50 anos do Tri: Zico, Careca, Casagrande... Ídolos destacam influência da Seleção de 70

50 anos do Tri: Zico, Careca, Casagrande... Ídolos destacam influência da Seleção de 70

Grandes nomes da Seleção Brasileira, Zico, Casagrande, Tita e Careca eram crianças em 1970. Agora, eles falam sobre as memórias daquele Mundial 50 anos depois

Zico e Júnior com a camisa da Seleção Brasileira: dois ídolos dos anos 80 Zico e Júnior com a camisa da Seleção Brasileira: dois ídolos dos anos 80
Créditos: FIFA

A série "50 anos do Tri" relembra, em crônicas e reportagens, a conquista da Copa do Mundo de 1970 pela Seleção Brasileira. Serão várias publicações ao longo do mês de junho, que marca o aniversário do terceiro título mundial do Brasil.

A geração que conquistou a Copa do Mundo de 1970 foi inspiração para muitos jovens. Graças ao futebol bem jogado, a grande qualidade dos jogadores e a campanha inesquecível que trouxe o tricampeonato para o Brasil, os vencedores viraram ídolos e marcaram época na história da Seleção Brasileira. Esta afirmação também é compartilhada por jogadores que vieram na geração seguinte e também fizeram história com a camisa verde e amarela. Para Zico, Walter Casagrande, Tita e Careca, ídolos de suas próprias gerações, aquele Mundial ficará sempre na memória.

Ao site da CBF, os ex-jogadores falaram sobre as lembranças daquele título, a influência dos ídolos para eles e outras curiosidades de quando ainda eram apenas expectadores. A seguir, o depoimento dos jovens de 1970 e suas impressões do time que conquistou o mundo.

Bloco em Quintino e memórias: Zico lembra Copa de 1970


A Copa do Mundo de 1970 ainda é viva na memória de Zico. Nascido em 3 de março de 1953, ele tinha 17 anos quando viu o Brasil levantar a taça Jules Rimet no México. Naquela época, o ex-jogador e ídolo do Flamengo havia entrado poucos anos antes na escola de futebol do clube, começando uma carreira que seria muito vitoriosa. Em Quintino Bocaiúva, na Zona Norte do Rio de Janeiro, o camisa 10 juntava os amigos no Juventude, time que jogava futebol de salão, para assistir aos jogos do Mundial.

- Lembro de tudo. A gente tinha um bloco em Quintino do Juventude e, quando acabavam os jogos, nós saíamos pela rua comemorando. Fizemos após as seis vitórias. Foi muito bacana, pois foi uma geração inspiradora. Estava com 17 anos e começando no futebol. Lógico que aquela Seleção me inspirou, pois aqueles cinco camisas 10, principalmente, jogavam quase todos na minha posição. Jairzinho, Tostão, Pelé, Rivellino, Gerson… Eles serviram de para um aprendizado grande. Foi importante para mim poder observá-los. Tive o prazer de rever agora esses jogos que passaram durante a quarentena para relembrar. Foi muito positivo na minha carreira aquela Copa. Das que eu vi, aquela foi a melhor Seleção - recordou.

Uma das grandes inspirações de Zico foi Rivellino, que jogou com ele na Seleção Brasileira na Copa de 1978 e em tantos outros jogos com a camisa da Canarinho. O Galinho contou como o craque o ajudou no começo, lembrando também que chegou a enfrentar ou atuar junto com alguns outros jogadores daquele título depois em campeonatos pelo país.

- A gente sempre aprende vendo. Tive a felicidade de jogar a favor e contra muitos que estavam naquela Copa em 1970. O Rivellino era um dos que estavam no plantel e me ajudou muito na minha chegada à Seleção. Além do futebol jogado por eles, tinha esse outro lado de ajudar os jovens que estavam chegando ao time. Foi muito importante para que eu tivesse tranquilidade de chegar e jogar o que me fez chegar lá. Quando você observa os caras fazendo, há a oportunidade de repetir. Isso me ajudou bastante. Eu já tinha um aprendizado grande com os meus irmãos em casa e o meu grau de experiência aumentou ainda mais com aquela equipe - completou.

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Casagrande conta história com o pai e idolatria por Rivellino

Walter Casagrande Walter Casagrande
Créditos: Acervo / Fanpage Walter Casagrande

Walter Casagrande é um dos grandes ídolos do Corinthians e também marcou seu nome na história da Seleção Brasileira. Mas antes, em 1970, foi um dos jovens inspirados pelo tricampeonato. Nascido em 15 de abril de 1963, Casagrande tinha sete anos quando viu a vitória por 4 a 1 na final contra a Itália e a comemoração pelo título. Graças à boa memória, ele se lembra perfeitamente daqueles jogos. Mas uma partida o marcou mais: a semifinal.

- Eu tinha apenas sete anos na época, mas a minha memória é ótima. O momento mais marcante foi quando o Uruguai fez o gol na semifinal: o meu pai saiu da sala, trancou-se no quarto e só saiu de lá quando ouviu os fogos do gol do Clodoaldo, o primeiro daquela vitória por 3 a 1 - lembrou.

Assim como Casão, o ídolo Rivellino também atuou no Corinthians e tem seu nome marcado por lá. Para ele, a influência de Riva sempre será a maior de sua carreira. Ao citar o ex-jogador, Casagrande o exalta e fala com carinho, lembrando da emoção que sente ao encontrar o craque:

- O maior ídolo da minha vida é o Rivellino, até porque ele era o grande jogador do Corinthians naquela época. Sempre que eu o vejo fico emocionado. Todo o time de 1970 me inspirou a jogar futebol, mas o Rivellino é o máximo para mim. Quem viu aquele time jogar aprendeu muito. Era maravilhoso, mágico. Eu nunca mais tirei aquela Seleção de 1970 da minha cabeça. Foi a minha maior inspiração.

