num petardo de Éder, depois que Falcão enganou a zaga, deixando que a bola passasse entre as suas pernas, para a conclusão do companheiro.

Seguiram-se exibições de gala e momentos de rara beleza nas vitórias de 4 a 1 sobre a Escócia e 4 a 0 sobre a Nova Zelândia, como o gol de Éder contra o time escocês, num lance em que ameaçou a pancada, para apenas cobrir com sutileza o goleiro Alan Rough. Inesquecível também o triunfo por 3 a 1 sobre a Argentina, num toma-lá-dá-cá formidável definido com o gol de Júnior – chute entre as pernas de Fillol –, levando Diego Maradona a perder a cabeça, cavando sua expulsão, após atingir Batista.

Mas quando se joga competição eliminatória, existe sempre o risco de se topar com a fatalidade, uma bruxa concebida pelos deuses do futebol, num dia de muito mau humor. E que acabou atingindo o Brasil no dia 5 de julho, diante da Itália. Seria uma exagero atribuir a derrota de 3 a 2 no Estádio Sarriá de Barcelona apenas à tal fatalidade. Após a vitória sobre os argentinos, na realidade, o excesso de confiança contagiou a todos: comissão técnica, jogadores, mídia, torcedor, levando a crônica europeia e, principalmente, o adversário a explorar a situação, com elogios e superlativos.

- Ora, os brasileiros foram perfeitos. Taticamente, fizeram uma partida sem erros, ocuparam todos os espaços do campo com um jogo objetivo e de conjunto. Estou encantado - comentou o técnico da Itália, Enzo Bearzot, velha raposa do futebol.

Bearzot recuou a sua equipe e pôs Gentile e Tardelli para bater nas canelas dos brasileiros. Mandou que Paolo Rossi se aproveitasse dos espaços que a zaga generosamente concedia, marcando os italianos à distância. Ordem cumprida à risca desde os cinco minutos do primeiro tempo, quando o “Pablito” abriu o placar num chute indefensável. O Brasil igualou em jogada trabalhada, concluída por Sócrates. Rossi fez 2 a 1 numa bobeada coletiva da defesa; e, quando Falcão estabeleceu novo empate, resultado suficiente para classificar o time de Telê, o técnico trocou Serginho por Paulo Isidoro, para fechar o meio. Mas a tática não surtiu efeito. Pior: no bate-rebate de um escanteio fortuito, os tais deuses conduziram a bola pela terceira vez aos pés de Rossi, que fez 3 a 2, decretando a inesperada derrota brasileira. Restou o consolo de que o Brasil havia apresentado o melhor futebol da Copa.

OS JOGOS

14/06/1982 (21.00)
BRASIL 2:1 UNIÃO SOVIÉTICA (0:1)
Competição: Copa do Mundo.
Local: Estádio Ramón Sanchez Pizjuán, em Sevilha (Espanha). Público: 45.190 espectadores.
Árbitro: Augusto Lamo Castillo (Espanha). Assistentes: José Garcia Carrion (Espanha), Victoriano Sánchez Armínio (Espanha)
Gols: Bal, aos 34; Sócrates, aos 74; Éder, aos 87.
BRASIL: Waldir Peres, Leandro, Oscar, Luizinho e Júnior; Falcão, Sócrates, Zico e Dirceu (Paulo Isidoro, aos 46); Serginho e Éder. Treinador: Telê Santana da Silva.
UNIÃO SOVIÉTICA: Dassaev, Sulakvelidze, Chivadze, Baltacha e Demianenko; Shengelija, Bessonov e Gavrilov (Suslopanov, aos 46); Bal, Daraselija e Blokhin. Treinador: Konstantin Ivanovic Boskov.

