50 anos do Tri: Jornais enaltecem jogo bonito do Brasil campeão da Copa do Mundo de 70

50 anos do Tri: Jornais enaltecem jogo bonito do Brasil campeão da Copa do Mundo de 70

Após título mundial, Seleção Brasileira recuperou o prestígio e a fama de melhor futebol do planeta

Jornal O Globo destaca vitória do Brasil na final da Copa do Mundo de 1970 Jornal O Globo destaca vitória do Brasil na final da Copa do Mundo de 1970
Créditos: Acervo O Globo

A série "50 anos do Tri" relembra, em crônicas e reportagens, a conquista da Copa do Mundo de 1970 pela Seleção Brasileira. Serão várias publicações ao longo do mês de junho, que marca o aniversário do terceiro título mundial do Brasil.

No dia 21 de junho de 1970, as ruas do Brasil foram tomadas por uma celebração sem fim, um Carnaval fora de hora. Foi esse o clima que tomou conta também dos jornais no dia seguinte à conquista do tricampeonato da Copa do Mundo FIFA pela Seleção Brasileira.

Antes do confronto contra a Itália, o clima era de otimismo na torcida brasileira. Os italianos não eram considerados os adversários mais fortes do duelo contra a Alemanha e a Seleção mostrara, contra o Uruguai, que estava pronta tanto na bola como na raça. Era chegada a hora da consagração final.

Estariam lado a lado dois bicampeões do mundo e, com a promessa da posse definitiva da Jules Rimet para o primeiro tricampeão, a taça virou o centro das atenções. Na Folha de São Paulo, a manchete foi: "O último esforço pela Jules Rimet".

O Globo também destacou "A batalha dos bicampeões", como chamou o duelo, mas deu atenção à entrevista do goleiro Félix na véspera da partida. O arqueiro tentou tirar a aura de desconfiança que existia em volta do sistema defensivo brasileiro, quando afirmou categoricamente: "Vamos mostrar mais uma vez que a defesa é boa".

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Uma matéria com chamada na capa d'O Globo ajuda a ter ideia do tamanho do ufanismo com o qual a imprensa brasileira encarava a partida. Antes do jogo, o técnico Ferruccio Valcareggi foi perguntado sobre as chances da Itália na decisão. Como não poderia ser diferente, o treinador disse acreditar que a Azzurra teria tanta oportunidade de ser campeã quanto o Brasil. E logo foi taxado como "otimista" pelo jornal carioca. "Itália otimista acha que chance é igual: 'Será uma partida muito difícil, disse, mas temos as mesmas possibilidades de vitória' ".

As páginas da edição do dia 21 de junho falavam bastante também sobre as possibilidades de comemoração em caso de título. O Globo até fez uma reportagem com cardiologistas para alertar para o perigo de um jogo emocionante e deu o clima da torcida: "Carioca embora inquieto já prepara carnaval da vitória". A Folha foi pelo mesmo caminho: "O Brasil inteiro será uma única festa, se ganhar hoje".

Na edição do dia seguinte, após o título, as páginas dos jornais brasileiros exaltaram a conquista e a forma como a Seleção se apresentou. Em geral, o Brasil se reafirmou como o dono do melhor futebol do mundo, com um triunfo incontestável, assim como todo o desempenho na Copa do Mundo.

Em letras garrafais, O Globo anunciou: CARNAVAL EM JUNHO. Era esse o espírito das ruas brasileiras. No interior do jornal, havia espaço para uma análise mais futebolística do confronto, mas igualmente eufórica: "Vitória maravilhosa do maior futebol do mundo: Brasil 4 x 1".

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A Folha de São Paulo abriu uma página inteira com uma grande foto de Carlos Alberto Torres erguendo a Jules Rimet e a manchete "Eles voltam com a taça". O texto dava foco à posse definitiva do troféu, que o Brasil conquistara com o tricampeonato. "Pela terceira vez, a taça Jules Rimet vem para o Brasil; desta vez, definitivamente". 

A comemoração pelo título mundial também recebeu destaque da Folha, que usou as ruas do Rio de Janeiro como exemplo: "No Rio, uma loucura". O Globo seguiu neste tom: "Todo o Rio foi para a rua cantar e dançar".

Além dos elogios à atuação da Seleção, houve uma grande exaltação a Pelé, obviamente. O Rei do Futebol conquistara seu terceiro título mundial, com gol e uma exibição de gala no México. Não faltaram elogios a ele, que dedicou a taça aos brasileiros.

- Essa taça pertence ao povo brasileiro e é nome dele que nós a recebemos - disse ao Jornal dos Sports.

Jornal O Globo cita jogadas genias de Pelé após final da Copa do Mundo de 1970 Jornal O Globo cita jogadas genias de Pelé após final da Copa do Mundo de 1970
Créditos: Acervo O Globo

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O Globo fez uma matéria sobre os gols que Pelé não fez. Intitulada de "Jogadas geniais do Rei Pelé no Mundial-70", trazia depoimentos e recortes que lembravam, jogo a jogo, as oportunidades que ele teve de demonstrar sua visão única de jogo.

A Folha de São Paulo também fez sua homenagem ao Rei. Enquanto trouxe descrições detalhadas sobre a trajetória de vida e o desempenho na Copa de cada um dos jogadores da Seleção, Américo Mendes fez uma graça na hora de falar de Pelé. Em vez do texto corrido, tentando explicar o que o Rei acabara de fazer, recorreu a uma descrição estilo "ficha técnica".

"Edson Arantes do Nascimento
Pelé - o Rei
Mineiro, de Três Corações
Data do nascimento: 23 de outubro de 1940
Estado civil: casado, uma filhinha de três anos e seu lar esperava nova visita da cegonha
Começou no infantil do BAC (Bauru Atlético Clube)
O Santos FC foi único clube pelo qual atuou até agora
Tem o nome na Enciclopédia Britânica
OBSERVAÇÕES: o maior jogador do mundo"

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