#TBTdaAmarelinha: Pepe, o Canhão da Vila

#TBTdaAmarelinha: Pepe, o Canhão da Vila

Nomeado Embaixador da Seleção, Pepe foi bicampeão mundial pelo Brasil em 58 e 62.

Pepe comemora mais um título com a camisa do Santos Pepe comemora mais um título com a camisa do Santos
Créditos: Reprodução/Instagram

Para quase todo menino que sonha ser jogador de futebol, vestir a camisa da Seleção Brasileira é um sonho. Imagina então ser bicampeão da Copa do Mundo vestindo a Amarelinha? É um feito do qual poucos podem se orgulhar. Um deles é Pepe, o Canhão da Vila, que o site da CBF homenageia nesta quinta no #TBTdaAmarelinha.

Parte da Seleção Brasileira que conquistou as Copas do Mundo de 1958, na Suécia, e de 1962, no Chile, Pepe foi um dos melhores atacantes da história do nosso futebol. É ídolo do Santos, único clube que defendeu durante a carreira. Até hoje, é o segundo maior artilheiro do clube, com 405 gols, superado apenas pelo Rei Pelé. Sua fama de goleador também chegou à Seleção Brasileira. Com a Amarelinha, foram 22 tentos marcados e uma história de grandes conquistas.

Pepe

Ponta esquerda da Seleção Brasileira
Jogos: 41
29 vitórias, 3 empates e 9 derrotas
Gols: 22
Títulos:Taça do Atlântico (1956, 1960), Copa Roca (1957, 1963), Copa do Mundo (1958, 1962), Taça Bernardo O’Higgins (1961) e Taça Oswaldo Cruz (1958, 1961, 1962)

Pepe Pepe vestiu a camisa da Seleção Brasileira entre 1956 e 1963
Créditos: Acervo CBF

Filho do Carnaval


Em uma segunda-feira de carnaval, na cidade de Santos, em meio aos festejos de rua, nascia o menino José Macia, dentro de sua própria residência. A data no calendário marcava 25 de fevereiro de 1935, um dia que a história do futebol guardaria para sempre. Seu pai se chamava José Macia e tinha a intenção de registrá-lo como José Macia Filho. Mas um erro do cartório lhe deu o mesmo nome do pai. Igualzinho. Ele acabaria herdando também o apelido de "Pepe", já que a família tem origem espanhola e essa é uma forma carinhosa de falar "José" no país.

Desde novo o “Pepinho” demonstrava paixão pelo futebol. Enquanto as outras crianças do bairro costumavam brincar com peão, ele gostava de chutar bola. Seu pai incentivava o interesse do rapaz e, quando chegava o Natal, a ideia de presente não era outra senão bolas de futebol. E isso foi aumentando a paixão do jovem pelo esporte.

“Eu era fissurado em futebol já com quatro anos. Nunca fui muito de rodar peão, nem de empinar papagaio, como a gente chamava a pipa na minha época. No Natal, a garotada ganhava peteca e carrinho, mas meu pai trazia umas três bolas de borracha para mim. Todas coloridas. Eu ficava todo feliz e sempre esperava ganhar de presente mais bolas para chutar”, relembrou.

Não demorou muito para que a família de Pepe percebesse que o interesse por futebol poderia ir além de uma brincadeira de criança. Aos sete anos, ele já se destacava no futebol de várzea, principalmente pelo seu domínio com a perna esquerda. Mas foi com 16 anos que aconteceu a grande mudança de sua vida. Ele jogava pelo São Vicente AC quando um companheiro de equipe, que também defendia o infantil do Santos, o chamou para um teste no Peixe. Logo na primeira partida, foi aceito na turma juvenil do clube. Foi aí que o gramado da Vila Belmiro conheceu o seu futuro craque.

Em 1954, já com 19 anos, apareceu a oportunidade de integrar o elenco principal do Peixe. Sua estreia aconteceu contra o Fluminense, no Pacaembu, pelo Torneio Rio-São Paulo. Na ocasião, os santistas foram derrotados por 2 a 1. Foi, porém, no Campeonato Paulista do ano seguinte que Pepe se consagrou como o Canhão da Vila Belmiro. Autor do gol do título paulista do alvinegro em cima do Taubaté, Pepe nem imaginava que aquele seria o primeiro de muitos troféus que levantaria com a camisa do Santos. 

O ponta esquerda viveu toda a sua carreira profissional na Vila Belmiro, e se tornou o jogador a conquistar mais títulos por um único clube. Ao todo, foram 25 troféus levantados, incluindo 11 Campeonatos Paulistas, seis Brasileiros, duas Taças Libertadores da América, dois Mundiais Interclubes e quatro Torneios Rio-São Paulo.

Pepe com o Troféu Teresa Herrera Pepe com Troféu Teresa Herrera
Créditos: Reprodução/Instagram

A triunfante passagem pela Seleção

O seu excelente desempenho com a camisa do Santos fez com que Pepe fosse chamado para defender a Seleção aos 21 anos. A primeira oportunidade foi na Taça Atlântico, no dia 8 de julho de 1956, em um empate sem gols entre Brasil e Argentina. Apesar de estar no elenco das Copas de 58 e 62, infelizmente Pepe não conseguiu entrar em campo devido a lesões sofridas pouco antes das competições. Mas ter feito parte daquele grupo é uma lembrança que o ex jogador guarda com carinho.

