50 anos do Tri: 'Pelé Peruano', Cubillas se rende à Seleção e fala com orgulho do confronto de 1970

50 anos do Tri: 'Pelé Peruano', Cubillas se rende à Seleção e fala com orgulho do confronto de 1970

Em entrevista ao site da CBF, ídolo do futebol peruano exaltou atuação da equipe diante do Brasil, revelou que ideia do técnico Didi era escapar dos compatriotas e falou sobre a relação com o Rei

Craques de Brasil e Peru dentro de campo, Pelé e Teófilo Cubillas tornaram-se grandes amigos fora dele Craques de Brasil e Peru dentro de campo, Pelé e Teófilo Cubillas tornaram-se grandes amigos fora dele
Créditos: Reprodução / Facebook Teófilo Cubillas

Edson Arantes do Nascimento é tão importante para o futebol que virou expressão para definir grandeza e representatividade de atletas para as seleções. É comum ouvir alguém dizer que o grande jogador de um país é o Pelé do local. Com Teófilo Cubillas, não foi diferente. Desde que começou a se destacar no esporte passou a ser chamado de Pelé Peruano. Na série que comemora os 50 anos do tricampeonato mundial do Brasil no México, a equipe do site da CBF realizou uma entrevista com o craque da "Blanquirroja" para falar sobre o histórico confronto entre brasileiros e peruanos, válido pelas Quartas de Final da Copa do Mundo de 1970. 

Solícito e muito feliz por falar para o povo do Brasil, Cubillas guarda este confronto de cinco décadas atrás com carinho e muitos detalhes na memória. Antes das equipes entrarem em campo no Estádio Jalisco para disputa da vaga na semifinal, a imprensa dizia que a partida gerava muita expectativa por promover um encontro entre grandes jogadores. O ídolo peruano lembra deste fato e mostra orgulho pela atuação dele e de seus companheiros. Na visão do camisa 10, que marcou um gol na partida, o time "vendeu caro" a derrota por 4 a 2 para a Seleção Brasileira. 

– A quantidade de jogadores de qualidade que havia neste jogo, no time do Brasil e no do Peru, justificou esta repercussão prévia dos jornais e demais veículos de imprensa. E quando a partida começou, os jogadores corresponderam ao que destacava a mídia. Tanto que foram seis gols marcados. O Brasil chegou ali não por sorte, mas por justiça. Eram quatro camisas 10 em um time. Tudo bem que a defesa brasileira não era tão forte quanto os outros setores, mas a parte ofensiva, caramba! Se você fizesse quatro gols, eles iam lá e faziam oito. Era, realmente, uma equipe vencedora, com muita presença. Tinha Jairzinho, que marcou em todos os jogos, Tostão, Clodoaldo... Além do maior de todos: Pelé. Mas nós também tivemos chances. Vejo que o jogo foi, como se diz no futebol, lá e cá. E ainda conseguimos fazer dois gols. Só nós e a Romênia fizemos dois gols no Brasil – declarou "El Nene".Cubillas marcou cinco gols na Copa de 1970 e foi eleito o melhor jogador jovem da competição pela FIFA Cubillas marcou cinco gols na Copa de 1970 e foi eleito o melhor jogador jovem da competição pela FIFA
Créditos: FIFA.com

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Na Copa do Mundo de 1970, Cubillas foi eleito pela FIFA o melhor jogador jovem da competição. Ele marcou cinco gols e ficou com a chuteira de bronze do Mundial. Se hoje o camisa 10 pode olhar para trás e orgulhar-se dos resultados obtidos no México foi porque, além de sua grande dedicação e talento, contou com a ajuda de Waldir Pereira, o grande craque brasileiro Didi. O inventor do chute conhecido como "folha seca" foi o treinador da seleção peruana de 1970 e responsável por iniciar um momento histórico do futebol no país.

Nas Eliminatórias, "el equipo de Waldir", como chamava a imprensa local, tirou a vaga da Argentina no Mundial do México ao conquistar a primeira classificação para uma Copa em toda sua história. Até então, o Peru havia disputado apenas a edição de 1930, na condição de convidado. Cubillas demonstra gratidão ao mestre e revela que o "Príncipe Etíope de Rancho", bicampeão mundial jogando com a Amarelinha em 1958 e 1962, desejava fugir de seus compatriotas. 

