Raízes da Seleção: Fernandinho e a força para vencer as distâncias do futebol

Raízes da Seleção: Fernandinho e a força para vencer as distâncias do futebol

Meia da Seleção Brasileira passou por uma separação traumática dos pais durante a infância, e construiu a carreira distante do país

Fernandinho no Raízes da Seleção

Créditos: Lucas Figueiredo/CBF

Fernandinho vivia uma infância tranquila quando uma bomba caiu sobre seu colo. Com apenas nove anos, precisou interromper as brincadeiras de bola, o pega-pega, o esconde-esconde em Londrina, no interior do Paraná. Seus pais estavam se separando, e o jovem teve de se mudar para Ribeirão Preto, em São Paulo, para morar com sua mãe e sua avó. A distância para tudo que deixou no Paraná poderia ter feito ele desistir de um sonho antigo, mas o efeito foi justamente o contrário.

Obrigado a mudar totalmente a sua rotina, além de ter de se distanciar dos antigos amigos, Fernandinho assumiu ainda mais responsabilidades em Ribeirão Preto. Com a ausência do pai, precisou ajudar a mãe e a avó nas funções da casa, que ainda recebia primos, tios e outros parentes.

– Como era o mais velho, eu cuidava das minhas duas irmãs até minha mãe chegar em casa. Minha irmã do meio estudava de manhã, e eu ficava em casa com a mais nova. Quando ela chegava, eu preparava o almoço para nós. Quando eu saía para a escola, minha irmãs ficavam sozinhas por uma hora, até a mãe voltar. Fui tendo que amadurecer cedo, precocemente. Tive que criar uma responsabilidade, né? Acho que me ajudou a me formar como homem desde cedo – recordou.  

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O futebol só entrou de vez na vida de Fernandinho quando ele voltou para Londrina. Aos 13 anos, entrou para as categorias de base do PSTC, e não parou mais. No clube, chamou a atenção do Athletico Paranaense, que o levou para Curitiba. No Rubro-negro, Fernandinho fez parte do time campeão brasileiro em 2001.

Quatro anos depois, chegou uma proposta do Shakthar Donetsk, da Ucrânia. Seduzido pela oportunidade de jogar no futebol europeu, Fernandinho abraçou o desafio no leste do Velho Continente. Derrotou o frio, a saudade e a distância, e sua carreira alavancou. Atualmente, ele é bicampeão inglês pelo Manchester City, onde é ídolo e titular absoluto. Mas nada disso o afastou das raízes que criou no Brasil. Há 14 anos longe do país, ainda sente falta da bagunça e do calor humano característico daqui.

– No final das contas é assim. Você vai, faz sucesso, ganha dinheiro, tudo, mas sente falta daqueles momentos. Eu, mesmo tendo meu pai e mãe separados, fui criado em uma casa com muita gente, com meus tios. Quando eu morava em Londrina, a gente era acostumado a reunir toda a família no almoço de domingo, depois passava a tarde toda todo mundo junto. Lá fora, a gente se sente meio sozinho. Por mais que você tenha filhos, esposa, é diferente.

Na Copa América deste ano, Fernandinho terá uma chance e tanto para matar a saudade de casa. Diante da torcida brasileira, pode conquistar seu primeiro título com a Amarelinha. Mas o torneio continental tem um significado ainda mais especial para o paranaense. Pessoalmente, a competição pode servir como uma resposta a um momento ruim que ele viveu no ano passado.

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O meia foi alvo de muitas críticas após a eliminação da Copa do Mundo de 2018. Críticas que rapidamente se transformaram em ofensas, passando de qualquer limite humano. Nas redes sociais, Fernandinho foi atacado até mesmo com insultos racistas, que ainda atingiram sua família. Disposto a superar tudo isso, o conseguiu reencontrar sua paz à base de muito futebol e apoio dos familiares, dos amigos e dos colegas de trabalho.

– O importante é estar bem consigo mesmo e tentar fazer a diferença de alguma maneira, sabe? Eu acredito que nesse caso fiz a diferença sendo eu mesmo, continuando com a minha cabeça erguida e a consciência tranquila. A tristeza bate, porque nenhum ser humano gosta de passar por isso, mas é uma coisa que não pode deixar que a gente pare de viver. Esse período foi doloroso, difícil para todos nós, mas foi de muito aprendizado, estamos muito mais cascudos depois disso.

Justamente por isso, uma conquista pela Seleção Brasileira pode ser tão importante para Fernandinho. 

– Se a gente for ver a forma como as pessoas lidam com o futebol aqui no Brasil, quando alguma coisa acontece de forma negativa com a Seleção, elas tentam encontrar um responsável pela derrota. A gente sabe que a glória não dura para sempre e a frustração também não. Ela até pode chegar em um dia, mas no outro tem que bater em retirada – resumiu.

Retrato Fernandinho Fernandinho busca seu primeiro título com a Seleção Brasileira
Créditos: Lucas Figueiredo/CBF

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