Leônidas da Silva: a primeira joia rara do futebol brasileiro

Leônidas da Silva: a primeira joia rara do futebol brasileiro

Primeiro craque “tipo exportação“ saído dos gramados do Brasil, Leônidas da Silva foi o maior destaque do futebol brasileiro nas décadas de 1930 e 1940

Leônidas da Silva, o Diamante Negro

Créditos: Gerência de Memória e Acervo CBF

O futebol moderno conheceu, ao longo de sua centenária história, uma coleção inestimável de personagens. No entanto, pouco foram os seres iluminados, apontados pelos deuses da bola, que passaram pelos gramados deste mundo e mudaram a trajetória do esporte para sempre. Em meio a estes heróis, digno de figurar entre as mais brilhantes constelações no panteão dos craques, está Leônidas da Silva. Nesta quinta-feira (6), a primeira estrela do futebol brasileiro completaria 105 anos. O primeiro grande jogador “tipo exportação“ projetado pelo Brasil.

Leônidas foi um dos primeiros grandes craques a vestir a Amarelinha. Disputou 38 partidas durante o período que defendeu a Canarinho. Foram 21 vitórias, oito empates e nove derrotas. Pela Verde e Amarela, anotou 38 gols e ostenta a incrível média de um tento por jogo enquanto representou o Brasil. Disputou as Copas do Mundo de 1934 e 1938 e conquistou a Copa Rio Branco (1932) e a Copa Rocca (1945) pela Seleção.

Tesouro encontrado nos subúrbios do Rio de Janeiro

A primeira grande joia de uma inesgotável mina de pedras preciosas brasileiras foi garimpada nos gramados de São Cristóvão, Zona Norte do Rio de Janeiro. Ainda jovem, Leônidas já dava mostras do talento extraordinário que o alçaria à fama. Defendeu diversos clubes amadores do bairro até seguir para o Sírio Libanês. Suas atuações destacadas pelo Sírio chamaram a atenção do Bonsucesso Futebol Clube. Em 1931, Leônidas chegava ao Leão da Leopoldina e, vestido de rubro-anil, pavimentou de vez seu caminho rumo à imortalidade.

O mito por trás do mito

Lêonidas defendeu o Bonsucesso-RJ por apenas duas temporadas. O suficiente para o traço de genialidade do craque se eternizar na história de futebol. Foi no gramado do Estádio Teixeira de Castro (hoje leva o nome de Leônidas da Silva), casa do Leão da Leopoldina, que Leônidas executou com maestria o gesto técnico que seria associado a seu nome pelo resto da carreira: a bicicleta. A plasticidade artística do lance elevou o autor da obra prima à fama de maneira explosiva. Por longo período, se atribuiu a autoria do movimento a Leônidas. No entanto, o craque nunca assumiu ter patenteado a jogada: apenas se dizia ser um dos mais famosos e melhores executores. Coube a Leônidas, então, a honra de popularizar um dos mais célebres lances do esporte.

Fama leva Leônidas ao exterior, a gigantes cariocas e à Copa do Mundo

O sucesso meteórico no Bonsucesso superdimensionou a fama de Leônidas. Clubes brasileiros e do exterior se interessaram em contar com o craque brasileiro que assombrava pelo porte atlético, a técnica incomparável e o faro sobrenatural para encontrar o fundo das redes. Melhor para o Peñarol-URU, gigante sul-americano que garantiu os serviços de Leônidas. Deste período, surgiu o primeiro apelido do craque: o “Homem-Borracha“, uma alusão à elasticidade nos dribles e na execução da já difundida bicicleta.  

Depois de uma temporada encurtada por lesões no Uruguai, Leônidas retornou para o Brasil para defender o Vasco da Gama-RJ. Retomou o habitual destaque jogando pelo Cruzmaltino, onde foi campeão carioca, e foi chamado para defender a Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1934, na Itália. O “Homem-Borracha“ anotou o único gol da Canarinho no Mundial, um prenúncio do que Leônidas preparava para a história do futebol. Leônidas regressou da competição e assinou com o Botafogo-RJ. As atuações memoráveis pelo Glorioso o tornaram um ídolo do Alvinegro, onde se sagrou mais uma vez campeão estadual.

Nasce o Diamante Negro

Em 1936, Leônidas chegou ao Flamengo. No Rubro-Negro, o craque se tornou ídolo absoluto e grande destaque de uma equipe que contava com grandes nomes da Seleção Brasileira como Domingos da Guia e Fausto, a Maravilha Negra. 

O destaque pelo clube carioca garantiu a Leônidas uma vaga no elenco da Canarinho para a Copa do Mundo de 1938, na França. Em seu segundo Mundial, Leônidas assumiu o papel de protagonista e grande estrela da competição. Levou o Brasil ao terceiro lugar (melhor colocação até então), terminou como artilheiro, com 8 gols, melhor jogador da Copa e integrante da seleção do torneio. As atuações mágicas de Leônidas em solo francês renderam ao craque o famoso apelido que marcou o futebol eternamente: o “Diamante Negro“.

Leônidas regressou da França nos braços da torcida brasileira. Idolatrado em casa e no mundo, o primeiro expoente internacional do futebol brasileiro atingiu patamares de adoração inimagináveis. A popularidade do craque era tamanha que o apelido “Diamante Negro“ passou a ser nome de um dos mais badalados chocolates da época e que, até hoje, segue firma nas prateleiras e gôndolas espalhadas pelo Brasil.

O Diamante Negro desembarca em São Paulo

Após brilhar pelo Flamengo, Leônidas foi contratado pelo São Paulo-SP na maior transação da história do futebol sul-americano à época. O brilho incessante do craque levou mais de 70 mil pessoas à estreia do craque pelo Tricolor no Pacaembu. O número é o recorde de público do estádio. Pelo clube do Morumbi, foram cinco conquistas estaduais em mais de 200 jogos com as três cores são-paulinas. Ídolo histórico do clube, Leônidas foi fundamental para projetar o São Paulo ao cenário de elite do futebol brasileiro.

A vida depois de pendurar as chuteiras

Leônidas se aposentou oficialmente em 1949. Foi dirigente do São Paulo-SP por um breve período até se encontrar com os microfones. Como comentarista, Leônidas obteve o mesmo brilho da esplendorosa época dentro dos gramados. Das cabines, o Diamante Negro se destacou pelos comentários precisos, austeros e sem espaço para floreios. Seguiu na função até meados de 1974, quando os primeiros sinais de Mal de Alzheimer começaram a se apresentar.

Leônidas morreu em janeiro de 2004, aos 90 anos de idade, vítima de complicações do Alzheimer e de um câncer de próstata. O último suspiro de vida do primeiro grande craque brasileiro foi também o primeiro rumo à imortalidade. 

Enquanto houver uma bola surrada e um quintal de terra batida, o futebol será grato. O futebol jamais esquecerá a fortuna de ginga, dribles, força, velocidade e gols de Leônidas da Silva, o Diamante Negro.

Fonte: Gerência de Memória e Acervo da CBF

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