Raízes da Seleção: Thiago Silva, um craque formado pela sobrevivência

Raízes da Seleção: Thiago Silva, um craque formado pela sobrevivência

Zagueiro precisou superar adversidades dentro e fora de campo para manter vivo o sonho de jogar futebol

Thiago Silva no Raízes da Seleção

Créditos: Lucas Figueiredo/CBF

O ano era 2005. Deitado no leito de um hospital na distante Moscou, Thiago Silva mirava o teto de seu quarto e pensava no futuro. Ou nos seus possíveis futuros. Diagnosticado com tuberculose, o zagueiro vivia o momento mais complicado de sua vida. Passou cerca de dois meses internado, sem ter contato com nenhum de seus familiares. A chance de contaminação era tão grande que ele não podia receber visitas. Mas o isolamento era apenas uma parte de um tratamento árduo. Doses cavalares de remédios e procedimentos médicos eram realizados diariamente, tornando tudo ainda mais difícil para ele.

– Eu fiquei muito tempo isolado, achei que não iria sair dali. Eu acordava seis, sete da manhã com duas ou três injeções, um monte de medicamentos. No almoço, um pouco mais. À tarde, novamente, e mais injeções e remédios na hora do jantar. Uma vez por semana, tinha uma limpeza do pulmão. Eles colocavam uma sonda pela boca, uma câmera através do nariz – descreveu.

Mesmo diante desse cenário, ele resistiu. E viu triunfar um sonho carregado desde cedo, quando ainda era um moleque em Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio de Janeiro.

– Foi uma experiência muito difícil, mas hoje eu olho para trás e vejo que ganhei uma das coisas mais importantes na vida. A gente fala da nossa profissão, de ganhar um campeonato aqui e ali, mas a minha maior vitória foi contra a tuberculose.

Veja mais:  Fernandinho passou por uma separação traumática dos pais durante a infância, e construiu a carreira distante do país

Plenamente recuperado, Thiago teve paz para trilhar o caminho que a bola lhe ofereceu. A trajetória, que incluiu passagens por Fluminense, Milan e, agora, o Paris Saint-Germain, o levou à Seleção Brasileira. Com a Amarelinha, já foram três Copas do Mundo, todas com gostos muito diferentes.

Em 2010, foi reserva. No Mundial de 2014, no Brasil, foi capitão, mas estava suspenso no jogo que acabou eliminando a Seleção.  No ano passado, Thiago Silva encarou a Copa do Mundo da Rússia como a chance de sua vida. Marcado pela torcida após a derrota em 2014, o zagueiro foi um dos melhores jogadores do Mundial de 2018. Mesmo saindo nas quartas de final, foi escalado em vários dos times ideais da competição.

Ainda assim, a eliminação para a Bélgica foi motivo de muita decepção para Thiago Silva. Aos 33 anos de idade, o zagueiro não sabia se teria condição de continuar atuando pela Seleção Brasileira. A Copa do Mundo do Catar, em 2022, é uma incógnita para todos, e a possibilidade de ter disputado sua última partida de Copa pela Seleção bateu pesado.

– Por estar em campo contra a Bélgica, eu me senti ainda mais triste. E talvez por pensar que eu não chegaria na próxima Copa. Ninguém tem essa certeza, mas vamos trabalhar o máximo possível e ver o que Deus tem reservado para nós no futuro. Acredito que a gente tem muito mais coisas vitoriosas na nossa vida do que essas derrotas – lembrou.

Veja mais: Gabriel Jesus tem tatuada no peito a música "A Vida é Desafio", do Racionais MC's. E ela pode explicar muito bem sua história de vida

Antes de ser convocado para a Copa América, Thiago Silva viveu novos momentos de incerteza. Teve uma lesão no joelho na reta final da temporada e, quase um mês antes, precisou passar por uma artroscopia que pôs em risco sua participação no torneio continental. Com a confiança da comissão técnica, o zagueiro correu contra o tempo e se apresentou bem, disposto a escrever mais um capítulo importante com a Seleção.

No último domingo, voltou a jogar e marcou pela primeira vez desde seu gol contra a Sérvia, na Copa do Mundo. A goleada sobre Honduras não significou apenas que Thiago estava pronto para a Copa América, mas que o zagueiro mantém viva a vontade de honrar a camisa que tanto se orgulha em vestir.

– Levo a paixão, o orgulho e a gratidão de estar aqui. Estamos aqui por méritos, por nosso bom trabalho, no clube e na carreira. Realizei um sonho de criança que eu tinha. Via Romário, Bebeto, Dunga, Mauro Silva jogando. Temos que dar valor ao momento que estamos passando. Porque isso aqui não é para muitos. Eu não sabia se ia estar aqui, mas que eu ia tentar até o último minuto. É o que me move. Essa paixão. Se não tivesse isso, essa motivação, eu ligaria para o Tite e diria que não dava, para aproveitar minhas férias com a família. Mas quem me conhece sabe como trabalho. Com 34 anos, eu tenho que ser muito orgulhoso de mim mesmo por tudo que já fiz, e o que ainda vou fazer. De seguir jogando por amor, com orgulho de estar jogando futebol e de ter realizado um sonho de criança.

Thiago Silva venceu a tuberculose e agora honra a Seleção Thiago Silva venceu a tuberculose e agora honra a Seleção
Créditos: Lucas Figueiredo/CBF

PATROCINADORES

Seleção Brasileira NikeItaúVIVOGuaraná AntárticaMastercardGOLGrupo CIMEDSEMP TCLFIATUltrafarmaEnglish LiveTechnogymStatsports3 Corações