50 anos do Tri: Além do talento, Parreira destaca que preparação física fez diferença para o título

50 anos do Tri: Além do talento, Parreira destaca que preparação física fez diferença para o título

Integrante de comissão técnica na Copa do Mundo de 1970, Carlos Alberto Parreira detalha preparação inédita de quatro meses para a competição no México, revela o lado "fominha" do Rei Pelé e não esconde a alegria por ter feito parte da histórica conquista do tricampeonato

Tricampeões 1970: Parreira, Tostão, Pelé e Tarso com a taça Jules Rimet Tricampeões 1970: Parreira, Tostão, Pelé e Tarso com a taça Jules Rimet
Créditos: Acervo C.A. Parreira

A série "50 anos do Tri" relembra, em crônicas e reportagens, a conquista da Copa do Mundo de 1970 pela Seleção Brasileira. Serão várias publicações ao longo do mês de junho, que marca o aniversário do terceiro título mundial do Brasil.

Você com certeza já ouviu falar que o grupo da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1970, no México, era composto por grandes da história do futebol mundial. Os representantes da Amarelinha tinham uma técnica apurada e uma verdadeira magia no toque de bola. Mas houve um fator que também os ajudou bastante na campanha invicta do tricampeonato mundial: a preparação física. Quem garante isso é um velho conhecido da Canarinho: Carlos Alberto Parreira.

Para comemorar os 50 anos do título histórico, a equipe de comunicação da CBF está ouvindo diversos personagens da campanha e bateu um papo especial com Parreira. Integrante da comissão técnica de Zagallo, como auxiliar de preparação física, o comandante do tetracampeonato de 1994 praticamente iniciou a trajetória na Seleção no Mundial do México. Sob a supervisão dos já experientes Admildo Chirol e Cláudio Coutinho, o então novato na Canarinho acompanhou um inédito e histórico período de preparação. Cinquenta anos depois, ele ainda recorda o acontecimento com riqueza de detalhes. 

– O pensamento era o seguinte: o Brasil tem os melhores jogadores. Então, agora temos de buscar um bom preparo físico para garantir o rendimento máximo deles ao longo dos jogos. Foram praticamente quatro meses de trabalho e o time sobrou quando fomos disputar a Copa. Foi uma preparação física revolucionária e inovadora. Não se fazia aquilo 50 anos atrás. Foi um trabalho individualizado, com testes de preparação, testes anaeróbicos... Tudo. A partir daí, cada jogador treinou com a sua carga personalizada. E isso foi fundamental.  O time crescia no muito no segundo tempo. Doze dos nossos 19 gols saíram depois dos 20 minutos do segundo tempo, que é quando a preparação física começa a prevalecer – declarou. 

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Com as vitórias sobre Tchecoslováquia na estreia, por 4 a 1, e Inglaterra na segunda rodada, por 1 a 0, o Brasil chegou ao último jogo da fase de grupos com a vaga no mata-mata garantida. A partir daí, circulou um boato de que Zagallo pouparia o time no terceiro jogo, diante da Romênia, e Pelé iria para o banco de reservas. Parreira conta que o Rei não gostou nada da história. 

– Já tínhamos garantido a vaga nas quartas de final antes do jogo com a Romênia e surgiu essa história de que o Pelé seria poupado. Estávamos no treino e percebemos o Pelé de cara fechada, bravo, o que não era nada comum. O Zagallo reuniu a comissão e fomos falar com ele. 'Eu poupado? Treinei quase cinco meses para jogar seis jogos, eu quero jogar logo 12!', disse o Pelé. E aí o Zagallo, que tinha sido companheiro dele em outras Copas como jogador, explicou que não tinha aquela intenção e o Pelé ficou tranquilo – revela. 

O grupo todo chegou ao México no auge da forma física, mas dois atletas chamavam a atenção nos treinos: o zagueiro Brito e o atacante Jairzinho. Carlos Alberto Parreira destaca este comprometimento dos jogadores, que prepararam-se dentro e fora do gramado para a conquista do tricampeonato mundial. 

– O Brito e o Jairzinho puxavam as filas dos treinamentos. O Jairzinho era um cavalo treinando. O Brito também. Dois atletas muito privilegiados fisicamente. Deram tudo de si e fizeram o que tinha de melhor em busca do objetivo. O Brasil não ganhou a Copa só pelos bons jogadores, mas também por uma preparação bem feita, planejada, com bons períodos de treinos e com partes específicas. A comissão era entrosada com os jogadores, fizermos um período de aclimatação no México por conta da altitude... Chegamos lá cerca de um mês antes da competição para nos adaptarmos e tudo isso surtiu efeito – acrescenta.

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Conquistar a Copa do Mundo de 1970 logo na primeira participação com o Brasil foi um bom presságio para Parreira, que ainda viria a ter êxito no Mundial em 1994, já como treinador, alcançaria a incrível marca de oito participações em Copas no fim da carreira. O treinador não esconde a alegria por ter iniciado a trajetória naquele grupo tão histórico para o futebol mundial.

– Sinto orgulho e um privilégio por ter participado e ter conhecido e interagido com esses jogadores maravilhosos, todos eles. A comissão também era incrível. Ter participado desse grupo de elite é sensacional. A história vai registrar para sempre e nunca vai sair da nossa memória. Comecei bem na Seleção, comecei certo e com o pé direito! – finalizou. 

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