#TBTdaAmarelinha: Roseli, a atacante dos gols bonitos na Seleção Feminina

#TBTdaAmarelinha: Roseli, a atacante dos gols bonitos na Seleção Feminina

Antes de fazer história com a camisa verde e amarela, Roseli não sabia se era a única menina que queria jogar bola. Anos depois, virou destaque do Brasil e fez um golaço marcante em Uberlândia

Roseli esteve em três Olimpíadas e foi medalha de prata em Atenas, em 2004 Roseli esteve em três Olimpíadas e foi medalha de prata em Atenas, em 2004
Créditos: Crédito: FIFA

Um gol para ficar na história do Parque do Sabiá. Foi assim que Luciano do Valle narrou quando Roseli de Belo, ex-atacante da Seleção Brasileira Feminina, balançou as redes contra a Austrália há 15 anos. Em Uberlândia, a camisa 11 deu um lindo chapéu na adversária e chutou de esquerda direto para a meta das australianas. Destaque daquela partida e de tantas outras em sua longa trajetória com a camisa verde e amarela, a jogadora é lembrada por ter feito um dos gols mais bonitos da história da equipe.

Parte da primeira Seleção Feminina, Roseli esteve presente em um momento chave da modalidade e se aposentou do time nacional em 2004. Neste caminho, brilhou com a camisa canarinho e lembra com carinho dos momentos especiais vividos durante a carreira. Homenageando sua história e o golaço marcante, hoje falaremos sobre ela no #TBTdaAmarelinha.

De 1988 a 2004, Roseli vestiu a camisa da Seleção Brasileira e fez história em campo De 1988 a 2004, Roseli vestiu a camisa da Seleção Brasileira e fez história em campo
Créditos: Reprodução

Roseli

Atacante da Seleção Brasileira
Defendeu o Brasil de 1988 a 2004
Títulos: Sul-Americano de 1991 (Brasil), 1995 (Brasil), 1998 (Argentina); Prata nos Jogos Olímpicos de 2004 (Atenas); e Ouro no Pan-Americano de 2003 (Santo Domingo)

As dúvidas no começo

Roseli tinha 15 anos quando decidiu fugir de sua casa na zona leste de São Paulo e viajar para o Rio de Janeiro para tentar uma chance no esporte. Sem a aprovação da família, que só veio depois de provar repetidas vezes que o futebol era coisa séria, ela começou a carreira no Juventus, mas foi no Radar (RJ) que conseguiu a oportunidade que mudou sua vida.

Graças a Eurico Lyra, que seria coordenador da Seleção pouco depois, ela conseguiu uma chance e entrou para uma das equipes mais importantes para o futebol feminino. Chamando a atenção pelo jeito goleador, a atacante logo ganhou atenção mesmo com a pouca idade.

- Não imaginava que teria tanta história na Seleção quando comecei, pois no início eu achava que era a única que praticava a modalidade. Depois fui para o Juventus, meu primeiro clube, e comecei a disputar campeonatos no futebol de campo e no de salão. Então eu vi que, além de mim, tinham outras meninas que também se destacavam. Quando fui convidada para disputar o Mundial experimental na China em 1988, comecei a me sobressair no futebol feminino.

A criação da Seleção Feminina deu a ela a oportunidade de viajar para fora do país pela primeira vez, o que fez sua família, e principalmente sua mãe, perceberem que aquilo de jogar futebol poderia trazer um grande futuro para Roseli. E trouxe muito mais do que eles poderiam esperar.

A primeira Seleção

Em 1988, a primeira Seleção Brasileira Feminina foi convocada para o Mundial experimental, realizado na China. O evento era considerado um teste para a inédita Copa do Mundo das mulheres, que foi programada para 1991 no mesmo país. Vivendo ótima fase, ela aproveitou o momento para se dedicar ao máximo. Foi em solo chinês que percebeu que, além daquele grupo e de suas amigas, o mundo inteiro estava praticando futebol feminino.

- Sinto um orgulho enorme por ter feito parte da primeira Seleção Feminina. É muito gratificante. Eu nunca tinha saído do país e foi então que eu vi que mulheres do mundo inteiro jogavam futebol assim como eu. Estados Unidos, China, Japão, Suécia, Noruega. Me comovi pela história das meninas e vi que valia a pena jogar. Já era apaixonada pelo futebol feminino, mas comecei a me surpreender depois de ver essa grandeza toda e passei a ajudar mais o esporte e minha equipe. Vi que não era só eu que participava e nem só o Brasil.

Aquela experiência só a fez ter mais vontade de crescer na modalidade. Com talento natural e companheiras de equipe muito boas, Roseli marcava muitos gols (e até golaços) e chamou a atenção logo de cara pela habilidade. Seu faro de gol apurado foi uma armas das brasileiras nas primeiras Copas do Mundo em 1991 e 1995. Mesmo sem campanhas satisfatórias, o Brasil pôde mostrar ao mundo sua qualidade.

