50 anos do Tri: Clodoaldo e o histórico gol que rendeu o abraço dos heróis

50 anos do Tri: Clodoaldo e o histórico gol que rendeu o abraço dos heróis

Acostumado a correr para abraçar os ídolos no ataque, volante arrancou empate com o Uruguai na semifinal e viu papel ser invertido com chegadas de Pelé e Tostão para festejá-lo. Ao site da CBF, Corró contou ainda que gol só saiu graças a um pedido de Capita e Gérson

Clodoaldo Clodoaldo
Créditos: Divulgação

A série "50 anos do Tri" relembra, em crônicas e reportagens, a conquista da Copa do Mundo de 1970 pela Seleção Brasileira. Serão várias publicações ao longo do mês de junho, que marca o aniversário do terceiro título mundial do Brasil.

O meio-campo e o ataque da Seleção Brasileira de 1970 eram famosos pela quantidade de camisas 10. Gerson, Rivellino, Pelé, Tostão e Jairzinho. Cada um deles era ou já havia sido o 10 no clube em que atuava. Em meio a essa grande ofensividade, o primeiro homem do meio era Clodoaldo. Trajando a camisa 5, ele era o ponto de equilíbrio de Zagallo, responsável pela marcação, onde tinha excelente desempenho com desarmes pelos dois lados, e pela saída de bola do time. Conforme os gols do Brasil iam saindo, o volante tinha como hábito correr ao ataque para abraçar os companheiros. Aos 23 anos, considerava-os como verdadeiros heróis. Mas na semifinal diante do Uruguai, Corró, como era conhecido, viu o papel se inverter e teve seu grande momento. 

Em uma dura disputa pela vaga na decisão da Copa do Mundo do México, a Seleção saiu atrás no placar. Aos 44 minutos da etapa inicial, Clodoaldo partiu feito uma flecha e entrou como elemento surpresa na área uruguaia. O volante recebeu um passe milimétrico de Tostão e, com um belo arremate, deixou tudo igual no marcador, garantindo um retorno mais tranquilo ao Brasil para o segundo tempo. Em entrevista ao site da CBF, o camisa 5 descreveu este incrível momento. 

– O normal era eu partir da intermediária e encontrar meus heróis lá na frente. Jairzinho, Pelé, Gérson, Tostão, Rivellino... Para comemorar mais um gol deles. E de repente me vi abraçado por toda essa turma. Foi um negócio incrível! O primeiro a me abraçar foi o Pelé, aí veio o Tostão logo depois e todo o resto. Poxa... Foi um momento glorioso para mim – destacou.

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Como era mais responsável pela segurança do time, Clodoaldo não costumava subir ao ataque. O gol na semifinal diante do Uruguai foi o único dele em toda a campanha. O craque do Santos conta que não tinha a intenção de mudar a característica, mas acabou sendo convencido durante o primeiro tempo daquele jogo por dois líderes do grupo. 

– O Gérson e Capita me chamaram, imagino que por volta dos 35 minutos, e o Gérson falou: 'Olha, você vai sair um pouco mais porque o negócio está  pegando para mim. Está difícil para dominar e fazer os lançamentos'. Eu virei para eles e disse: 'Não é um pedido, é uma ordem'. E aí eu comecei a sair mais um pouco. Mais pro final, recebi uma bola no setor esquerdo, vi o Tostão saindo na lateral e um zagueiro chegando. Antes do marcador chegar, passei para o Tostão. Nesse momento eu vi um corredor na minha frente. Levei acho que nove segundos até chegar para chutar. O Tostão deu a bola no tempo certo, lançamento genial. Me deixou na cara do gol. Finalizei antes do zagueiro chegar e consegui empatar. Devo esse gol ao Gérson e ao Capitão, que pediram para que eu saísse – acrescentou. 

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Créditos: Lucas Figueiredo / CBF

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Antes do jogo, a imprensa deu grande ênfase ao duelo entre Brasil e Uruguai de 1950. Vinte anos depois, os jornais brasileiros tratavam o confronto como uma espécie de revanche pela derrota na decisão no Maracanã. Clodoaldo revela que, de alguma forma, o fator Maracanazo entrou em campo naquele primeiro tempo da semifinal. Mas foi aí que a experiência do treinador apareceu. 

– A fala do Zagallo para nós foi muito emotiva. Ele nos fez acordar. Disse que estávamos respeitando muito o Uruguai, que estávamos com medo. E reforçou que 1950 tinha ficado para trás e que era uma nova história. Aí o time voltou comendo a bola. Tivemos uma excelente atuação no segundo tempo. Voltamos bem, praticando o jogo que a gente vinha fazendo desde o início da Copa. Fizemos o segundo, o terceiro e tivemos perto até de mais gols. Tudo isso sem correr riscos. O Brasil voltou uma outra equipe – enfatizou.

Clodoaldo foi titular absoluto da Seleção Brasileira no México, presente em todos os minutos dos seis jogos da campanha na Copa do Mundo. Ao comentar este fato, o volante volta a exaltar a capacidade de Zagallo.

– Comecei com 17 anos no Santos e era a equipe que mais viajava, fazia jogos na Europa e em todas as partes do mundo, pois queriam ver o Pelé jogar. Então, logo adquiri essa condição internacional, mas nunca tinha jogado uma Copa do Mundo. E recebi muito apoio. A gente não sabia quem seria titular. Mas quando o Zagallo assumiu, de pronto a cabeça dele funcionou e achou uma escalação com Jair, Gérson, Tostão, Pelé e Rivellino, recuou o Piazza para a quarta zaga e isso nos surpreendeu. Mas deu certo! Montou a equipe logo que chegou, anunciou qual seria o time titular, o grupo aceitou bem, foi se encaixando e deu no que deu – finalizou.

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