50 anos do Tri: Rivellino conta histórias da Patada Atômica, exalta craques do time e se rende a Pelé

50 anos do Tri: Rivellino conta histórias da Patada Atômica, exalta craques do time e se rende a Pelé

Ídolo diz que famoso apelido para os potentes chutes de canhota começou no México, destaca importância do gol na estreia e comenta facilidade por jogar ao lado de grandes jogadores

Rivellino na concentração do Brasil durante a Copa do Mundo de 1970 Rivellino na concentração do Brasil durante a Copa do Mundo de 1970
Créditos: Reprodução/FIFA

A série "50 anos do Tri" relembra, em crônicas e reportagens, a conquista da Copa do Mundo de 1970 pela Seleção Brasileira. Serão várias publicações ao longo do mês de junho, que marca o aniversário do terceiro título mundial do Brasil.

Falar sobre Roberto Rivellino não é difícil. A história dele disponibiliza muito conteúdo. O meia é um dos maiores jogadores de todos os tempos do futebol mundial, conquistou grandes títulos, fez inúmeros gols e apresentou características únicas para a modalidade. Embora ele mesmo diga que tenha copiado de um companheiro dos tempos de futsal, foi o craque que deu fama ao drible conhecido como elástico. Outra marca registrada de "Riva" era o forte chute de perna esquerda, que ficou conhecido como "Patada Atômica". Mas você sabe onde o apelido surgiu?

A equipe da CBF está ouvindo personagens da conquista do tricampeonato mundial para celebrar os 50 anos do feito e bateu um papo com Rivellino. O meia revelou que a expressão usada para dimensionar a potência dos seus arremates de canhota surgiu justamente na Copa do Mundo de 1970. Mais um fato eternizado pelo povo mexicano.

– Essa história começou lá (no México). Durante a preparação, estávamos treinando forte, e eu trabalhando a finalização. E aí começou aquele destaque para o meu chute, para a força que eu conseguia colocar na bola e criaram a Patada Atômica. Não sei nem quem falou, mas foi lá. Tem até uma foto que ficou famosa, onde o fotógrafo, com extrema felicidade, conseguiu mostrar o exato momento em que a bola fazia a curva. E a bola parecia um ovo, era o ovo de Páscoa do Rivellino. A partir daí surgiu a Patada Atômica e ficou – declarou.

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Rivellino marcou três gols na campanha de 1970. Além de balançar a rede diante do Peru, nas quartas, e Uruguai, na semi, ele fez o primeiro gol da Seleção Brasileira no Mundial de 50 anos atrás. O camisa 11 abriu o placar no duelo de estreia, diante da Tchecoslováquia, vencido pelo Brasil por 4 a 1, e mostrou que, diferentemente do que diz o ditado popular, começar com o pé esquerdo não é ruim.

– É verdade, começamos com a canhota (risos). Mas esse foi um jogo muito importante para entendermos onde poderíamos chegar. A Tchecoslováquia foi vice para o Brasil na Copa de 1962. E o nosso grupo não era nada fácil. Ainda tinha a Inglaterra, campeã da Copa anterior, e a Romênia, considerada uma sensação... A crônica achava que não passaríamos nem da primeira fase. E nós chegamos para a estreia sem conhecer muito os jogadores da Tchecoslováquia. A informação não era fácil como hoje. Mas aí eu tive a felicidade de fazer aquela falta e eu considero este o meu gol mais importante. Pelo momento difícil, de incerteza. E acabamos vencendo por 4 a 1. A partir daquele momento a gente viu que o bicho não era tudo aquilo que pintavam e entendemos que tínhamos condições de brigar – acrescenta.

Considerado por muitos como maior time da história do futebol mundial, a Seleção Brasileira de 1970 reunia grandes craques. Para que o maior número deles estivesse em campo, alguns tiveram de mudar de posição. Rivellino foi um dos jogadores que precisou se adaptar ao esquema. Mas ele revela que isso não representou problema algum.  

– Era fácil jogar naquele time. Não à toa é, até hoje, considerada a maior Seleção de todos os tempo. Quando você joga com quem pensa igual a você as coisas se tornam mais fáceis, pois a margem de erro fica muito menor. O Pelé não errava, Carlos Alberto não errava, Tostão não errava, Jairzinho não errava, Gérson não errava, Clodoaldo não errava... Enfim, todos eram craques.  Então, ninguém teve problema para jogar naquele time, pelo contrário – destaca.

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Rivellino usou a camisa 11 na Copa de 1970 porque a 10 era ostentada por Pelé. No Mundial seguinte, em 1974, Riva teve o bastão passado pelo Rei e passou a jogar com o número mais famoso do futebol mundial, que sempre usou nos clubes onde passou. O craque da Patada Atômica conta como foi herdar a camisa e se rende ao maior jogador de futebol de todos os tempos.

– Eu nunca fiquei preocupado com a 10. Minha preocupação era jogar. Número não ganha jogo. Muita gente me dizia: - Vai jogar com a camisa do Rei, hein? E eu sempre tive o cuidado de dizer que eu era uma coisa e ele outra. Eu até falo para você: a camisa 10 da Seleção deveria estar imortalizada. A CBF deveria pegá-la, colocar no lugar mais alto da sede e não deixar ninguém mais usar, por tudo que o Pelé fez e conquistou com ela. Ele foi o maior de todos os tempos – finaliza.

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