– Waldir foi como um segundo pai para mim. Desde que chegou e fez a lista da equipe peruana para o Mundial, sempre ouvi muito os seus conselhos, que me ajudaram bastante. Era uma pessoa com uma grande experiência. Quando conseguimos a vaga na Copa foi por mérito de todos, mas também por termos uma boa estratégia traçada por um grande treinador. Para esse jogo das Quartas de Final ele sabia que o Peru também jogava de forma ofensiva, parecido com o Brasil. Mas era difícil marcar os quatro camisas 10. A nossa ideia era enfrentar outra equipe. Queríamos ganhar da Alemanha na última rodada da Fase de Grupos para que o cruzamento fosse outro. Mas perdemos por 3 a 1 e nos restou o Brasil – contou o ídolo peruano. 

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Cubillas considera Didi, grande craque brasileiro e um dos maiores treinadores da história do Peru, como um segundo pai Cubillas considera Didi, grande craque brasileiro e um dos maiores treinadores da história do Peru, como um segundo pai
Créditos: Reprodução / Site Conmebol
Outra prova de que Cubillas é o Pelé Peruano foi a forma como a imprensa tratou o confronto. Comentaristas de jornais e emissoras de rádio e TV diziam que o jogo marcava também o duelo individual entre os dois camisas 10. Depois da eliminação na Copa do Mundo, já em casa, o craque do Peru viu uma fala do Rei o exaltando e ficou muito orgulhoso. 

– Sempre fui um fã de Edson Arantes do Nascimento, gosto muito dele. Participar de uma partida com o Pelé, caramba... Já era uma grande honra! Eu havia disputado alguns amistosos com participação dele, jogos entre Alianza Lima e Santos, mas encontrar com o Pelé na Copa do Mundo me fez sentir uma alegria gigante. Sempre destaquei a minha admiração e o meu respeito por ele. E quando cheguei ao Peru, voltando do México, fui ler os registros dos jornais e vi que o Pelé falou que eu poderia ser um de seus sucessores. Isso foi um grande elogio e é muito importante para mim – acrescentou.Cubillas comemora a vaga diante da Argentina na Eliminatória para Copa de 1970. Foi a 1ª vez na história que o Peru conquistou a classificação Cubillas comemora a vaga diante da Argentina na Eliminatória para Copa de 1970. Foi a 1ª vez na história que o Peru conquistou a classificação
Créditos: Reprodução / Site Federação Peruana de Futebol

Dos cinco mundiais que sua seleção disputou, Teófilo Cubillas participou de três edições (1970, 1978 e 1982). Teve grande papel no título da Copa América de 1975, maior conquista do país ao lado da glória no mesmo torneio em 1939. Quando o craque chegou ao México para disputar a primeira Copa do Mundo da carreira, aos 21 anos, Pelé já havia jogado três, vencido duas e, perto de completar 30 anos, almejava a terceira taça Jules Rimet para o Brasil. Para buscar seus sonhos, Cubillas tinha duas inspirações: Víctor "Pitín" Zegarra, histórico jogador do Alianza Lima, e Edson Arantes do Nascimento, de quem se tornou fã após vê-lo jogar pela primeira vez ao vivo. 

– Pelé sempre foi uma grande referência. No Peru era fã de Víctor "Pitín", que jogava no meu time. Mas quando fui ao estádio para ver um duelo entre Alianza e Santos fiquei maravilhado com o que o Pelé fazia com a bola. Era um espetáculo. Tinha visto registros de antes, na Copa do Mundo de 1958, em vídeos que mostravam sua qualidade, sua habilidade para escapar dos marcadores, e tudo o que alcançou. Pelé é um grande vencedor e sempre foi um exemplo para todos. Tenho um carinho especial por ele, pois sempre me tratou muito bem, de uma forma generosa. Nós nos encontramos em quase todas as Copas depois que parei jogar e, quando fui como jornalista, sempre fez gestos lindos ao atender meus pedidos de entrevistas. Gostaria de deixar registrado aqui meu reconhecimento a tudo o que ele fez e o meu grande apreço por sua pessoa – finalizou.

Teófilo 'El Nene' Cubillas é considerado o maior jogador da história do futebol peruano Teófilo 'El Nene' Cubillas é considerado o maior jogador da história do futebol peruano
Créditos: FIFA.com
Enquanto Cubillas exalta a figura de Pelé, os fãs de futebol demonstram gratidão por este lindo capítulo do esporte entre os craques de Brasil e Peru. O duelo das Quartas de Final da Copa do Mundo de 1970 está entre aqueles jogos eternizados, que quem viveu não esquece e quem não teve a oportunidade de ver não cansa de ouvir suas histórias. 

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