50 anos do Tri: Lembranças de 1950 dominaram jornais antes e depois de Brasil x Uruguai

50 anos do Tri: Lembranças de 1950 dominaram jornais antes e depois de Brasil x Uruguai

Antes e depois do confronto pela semifinal da Copa do Mundo de 1970, duelo que aconteceu 20 anos antes foi lembrado pelas publicações brasileiras

Jornal O Globo destaca vitória do Brasil contra o Uruguai pela semifinal da Copa do Mundo de 1970 Jornal O Globo destaca vitória do Brasil contra o Uruguai pela semifinal da Copa do Mundo de 1970
Créditos: Acervo O Globo

A série "50 anos do Tri" relembra, em crônicas e reportagens, a conquista da Copa do Mundo de 1970 pela Seleção Brasileira. Serão várias publicações ao longo do mês de junho, que marca o aniversário do terceiro título mundial do Brasil.

No momento em que foi definida a semifinal entre Brasil e Uruguai na Copa do Mundo de 1970, já começou o debate entre os torcedores brasileiros. Seria a primeira vez que a Seleção enfrentaria os uruguaios em um Mundial desde a derrota na final de 1950, no Maracanã.

Na manhã do dia 17 de junho de 1970, os jornais foram às bancas com uma mistura de ufanismo e apreensão pelo reencontro. A sensação de injustiça pelo resultado na final ainda era muito grande e a imprensa tratou esse duelo como uma chance de troco do Brasil.

Na capa da Folha, a mensagem era bem clara. "No Jalisco, a mesma batalha de há 20 anos". No Globo, a mensagem era menos provocativa, mas também lembrava o fatídico jogo: "Brasil não teme fantasma de 50". Era como se essa partida fosse uma espécie de segundo tempo da final.

Na véspera do jogo, o técnico Mario Zagallo não falou com os jornalistas. Presente no Maracanã em 1950, trabalhando pela Polícia do Exército, o treinador certamente era um dos que mais tinha aquela final na cabeça. Em seu lugar, foi o médico Lídio Toledo, que assegurou a disponibilidade de Everaldo para o jogo. O lateral ficara de fora do duelo contra o Peru.

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O doutor aproveitou para confirmar a escalação titular do Brasil: Félix; Carlos Alberto, Brito, Piazza e Everaldo; Clodoaldo e Gérson; Jairzinho, Pelé, Rivellino e Tostão. Enquanto isso, era vez dos uruguaios falarem com a imprensa. O auxiliar técnico da equipe era Juan López, que ficara conhecido como Juancito Maracanã, por fazer parte da equipe que conquistou o Mundial em 1950.

Mas foi a entrevista seguinte que ganhou as manchetes no Brasil. Uma frase do técnico Juan Hohberg não caiu nada bem para os brasileiros. O treinador colocava o Uruguai como garantido na final, à espera de Itália ou Alemanha.

- Itália e Alemanha que resolvem entre eles quem sobrará para enfrentar domingo o Uruguai, pois nós iremos à final - disse.

A resposta caiu como uma bomba para os brasileiros. O Jornal O Globo dedicou uma página inteira para falar do adversário da Seleção e deu destaque justamente a essa declaração. "Uruguaios já pensam na final domingo" e "Hohberg acha certo derrotar o Brasil". 

Enfim veio a partida e o Brasil venceu por 3 a 1, com gols de Clodoaldo, Jairzinho e Rivellino. Os uruguaios até fizeram um páreo duro, contando com um jogo muito físico e até certo ponto agressivo. Mas não conseguiram superar a técnica e a qualidade da Seleção. Foi justamente assim que O Globo tratou de analisar a vitória da Seleção sobre os uruguaios: "Seleção venceu na técnica, na fibra e no vigor".

Jornal O Globo fala sobre vitória do Brasil no jogo contra o Uruguai pela Copa do Mundo de 1970 Brasil: superior ao Uruguai em tudo, como descreveu O Globo
Créditos: Acervo O Globo

Foi justamente essa a visão que ficou sobre a partida. O Uruguai tentou jogar a partida na lama, furar a bola e parar o Brasil com faltas e acirrando os nervos. Mas a Seleção soube driblar esses obstáculos, como indicou o Correio da Manhã: "No gênio de Tostão, a vitória do Brasil sobre o antifutebol".

Uma declaração que sintetiza bem como se desenvolveu a superioridade do Brasil na partida foi a de Gérson ao Jornal O Globo após o jogo:

- Era natural, ainda mais que os uruguaios marcam homem a homem desde o meio de campo. Não havia brecha para que eu saísse da defesa para o ataque ou que buscasse os lançamentos, embora todos lá na frente se esmerasse nos deslocamentos, procurando abrir os claros. Graças a Deus eles bobearam na entrada do Clodô e saiu o empate. Daí em diante vimos que o bicho não era tão feio como parecia - disse ao jornal.

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Na edição pós vitória d'O Globo, ainda restaram páginas para tirar uma casquinha do técnico do Uruguai. Após a derrota, Hohberg reclamou da decisão da FIFA pela partida no Jalisco, em Guadalajara, e se mostrou irritado ao responder perguntas sobre a sequência da Copa. 

Quando lhe foi pedido um prognóstico da final entre Brasil e Itália, respondeu rispidamente:

- Não sou adivinho, mas garanto que esse quadro brasileiro não é em nada superior ao uruguaio - afirmou.

Na manchete da matéria, O Globo lembrou da declaração de Hohberg no dia anterior, quando garantiu que o Uruguai estaria na final: "Hohberg irônico e arrogante chora a derrota".

Jornal O Globo exalta atuação de Jairzinho contra o Uruguai na Copa de 1970 Jornal O Globo exalta atuação de Jairzinho contra o Uruguai na Copa de 1970
Créditos: Acervo O Globo

 

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