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Careca tem Tostão como ídolo e inspiração


Careca Careca
Créditos: Acervo e Memória da CBF

O ex-atacante Careca também lembra bem daqueles dias de 1970. Nascido em 5 de outubro de 1960, tinha 9 anos quando viu a cidade ser pintada nas cores da Seleção e todo mundo se unir para comemorar cada vitória como um carnaval fora de época. Para ele, o time que venceu aquela Copa foi responsável por encantar o mundo e as gerações que vieram depois.

- Eu tinha 9 anos em 1970, então realmente marcou bastante. O verde e amarelo tomou o Brasil com aquele grande time encabeçado pelo Pelé e tantos outros grandes jogadores que faziam essa Seleção brilhar, conquistando esse tricampeonato. Era uma equipe maravilhosa que encantava, de um meio-campo com muita habilidade e grandes atacantes. Um time que encantou não só os brasileiros, mas o mundo todo - disse.

Ídolo de Guarani, São Paulo e Napoli, Careca defendeu a Seleção Brasileira em duas Copas do Mundo (1986 e 1990) e pôde sentir de perto o orgulho por vestir a camisa verde e amarela em uma competição como essa. Quando teve a oportunidade, se espelhou em seu grande ídolo: Tostão.

- Conto sempre nos bate-papos com os amigos que a minha grande inspiração foi o Tostão pela forma que ele jogava. Me inspirava a grande movimentação, o fato de não ser egoísta, sabia fazer gol e que gostava de dar assistência. Era um atleta muito eficiente. Me inspirei muito na época de garoto, pois eu queria ser o Tostão e acho que ele sabe dessa minha história. Minha grande referência, sem sombra de dúvidas, foi ele - revelou

Ídolo no México, Tita fala sobre relação entre mexicanos e brasileiros


Tita foi ídolo no León, do México, e sentiu de perto o carinho dos mexicanos por jogadores brasileiros Tita foi ídolo no León, do México, e sentiu de perto o carinho dos mexicanos por jogadores brasileiros
Créditos: Mexsport

Se tem um jogador que conhece bem o futebol mexicano e a paixão de seu povo, é Tita. Ídolo no Flamengo, o ex-meia-atacante foi para o León, do México, há quase 23 anos e teve uma carreira memorável no país. Até hoje, quando vai para a cidade, é reconhecido e celebrado pelas ruas. Figura de extrema importância no clube, ele se lembra bem como é a relação da população local com a Seleção e os brasileiros.

- Enquanto o México estava participando do Mundial, o povo torcia por eles. Depois que a seleção saiu, todos começaram a torcer pelo Brasil. Houve essa comunhão e empatia. Hoje o carinho que eles têm pelos brasileiros começou justamente nesse Mundial em 1970. O futebol mexicano recebe muitos brasileiros, o respeito começou aí. Aquele time abriu as portas por ter jogado um grande futebol, pelos grandes jogadores e por ter sido campeão. Hoje você vê vários mexicanos que tiveram o nome de Edson, Rivellino, Jairzinho. Conheci vários em León com nomes brasileiros. Isso foi uma marca muito grande - afirmou.

Tita também tem história nos palcos que marcaram a trajetória do Brasil até o título. Em seus anos no México, ele teve a oportunidade de jogar no Estádio Jalisco e no Azteca, que carregam a lembrança da passagem dos tricampeões e homenagens a eles em seus corredores:

- Eu fiz muitos gols no Jalisco e no Azteca. No Azteca eu até demorei a fazer, mas no Jalisco foram muitos jogando contra Chivas, Atlas... Tenho um gol de falta no Jalisco que é a coisa mais linda do mundo. O pessoal gosta muito, no Léon lembram até hoje. Mas eu jogava no Azteca e não conseguia fazer gol, pensava que não podia encerrar minha carreira sem fazer um gol lá. Depois consegui contra o Necaxa de pênalti e em um Jogo das Estrelas. É uma experiência muito legal anotar nesses estádios, pois são dois lugares que receberam Mundiais. Ter seu nome guardado na história deles é bem especial.

Nascido em 1 de abril de 1958, Tita tinha 11 anos quando o Brasil foi campeão em 1970. A memória de como foi comemorar aquela conquista é clara para ele, que fala com nostalgia na voz sobre aqueles dias. O ex-jogador ainda lembra que o pai o levou na recepção da delegação, que aconteceu no Rio de Janeiro.

- É a Copa do Mundo mais viva na minha cabeça e memória, por ter assistido, preparado a rua e saído para festejar. Lembro perfeitamente. Me lembro também da chegada dos campeões ao Brasil e de quando os jogadores desfilaram pela cidade em dois carros de bombeiros pelas ruas. Meu pai me levou para ver a Seleção. Para mim foi o melhor time que vi jogar. Foi maravilhoso - declarou.

Assim como os jovens que apareceram para o mundo do futebol nos anos seguintes, Tita também foi inspirado pelo elenco que levantou a Jules Rimet no Azteca. Para ele, é difícil citar apenas uma inspiração pela pouca idade na época, mas lembra que sonhava em ser como aquela geração:

- Vários daqueles jogadores foram referências para mim, mas era uma situação distante. Eu tinha 11 anos naquela Copa, então outros jogadores vieram depois e foram mais próximos. Porém, o jeito que eles jogavam, o Mundial que fizeram, ver Gerson, Rivellino, Pelé, Jairzinho jogando um futebol fora de série, tantos outros... Mas sobre referências, quem não gostaria de ser um Pelé ou um Jairzinho. O que eles jogaram foi impressionante. Aquele meio-campo para frente foi referência, até os reservas. Todos foram grandes jogadores.

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