#TBTdaAmarelinha: Dida, o Menino de Ouro

#TBTdaAmarelinha: Dida, o Menino de Ouro

Dono da Camisa 10 antes de Pelé, Dida fez parte do elenco campeão mundial de 1958. Craque é o segundo maior artilheiro da história do Flamengo

Dida (centro), campeão mundial em 1958 Dida (centro), campeão mundial em 1958
Créditos: Acervo CBF

A camisa 10 da Seleção Brasileira já passou por muita gente ao longo de sua história. Antes mesmo de Pelé eternizar o número, outro personagem deixou sua marca com ela. E ele era Edvaldo Alves de Santa Rosa, o Dida. Um nome que até pode passar batido para as novas gerações, mas que foi inspiração para grandes ídolos, como Zico, e revolucionou o futebol brasileiro.

Presente no elenco campeão da Copa do Mundo de 1958 e reconhecido com o segundo maior artilheiro do Flamengo, com 264 gols, o meia Dida foi o pioneiro de grandes talentos alagoanos, como Marta, Aloísio Chulapa, Cleiton Xavier. Por essa razão, ele é a figura escolhida para o #TBTdaAmarelinha desta semana a fim de manter viva na memória a importância de seu legado para o esporte.

DIDA (1934-2002)

Atacante da Seleção Brasileira entre 1958 e 1961

Estatísticas: oito jogos, 7 vitórias e 1 empate

Títulos: Copa do Mundo de 1958, Taça Oswaldo Cruz 1958

Gols: 5

Do bairro de Mutange para a Gávea

O garoto Dida nasceu em Alagoas no dia 26 de março de 1934, em uma família simples de doze filhos, e começou a trilhar seus primeiros passos no futebol do CSA, no começo da década de 50. Já ganhando destaque no Azulão, sendo bicampeão do estadual, Dida foi convocado para a seleção de Alagoas em 1953. Na época, existia um torneio entre os estados brasileiros e, foi justamente em um confronto entre as equipes de Alagoas e Paraíba que o meia-atacante chamou a atenção de olheiros cariocas. Era chegada a hora de se despedir do bairro de Mutange e balançar as redes de um lugar bastante conhecido: a Gávea. 

Aos 20 anos de idade, em 1954, Dida passou a defender o Flamengo. A admiração pelo Rubro-Negro carioca já existia muito antes, na infância, quando ele colecionava peças de futebol de botão com o escudo do Flamengo, junto com os seus irmãos. A confiança do técnico paraguaio Fleitas Solich em Dida foi sendo conquistada aos poucos, e ele só passou a integrar de vez a equipe principal no ano seguinte, na defesa do título estadual. Aliás, esta edição do Campeonato Carioca foi a que alavancou a carreira de Dida, afinal, ele tinha o peso de substituir os craques Leônidas da Silva e Zizinho, ídolos do clube nas décadas de 1930 e 1940, mas o atleta deu conta do recado. Todos os adversários entravam em campo apreensivos, pois teriam que dominar o ataque de Dida, que raramente não aproveitava uma oportunidade de marcar um gol.

O tricampeonato carioca do Flamengo de 53, 54 e 55 foi conquistado com Dida sendo o grande destaque. Ele era uma máquina de balançar a rede, formava uma linha de ataque triunfal ao lado de Zagallo, Evaristo, Paulinho e Joel. Atingiu a marca de vice-artilheiro da edição, com 15 gols, e foi apelidado por Fleitas Solich como "Menino de Ouro". Dida foi decisivo para retomar a confiança da torcida rubro-negra após derrota por 5 a 1 para o America-RJ, no segundo jogo. Cerca de 140 mil torcedores lotaram o Maracanã para assistir a goleada do Flamengo por 4 a 1 sobre os alvirubros. Todos os tentos da partida foram marcados por Dida.

O privilégio de vestir a Amarelinha

Seu alto rendimento na Gávea despertou o interesse de Vicente Feola, técnico da Seleção Brasileira, e Dida foi convocado para os jogos da véspera da Copa do Mundo de 1958. Logo na estreia, vestiu a camisa 10 e marcou um gol de letra no triunfo por 5 a 1 sobre o Paraguai. O alagoano manteve a boa sequência nos amistosos seguintes e foi convocado para o Mundial na Suécia. O ídolo rubro-negro foi titular em parte da competição e ajudou na conquista da primeira estrela da Seleção. Na sequência, a frequência em convocações caiu, algumas por conta de lesões, e seu último jogo com a Amarelinha foi em 1961.

Sem dúvidas, o grande legado de Dida ficou em sua jornada como jogador do Flamengo. Em nove anos de clube, balançou as redes 264 vezes em 358 jogos. Foi campeão carioca em 1954, 1955 e 1963, além de levantar o Rio-São Paulo em 1961, o único conquistado pelo Fla. Sua artilharia no clube da Gávea só foi superada anos depois, por um garoto que o tinha como grande ídolo: Zico. Nascido em berço rubro-negro, o Galinho cresceu admirando o atacante alagoano e teve a oportunidade de vê-lo atuar na final da Rio-São Paulo, no Maracanã, e marcar o segundo gol da partida.

A parceria com o Flamengo se encerrou em 1963, quando Dida saiu do Rio de Janeiro e foi defender a Portuguesa-SP. No Canindé, foi vice-campeão paulista de 1964, dividindo os gramados com seu companheiro de Flamengo e Seleção, Henrique Frade. Dida aposentou as chuteiras no Junior Barranquilla, da Colômbia, em 1967. Em duas temporadas, ele superou seu medo de avião e caiu nas graças da torcida ao marcar 46 gols pelo clube.

Seu relacionamento com o Flamengo ainda teria mais um capítulo pela frente, pois ele retornou ao clube como técnico das categorias de base, e foi ali que seu grande fã, Zico, pôde, finalmente, ficar cara a cara com o ídolo. Dida faleceu em 17 de dezembro de 2002, no Rio de Janeiro (RJ), deixando um legado na memória dos amantes do bom futebol. Em sua homenagem, o Museu do Esporte de Alagoas, localizado dentro do Estádio Rei Pelé, recebe o seu nome e exibe sua faixa de campeão mundial de 1958.

Quem foi Dida?

“Dida foi uma grande referência. Um ídolo, não só para mim, mas como para toda a minha família. Segundo os meus pais, uma das minhas primeiras palavras foi ‘Dida’ e eu tive o privilégio de vê-lo jogar no Flamengo e de reencontrá-lo lá quando ele treinava a base. Ele foi um cara que toda a torcida do Flamengo tem um carinho especial.” - Zico

“Dida foi um goleador extraordinário. Quando jogávamos contra o Flamengo tínhamos grande preocupação com o ataque justamente por causa do Dida. Não podia dar mole porque ele fazia gol facilmente!” - Pepe

“O Flamengo sempre foi um celeiro de craques. De lá, sempre saíram grandes atacantes. E o Dida está no topo desta lista.” - Mengálvio

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