50 anos do Tri: Tostão brilha e Brasil supera o Peru na quartas

50 anos do Tri: Tostão brilha e Brasil supera o Peru na quartas

Com show do meio-campista mineiro, Seleção Brasileira vence em jogo de placar movimentado. Adversário na semifinal será o Uruguai, que derrotou a União Soviética

Tostão comemora seu primeiro gol marcado contra o Peru na Copa do Mundo de 1970 Tostão comemora seu primeiro gol marcado contra o Peru na Copa do Mundo de 1970
Créditos: Acervo CBF

A série "50 anos do Tri" relembra, em crônicas e reportagens, a conquista da Copa do Mundo de 1970 pela Seleção Brasileira. Serão várias publicações ao longo do mês de junho, que marca o aniversário do terceiro título mundial do Brasil.

Debaixo de sol a pino, um choque sul-americano no Jalisco, em Guadalajara. Em jogo, a definição de uma vaga nas semifinais da Copa do Mundo de 1970. Há 50 anos, o Brasil derrotava o Peru por 4 a 2, pelas quartas de final do Mundial. Os gols brasileiros foram marcados por Rivellino, Tostão (2) e Jairzinho. Os peruanos descontaram com Gallardo e Cubillas. Com o resultado, o Brasil assegurou a passagem para a próxima fase, onde teria pela frente o Uruguai, que eliminou a União Soviética na prorrogação.

A partida marcou o retorno de Gérson e Rivellino ao time titular da Seleção Brasileira. Os dois não entraram em campo contra a Romênia por lesão e suas ausências foram muito sentidas. Outro jogador que estava com o departamento médico, Everaldo teve de ver a partida do banco. Marco Antônio foi titular em seu lugar.

E MAIS
50 anos do Tri: Reencontro com Didi marcou Brasil x Peru em 1970

Os dois craques que estavam de volta se fizeram presentes rapidamente na partida. Com apenas quatro minutos de jogo, Gérson recebeu no círculo central e decidiu testar a Canhotinha de Ouro. Lançou Pelé em velocidade. O passe de mais de 30 metros encontrou o Rei, que dominou no peito, venceu o zagueiro e bateu de chapa. O goleiro Rubiños se esticou todo e tocou com a ponta dos dedos para defender. A bola ainda bateu na trave antes de cruzar a frente do gol peruano e encontrar Tostão, que não conseguiu acertar a meta.

Depois de Gérson, foi a vez da Patada Atômica dar seu cartão de visita. E em grande estilo. Aos 11 minutos, Pelé fez jogada pela direita e cruzou para a área. O lateral Campos tentou dominar, mas a bola escapou e sobrou para Tostão. Inteligente, o mineiro rolou para Rivellino, que bateu cruzado, firme, sem chances para o arqueiro peruano: 1 a 0.

Atrás no placar, o Peru tentou buscar o resultado da forma que melhor podia: jogando um futebol ofensivo, ao estilo do técnico Didi. No lance seguinte, os peruanos entraram tabelando pela intermediária brasileira. O passe de León encontrou Cubillas entrando sozinho na área e o camisa 10 da "Blanquirroja" ficou cara a cara com o gol. Com um tapa de lado externo do pé, ele até tentou tirar do goleiro brasileiro, mas foi parado por Félix.

VEJA TAMBÉM
50 anos do Tri: Pelé x Cubillas, o duelo entre dois reis sul-americanos

A chance perdida por Cubillas custou caro ao time peruano. Com 15 minutos de jogo, o Brasil voltou a pressionar o Peru. Tostão cobrou curto um escanteio pela esquerda. Rivellino recebeu a bola e devolveu para o camisa 9, que entrou pela lateral da grande área. Quase sem ângulo, Tostão bateu em direção ao gol de Rubiños, que não protegeu bem seu canto e acabou batido.

Rapidamente, o Brasil construía um placar bem favorável nas quartas de final da Copa do Mundo. A Seleção comandada por Zagallo se aproveitou da ofensividade do Peru e aproveitou os espaços deixados no sistema defensivo. Mas, assim como aconteceu na partida contra a Romênia, o Brasil parece ter ficado confortável demais com a vantagem.