18/06/1982 (21.00)
BRASIL 4:1 ESCÓCIA (1:1)
Competição: Copa do Mundo.
Local: Estádio Benito Villamarin, em Sevilha (Espanha). Público: 47.379 espectadores.
Árbitro: Jesus Luís Paulino Siles Calderón (Costa Rica). Assistentes: Thomson Chan Tam-Sun (Hong-Kong), Adolf Prokop (Alemanha Oriental).
Gols: Narey, aos 18; Zico (falta), aos 33; Oscar (cabeça), aos 48; Éder, aos 63; Falcão, aos 87.
BRASIL: Waldir Peres, Leandro, Oscar, Luizinho e Júnior; Toninho Cerezo, Falcão e Zico; Serginho (Paulo Isidoro, aos 70), Sócrates e Éder. Treinador: Telê Santana da Silva.
ESCÓCIA: Rough, Narey, Hansen, Gray e Miller; Hartford (McLeish, aos 63), Wark e Souness; Archibald, Strachan (Dalglish, aos 68) e Robertson. Treinador: Jock Stein.

23/06/1982 (21.00)
BRASIL 4:0 NOVA ZELÂNDIA (2:0)
Competição: Copa do Mundo.
Local: Estádio Benito Villamarin, em Sevilha (Espanha). Público: 31.759 espectadores.
Árbitro: Damir Matovinović (Iugoslávia). Assistentes: Charles George Rainier Corver (Holanda), Abraham Klein (Israel).
Gols: Zico, aos 28; Zico, aos 31; Falcão, aos 55; Serginho, aos 70.
BRASIL: Waldir Peres, Leandro, Oscar (Edinho, aos 75), Luizinho e Júnior; Toninho Cerezo, Falcão, Sócrates e Zico; Serginho (Paulo Isidoro, aos 75) e Éder. Treinador: Telê Santana da Silva.
NOVA ZELÂNDIA: Van Hattum, Dodds, Herbert, Almond e Elrick; Boath, Summer e McKay; Creswell (Turner, aos 77), Rufer (Cole, aos 77) e Wooddin. Treinador: John Adshead.

02/07/1982 (17.15)
BRASIL 3:1 ARGENTINA (1:0)
Competição: Copa do Mundo.
Local: Estádio de la Carretera de Sarriá, Barcelona. Público: 38.400 espectadores.
Árbitro: Mario Lamberto Rubio Vásquez (México). Assistentes: Gaston Edmundo Castro Makuc (Chile), Gilberto Aristizábal Murcia (Colômbia).
Cartão Amarelo: Passarella, Waldir Peres, Falcão.
Cartão Vermelho: Maradona, aos 87.
Gols: Zico, aos 11; Serginho (cabeça), aos 66; Júnior, aos 73; Ramón Díaz, aos 69.
BRASIL: Waldir Peres, Leandro (Edevaldo, aos 82), Oscar, Luizinho e Júnior; Toninho Cerezo, Falcão e Zico (Batista, aos 80); Sócrates, Serginho e Éder. Treinador: Telê Santana da Silva.
ARGENTINA: Fillol, Olguín, Galván, Passarella e Tarantini; Barbas, Ardilles e Calderón; Bertoni (Santamaría, aos 65), Kempes (Ramón Díaz, aos 46) e Diego Maradona. Treinador: César Luis Menotti.

05/07/1982 (17.15)
BRASIL 2:3 ITÁLIA (1:2)
Competição: Copa do Mundo.
Local: Estádio de la Carretera de Sarriá, Barcelona. Público: 41.930 espectadores.
Árbitro: Abraham Klein (Israel). Assistentes: Thomson Chan Tam Sun (Hong-Kong), Bogdan Guanev Dotchev (Bulgária).
Cartão Amarelo: Gentile, Oriali.
Gols: Paolo Rossi (cabeça), aos 8; Sócrates, aos 12; Paolo Rossi, aos 25; Falcão, aos 68; Paolo Rossi, aos 74.
BRASIL: Waldir Peres, Leandro, Oscar, Luizinho e Júnior; Toninho Cerezo, Falcão, Zico e Sócrates; Serginho (Paulo Isidoro, aos 69) e Éder. Treinador: Telê Santana da Silva.
ITÁLIA: Zoff, Gentile, Scirea, Collovatti (Bergomi, aos 34) e Cabrini; Tardelli (Marini, aos 75), Antognoni e Orialli; Conti, Paolo Rossi e Graziani. Treinador: Enzo Bearzot.

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