“O Brasil tinha jogadores muito completos em todas as posições. Então sempre existia a dúvida se a convocação viria ou não. Fazer parte do elenco de 58 é se afirmar como um grande atleta, porque aqueles jogadores eram extraordinários. E mesmo com um grupo tão bom de bola, Pelé e Garrincha conseguiram se destacar e fazer uma campanha campeã. Ter vivido tudo isso de perto me deixa muito contente.” destacou o bicampeão.

Em junho deste ano, a CBF homenageou os campeões de 58, 62 e 70 nomeando-os Embaixadores da Seleção Brasileira. Essa condecoração garante alguns benefícios, entre eles, o de representar a Confederação em eventos sociais, educacionais e institucionais. Cada atleta recebeu uma réplica em miniatura da Taça Jules Rimet em casa e Pepe se sentiu orgulhoso de ser lembrado.

“O que eu guardo como prova de que fiz uma carreira com resultados altamente positivos são esses reconhecimentos que eu tenho ainda em vida. Ganhar o título de Embaixador da Seleção é um motivo de orgulho imenso, porque isso me faz ficar marcado para sempre na história do Brasil. E pensar nisso me dá uma satisfação muito grande.” contou o ex-jogador.

Tricampeões mundiais de 1970 serão presenteados com miniaturas da Taça Jules Rimet e “passaportes” que os consagram como Embaixadores da Seleção Brasileira Réplicas em miniatura da Taça Jules Rimet
Créditos: Lucas Figueiredo/CBF

O santista jogou 40 vezes com a Seleção Brasileira, e quando questionado sobre quais desses confrontos que mais o marcaram, nem hesitou em responder: o empate por 1 a 1 no amistoso entre Brasil e Inglaterra, em 1963, no Wembley. O motivo para nomear essa partida como a mais memorável foram as circunstâncias em que conseguiu fazer seu gol de falta. Dentre as várias qualidades de Pepe, o poderio na bola parada era uma das que mais impressionavam. Os narradores aguardavam ele cobrar, ansiosos para gritar “Canhão da Vila!!”. E foi uma bomba dessas que ele lançou na meta do goleiro inglês Gordon Banks.

“A Inglaterra era muito forte jogando em Wembley e eles tinham o Gordon Banks, que foi considerado o melhor goleiro do mundo de todos os tempos. A gente estava perdendo de 1 a 0 e, quase no final do jogo, eu fiz o gol de empate cobrando uma falta. Eu fiquei muito feliz por ter vencido o Gordon Banks. Na época, ele deu uma entrevista dizendo que nem viu a bola passar. Ali eu fiz valer a fama de chutador.” celebrou. 

Pepe, bicampeão mundial com a Seleção Pepe, bicampeão mundial com a Seleção
Créditos: CBF

Professor Pepe

O ponta esquerda pendurou as chuteiras em 1969, com direito a volta olímpica na Vila Belmiro. Na ocasião, recebeu uma placa de agradecimento pela dedicação ao clube. Mas seu coração alvinegro não conseguiu ficar distante do clube e ele iniciou a carreira de treinador nas divisões de base do Santos, assim como a sua vida de jogador profissional começou. Logo depois, em 1972, assumiu a equipe principal pela primeira vez e conquistou o título paulista no ano seguinte. Ele ainda teria mais quatro passagens pelo Peixe e alcançaria a marca de terceiro técnico que mais comandou o clube do litoral paulista. Da lista extensa de times comandados por Pepe estão o São Paulo, Ponte Preta, Guarani, Portuguesa, Verdy Kawazaki (JP), entre outros. Quando esteve à frente do Al-Ahli, do Catar, conviveu com o espanhol Pep Guardiola, hoje um dos melhores técnicos em atividade no mundo.

Sempre que reflete sobre o seu legado, Pepe se mostra absolutamente satisfeito, e honrado de ser lembrado com frequência. Sem dúvidas, o ex-jogador e ex-técnico é um dos imortais do esporte. Falar dele é contar um pouco a história do próprio futebol. Hoje, aos 85 anos, ele tem um canal no YouTube chamado Canal Pepe 11 e, com a ajuda de sua filha Gisa, conta algumas das aventuras que viveu ao longo da carreira.

“Eu agradeço muito ao futebol por me proporcionar a oportunidade de viver todos os meus sonhos. Joguei 750 jogos no Santos, 40 na Seleção Brasileira e mais alguns pela Seleção Paulista, e a gente vai aprimorando o currículo com os títulos desses anos todos. Nesse período, fui colecionando histórias, fiz amizades e viajei para mais de sessenta países oferecendo qualidade de vida para a minha família. Tudo isso eu devo ao futebol. É um privilégio dizer que vivi do futebol” conclui Pepe.

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