Raízes da Seleção: 'Revoltadinho' na infância, Militão encontra paz no futebol

Raízes da Seleção: 'Revoltadinho' na infância, Militão encontra paz no futebol

Defensor foi uma criança atentada, mas descobriu no esporte uma saída para sua vida

Série especial conta história dos jogadores da Seleção Brasileira

Créditos: Lucas Figueiredo/CBF

Eder Militão não é de falar muito alto. Tímido diante das câmeras, o tom baixo da voz pode até enganar, mas ele foi, na infância, uma criança daquelas. Atentado quando jovem, Militão demorou a entrar nos eixos, mas encontrou no futebol a sua paz.

— Quando eu era mais novo eu era mais revoltadinho, não sei o que me levou a ter essa calma. Eu tinha meus ataques. Eu, muitas vezes, conversava com a minha mãe, dizendo que eu ia embora de São Paulo, quando acontecia alguma coisa ou brigava, eu falava que eu ia embora, não ia jogar mais, mas ela falava pra eu ter calma. Se não fosse eles, eu não estaria aqui — ressaltou.

Meio desligado, Militão demorou a perceber que o futebol poderia, de fato, ser o seu futuro. Na infância, em Sertãozinho, queria mais era soltar pipa e empinar a bicicleta. Mas a força da família mudou o destino do jovem Éder.

 

"Quando eu era mais novo eu era mais revoltadinho, não sei o que me levou a ter essa calma"

 

O pai, Valdo, jogou como lateral-direito em vários clubes de São Paulo. Foi justamente ele quem deu o empurrão necessário para que Éder acreditasse em seu potencial como jogador. Foram seus conselhos que levaram um dos goleiros mais talentosos de sua turma para a lateral direita. Depois de atrair a atenção das divisões de base do São Paulo, Militão entendeu que o futebol era uma opção de vida.

— Muita gente falava que eu tinha o dom, mas eu não percebia muito. Até que as coisas aconteceram rápido e fui me ligando. Meu pai sempre dizia para eu ter atenção, não deixar nada de fora congestionar minha cabeça — lembrou.

Hoje na Seleção Brasileira, Militão reconhece o tamanho do que tem conquistado. Não só por ter saído de uma situação desfavorável, mas por fazer valer o esforço de tantos. Entre eles, seu pai, o homem que sempre o guiou na vida e na profissão.

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Por isso, o defensor usa uma única palavra para definir a sensação de jogar a Copa América: amor. Pela família, pelo futebol. É o que motiva o zagueiro em um momento tão singular. E jogar dentro de casa só torna tudo ainda mais especial.

— É uma sensação muito boa, foi a minha primeira convocação em uma competição, no nosso país. Eu faço muito mais por amor ao futebol e por meus pais, por tudo que eles fizeram por mim, eu queria retribuir isso para eles — resumiu.

Éder Militão Éder Militão estreou na Seleção Brasileira nos amistoso depois da Copa do Mundo
Créditos: Lucas Figueiredo/CBF

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