O calor também pode ter pesado na queda de desempenho dos jogadores brasileiros. Fato é que o Peru começou a gostar da partida e não demorou para transformar as oportunidades em gol. Aos 28 minutos, Gallardo repetiu o golpe de Tostão. Recebeu pela canhota do ataque, com a marcação de Carlos Alberto. Levou a bola em direção à linha de fundo e bateu em gol, enganando Félix: 2 a 1.

O Brasil até tentou ampliar a vantagem antes do intervalo, mas não teve sorte. Em jogada magnífica, Tostão enfileirou a defesa peruana e entrou na área em velocidade. Com um toque de bico, tentou tirar de Rubiños, que fez boa intervenção. O goleiro não foi tão bem assim quando Pelé recebeu na entrada da área e bateu para o gol. O chute saiu forte, mas não muito colocado. Só que o arqueiro complicou seu trabalho, deixou a bola escapar das mãos e foi salvo pela trave direita.

E AINDA
50 anos do Tri: Brasil x Peru foi marcado por retornos de Gérson e Rivellino

Os espaços seguiram aparecendo para a Seleção Brasileira na volta do intervalo. Após boa jogada pela esquerda, Rivellino cruzou na área e o goleiro Rubiños, em uma jornada conturbada naquela tarde, espalmou mal. Jairzinho pegou o rebote mas finalizou para fora. Momentos depois, aos sete minutos, foi a vez do Furacão da Copa atuar como garçom. Jairzinho deu um passe milimétrico para Pelé, que entrou na área e bateu cruzado. A bola ainda desviou na marcação antes de encontrar Tostão sozinho debaixo do gol. O mineiro não desperdiçou a chance e deixou o Brasil novamente com dois gols de vantagem.

Mas os peruanos se recusavam a desistir da partida. Aos 25 minutos da segunda etapa, Sotil entrou tabelando pelo meio da defesa brasileira, que cortou mal. A bola sobrou no alto para Cubillas, que pegou de primeira para superar Félix. Com o 3 a 2 no placar, o Peru estava de volta na partida, totalmente aberta para as duas equipes. E a Blanquirroja ficou muito próxima do empate minutos depois, quando o próprio Cubillas recebeu na entrada da área, cortou para a esquerda e soltou uma bomba, que passou tirando tinta do gol brasileiro.

Mais uma vez, a oportunidade desperdiçada sairia com um preço muito alto para os peruanos. Como costuma dizer o próprio camisa 10, "se você fizesse quatro gols na Seleção de 70, eles farão oito". Foi justamente assim que o Brasil respondeu ao tento marcado pelo 10 peruano. Aos 30 minutos do segundo tempo, Jairzinho e Rivellino fizeram uma jogada combinada entre eles.

Riva recebeu pelo meio e, observando a corrida do Furacão, fez um lançamento por cima da zaga peruana. Jairzinho ficou livre para driblar Rubiños, tirar do zagueiro e praticamente entrar com bola e tudo no gol, definindo a partida. Após o apito final, brasileiros e peruanos se cumprimentaram dentro de campo, cientes do grande espetáculo que ofereceram a todos os presentes. 

Jairzinho Jairzinho dribla Rubiños e completa para o gol: Brasil 4 a 2.
Créditos: Arquivo Nacional

LEIA
50 anos do Tri: 'Pelé Peruano', Cubillas se rende à Seleção e fala com orgulho do confronto de 1970

BRASIL  4 x 2 PERU - COPA DO MUNDO DE 1970

Brasil: Félix; Carlos Alberto Torres, Brito, Piazza e Marco Antônio; Clodoaldo e Gérson (Paulo Cézar, 67); Rivellino, Jairzinho (Roberto Miranda, 80), Tostão e Pelé. Técnico: Zagallo.

Peru: Rubiños; Campos, Fernández, Chumpitaz e Fuentes; Mifflin, Challe e Cubillas; Báylon (Sotil, 54), León (Reyes, 61) e Gallardo. Técnico: Didi.

Gols: Rivellino (11), Tostão (15, 52), Gallardo (28), Cubillas (70) e Jairzinho (75)

Você sabia?


- O gol marcado por Cubillas foi seu quinto na Copa do Mundo. O meia peruano seria eleito pela FIFA como o melhor jogador jovem do torneio.

- Técnico do Peru, Didi foi bicampeão do mundo com a Seleção Brasileira ao lado de Pelé e Zagallo, seus adversários naquela tarde.

