50 anos do Tri: Minha Copa de 70 tem o rosto do Capitão Carlos Alberto

50 anos do Tri: Minha Copa de 70 tem o rosto do Capitão Carlos Alberto

No 50º aniversário do título mundial no México, Presidente da CBF escreve artigo sobre as memórias que guarda dos campeões de 1970

Presidente Rogério Caboclo participa de homenagem aos tricampeões de 1970 no Museu Seleção Brasileira Presidente Rogério Caboclo participa de homenagem aos tricampeões de 1970 no Museu Seleção Brasileira
Créditos: Lucas Figueiredo/CBF

Nasci em 1972, mas tenho memórias do Tricampeonato da Seleção Brasileira em 1970. Pode parecer uma contradição, mas todo brasileiro que gosta de futebol vai entender. Nós, que não tivemos a felicidade de assistir aquele timaço ao vivo, fomos construindo nossas lembranças e laços afetivos com ele aos poucos, ao longo da vida.

No meu caso, elas começaram em casa, nas conversas com meu pai, um apaixonado pelo esporte e pela Seleção. E foram se consolidando ao longo da vida, com a rara oportunidade de conhecer e conviver de perto com alguns dos heróis do Tri.

Essa convivência ensinou-me a apreciar a dimensão humana desses ídolos. Qualidades pessoais que são indissociáveis do seu gênio como jogadores e que foram fundamentais para transformar um grupo de craques num time coeso e vencedor. Desafiando a sabedoria tática convencional, o mestre Zagallo abriu espaço para um time cheio de “Camisas 10”. Zagallo, uma das pessoas mais inteligentes que conheci, contou com atletas excepcionais. Como o Rei Pelé, símbolo maior do nosso futebol de técnica, luta e capacidade de decidir.

Quando penso no time de 70, a primeira pessoa que me vem à lembrança é Carlos Alberto Torres, o eterno Capitão. E não apenas pela imagem icônica dele levantando a Jules Rimet. A vida me deu a oportunidade de ser amigo de Carlos Alberto e ouvir dele preciosas lições sobre o futebol e sobre a vida. O Capita representa de forma exemplar a combinação de genialidade e simplicidade que marcou a conquista no México.

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Num time com Pelé, Gerson, Tostão, Rivellino e Jairzinho, talvez seja o nosso lateral-direito quem tenha marcado o gol mais bonito da Copa. Um gol no qual quase todo o time teve participação, trocando passes precisos, até a assistência de Pelé e o chutaço de Carlos Alberto. Não poderia haver fecho melhor para um dos maiores jogos da história do futebol.

Capita faz imensa falta. Mas tenho o prazer de contar com a amizade de sua família, a quem não canso de reafirmar a saudade que tenho da convivência e da generosidade com que ele compartilhava as lições que o futebol lhe proporcionou.

A Seleção de 70 é inesquecível. Naquele 21 de junho, protagonizou ao mundo um show que jamais sairá de nossa memória. E é também uma inspiração para que busquemos sempre mais. O Tetra Campeonato de 1994 e o Penta de 2002 são herdeiros daquele protagonismo, daquela vontade de vencer, de estar sempre à frente em nível mundial. E são essas memórias que nos impulsionam na busca de novos títulos. Para que outros craques possam repetir o gesto de Carlos Alberto e erguer o Brasil ao lugar mais alto do futebol mundial.

Obrigado Carlos Alberto. Obrigado, heróis de 1970.

Rogério Caboclo

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