- Uma lembrança que tenho é que quando jogamos contra a Suécia na Copa de 1995 e eu dividia ataque com a Pretinha. Ela pegou a bola no meio de campo, arrastando todo mundo e eu vim acompanhando. Aí pedi a bola, ela mandou e saiu o gol que, assim como no jogo contra a Austrália, foi o melhor e maior da minha carreira. Esses dois me marcaram muito.

Roseli e Pretinha fizeram uma dupla de ataque poderosa pela Seleção Feminina Roseli e Pretinha fizeram uma dupla de ataque poderosa pela Seleção Feminina
Créditos: Reprodução

O golaço contra a Austrália

Não é à toa que Roseli de Belo é lembrada como uma das melhores que já passou pela Seleção Feminina até hoje. Junto a Sissi e Pretinha, ela foi eleita uma das 33 maiores jogadoras do século pela Federação Internacional de História e Estatística do Futebol (IFFHS) em 2017. Dona de golaços marcantes, um em especial é lembrado sempre.

O Torneio Internacional Cidade de Uberlândia, de 1995, foi um momento único para a Seleção. Com a torcida jogando junto e uma fase de muito crescimento para a equipe, a recepção na cidade mineira foi diferente. Um confronto em particular se tornou inesquecível.

Em uma noite fria, o estádio cheio foi testemunha de uma verdadeira pintura. Diante da Austrália, considerada a adversária mais difícil da competição, as brasileiras brilharam. Com gol de falta, Sissi abriu o placar logo no começo, fazendo 1 a 0. Depois, Roseli começou seu show particular e balançou as redes duas vezes. A primeira em um lindo gol por cobertura pela lateral direita, chutando por cima de todo mundo para enganar a goleira e marcar o segundo. O terceiro da noite, porém, foi narrado por Luciano do Valle como histórico. A camisa 11 dominou, deu um chapéu na adversária com o pé direito, recebeu no esquerdo e chutou de primeira para o fundo da meta australiana.

- O que eu lembro é que fomos jogar no Parque do Sabiá e ali o futebol feminino já estava muito grande. Neste jogo tinham mais de 50 mil pessoas presentes. Estava muito cheio e a torcida nos apoiou muito, foi lindo. Quando fiz aquele gol não pensei em nada e deu um branco em mim. Nem eu acreditava no gol que tinha acabado de fazer. Foi uma pintura, muito lindo. Marcou demais a minha carreira.

Lembranças dos Jogos Olímpicos

Roseli fala com emoção sobre os dois momentos mais especiais de sua carreira, ambos em Jogos Olímpicos. A primeira experiência foi em 1996, em Atlanta, quando o Brasil teve uma participação memorável, mas ficou com a quarta colocação. Nas semifinais, a equipe perdeu para a China e acabou derrotada na disputa do bronze contra a Noruega. Porém, a atacante relembra essa competição principalmente por um acontecimento logo depois.

- O momento que mais me marcou nesta trajetória na Seleção foi a primeira Olimpíada nos Estados Unidos, em 1996. Perdemos por pouco a medalha de prata. Esse ano e os Jogos de 2004 não tem como esquecer. O mais engraçado é que a medalha estava muito próxima em Atlanta e depois, quando fui jogar no Japão, a goleira que era da China foi convidada para a mesma equipe. Chegando lá ela colocou a medalha de prata no meu pescoço falando que a gente que merecia ter ganhado. Isso me marcou muito. A de 2004 também foi muito especial, pois conseguimos essa conquista com o Renê Simões e sua grande equipe.

A lembrança de 2004 não é à toa. Em seu último ato com a camisa verde e amarela, Roseli superou dificuldades e conseguiu encerrar a carreira na Seleção Brasileira com uma conquista importante nos Jogos Olímpicos de Atenas. Ao lado de nomes da nova geração, como Marta e Cristiane, além das antigas companheiras Pretinha e Maycon, elas ultrapassaram adversários complicados e chegaram à decisão, perdendo para os Estados Unidos por 2 a 1. Aquela medalha de prata, entretanto, marcou para sempre a história das jogadoras e do Brasil.

A última competição de Roseli pela Seleção foi a Olimpíada de 2004, em Atenas A última competição de Roseli pela Seleção foi a Olimpíada de 2004, em Atenas
Créditos: Reprodução

Quem é Roseli?

- Foi uma das melhores atacantes do futebol brasileiro. Habilidosa, veloz e com uma facilidade para fazer gol. Tive o prazer de ser parceira de ataque dela por muitos anos - Pretinha.

- Aquele gol foi um dos mais bonitos que tive a oportunidade de ver na minha carreira. Foi um privilégio jogar ao lado dela - Sissi.

- A Roseli é uma craque. Ainda bem que é brasileira. Jogar ao lado dela foi um prazer muito grande. Esse gol contra a Austrália foi maravilhoso, um gol de quem sabe e quem conhece. Para mim, ela será sempre um mito - Michael Jackson.

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