- Os dois gols marcados por Tostão foram os seus únicos na Copa do Mundo de 1970.

Há 50 anos...


Após o triunfo "sofrido" contra a Romênia, a imprensa esportiva no Brasil esperava uma atuação mais encantadora da Seleção. Mas o debate pré-jogo foi tomado por dois temas principais. O primeiro era o esperado retorno de Gérson e Rivellino ao time titular da Seleção. Com uma lesão muscular, Gérson havia ficado de fora dos duelos contra os romenos e contra a Inglaterra. Já Riva enfrentou os ingleses, mas foi poupado do jogo seguinte com uma torção.

A volta dos dois foi muito comemorada pelas publicações da época. No dia anterior à partida, o Jornal O Globo flagrou Rivellino e Gérson treinando normalmente, com largos sorrisos.

Jornal O Globo fala sobre bom ambiente na concentração brasileira na véspera do jogo contra o Peru na Copa do Mundo de 1970 O Globo destaca ambiente positivo da Seleção
Créditos: Acervo O Globo

Outro tema muito debatido antes da partida foi o confronto entre a Seleção Brasileira e Didi, técnico do Peru. Bicampeão do mundo com o Brasil em 1958 e 1962, Waldir Pereira, como era chamado pelos peruanos, teria que enfrentar não só o seu país, como o seu futebol também. Na sua edição antes da partida, a Folha de São Paulo trouxe uma página inteira dedicada ao embate entre Didi e Zagallo.

O responsável por dar o ponto de vista do Príncipe Etíope foi o jornalista Batista Lemos, que comparou a frieza que Didi apresentava dentro de campo com as características de seu trabalho à frente da seleção peruana.

"Áspero em suas decisões, honesto acima de tudo, o tido como frio Didi, hoje, quando muito, dirá que sua situação é incômoda. Não pelo fato de ter de jogar contra o Brasil, mas por ter de enfrentar o seu futebol. Futebol de gênios que ele tão bem conhece, capaz de superar táticas, abrir ferrolhos, liquidar pretensões através de um lance, apenas um, mas o necessário para conseguir um resultado definitivo", destacou.

Depois da partida, o clima era de euforia. Mas as análises mais críticas mantinham as mesmas preocupações que seguiram o Brasil durante praticamente todo o Mundial. A Seleção tinha uma tendência a "relaxar" após abrir boas vantagens dentro dos jogos. Foi assim contra a Romênia e contra o Peru. Além disso, a defesa brasileira, pelo segundo jogo consecutivo, foi vazada duas vezes, aumentando a sensação de vulnerabilidade entre os torcedores.

Mas no geral, a avaliação foi de uma partida antológica disputada entre as duas seleções. Mais do que uma análise sobre os erros do Brasil no jogo, que não foram muitos, a crônica esportiva destacou a partida aberta e ofensiva que as duas equipes fizeram. Na Folha de São Paulo, Victor Rego comparou o jogo a um "solo de violinos", justamente pelo modo como foi jogado. "O Brasil jogou como devia. O Peru jogou como podia. O resultado foi um espetáculo de alto nível", descreveu.

O destaque individual ficou por conta da grande atuação de Tostão, que fez dois gols e deu passe para o primeiro. O meio-campista ainda não havia marcado na Copa do Mundo, mas vinha crescendo de produção gradativamente durante a competição. Foi exatamente assim que a Folha avaliou a atuação do mineiro: ""Vinha subindo devagar e sempre. Ontem, desencabulou de vez."

Por fim, os jornais se mostraram animados com a possibilidade de, 20 anos depois do Maracanazzo, reencontrar o Uruguai em uma Copa do Mundo. Além da Celeste, Alemanha e Itália também se classificaram para as semis. Isso significava que, a não ser que a Alemanha ganhasse a Copa, a taça Jules Rimet conheceria seu paradeiro definitivo naquele ano.

Jornal O Globo projeta jogo difícil na semifinal da Copa do Mundo de 1970 contra o Uruguai Jornal O Globo projeta jogo difícil na semifinal da Copa do Mundo de 1970 contra o Uruguai
Créditos: Acervo O Globo

PATROCINADORES

Seleção Brasileira nike guarana antarctica vivo itau mastercard voe gol bitci free fire kwai grupo cimed fiat pague menos semp tcl cafe 3 corações techno gym stats ports kin analytics globus brasil