50 anos do Tri: A Copa de 1970 pelo jornalista Roberto Assaf

50 anos do Tri: A Copa de 1970 pelo jornalista Roberto Assaf

Com 14 anos durante o Mundial de 1970, jornalista considera-se um privilegiado por ter visto aquela Seleção brilhar e, cinco décadas depois, mensura o tamanho do êxito obtido pelo Brasil no México

Jornalista Roberto Assaf Jornalista Roberto Assaf
Créditos: Arquivo Pessoal

A série "50 anos do Tri" relembra, em crônicas e reportagens, a conquista da Copa do Mundo de 1970 pela Seleção Brasileira. Serão várias publicações ao longo do mês de junho, que marca o aniversário do terceiro título mundial do Brasil.

Sou um privilegiado. Tive a sorte de acompanhar a geração de ouro do futebol brasileiro, ou seja, de ver em ação, ao vivo, os campeões mundiais de 1958, 1962 e 1970, alguns no auge, outros ainda em atividade, mesmo que já mais próximos do fim de suas carreiras.

Logo, é obrigação dizer que o tri conquistado no México foi o momento de maior brilho do que houve de melhor em um período que atingiu três séculos, desde a primeira bola que rolou no Brasil. E a rigor, não seria um exagero afirmar que a Copa de 1970 é um ícone na própria história contemporânea do país, dado que será sempre uma referência num contexto geral do nosso cotidiano.

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Eu era, naquela época, nada além de um adolescente. E embora cercado de informações distintas, e já um leitor voraz, não pensava, é evidente, que o evento poderia ter tal importância, 50 anos depois. Na realidade, influenciado pela propaganda oficial do Governo, cheguei a acreditar que ganhar o título, como ocorreu, tornaria o Brasil um país de Primeiro Mundo, e a ter até um pouquinho de dó dos que não conseguiram fazê-lo.

Passado meio século, e com o aprendizado ao longo da vida, é possível perceber que a visão do tri sofreu um punhado de mudanças. Mas o prazer de rever os lances memoráveis, os gols, o próprio triunfo, enfim, não esmoreceram. Pelo contrário, além de incluir o fato como parte do comportamento de uma época de muitas mudanças, dentro e fora das nossas fronteiras, é sempre possível transformá-lo num rosário de lembranças absolutamente inesquecíveis: a camaradagem do colégio, as peladas da Barão de Jaguaribe e das areias de Ipanema, as festinhas, e ele, o velho Maracanã, é claro.

É como se aqueles craques, responsáveis pelo meu deleite do dia a dia, os caras que eu aplaudia ao vivo, no campo de jogo, me pertencessem, e que o tri foi um presente formidável que ganhei – como fruto da minha fidelidade – para guardar como se fosse só meu.

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Na prática, e de alguma forma assim continua, meio século depois: basta olhar o time de 1970 no cromo clássico em technicolor da revista Manchete, pendurado estrategicamente na parede, para ver o chute indefensável de Jairzinho contra Banks, o drible de Pelé em Mazurkiewicz ou o gol de Gérson que derrubou definitivamente a Itália.

Pois é. Sou um privilegiado. Tive a sorte de acompanhar a geração de ouro do futebol brasileiro. Ali, na minha frente, todas as semanas, quase de graça. Na época, nem tanto, mas hoje, 50 anos depois, é possível mensurar como isso foi divino.

Chegará o dia, é óbvio, que não haverá mais nenhuma testemunha do tri. Façam as contas, e concluirão que isso não vai durar outro meio século. O episódio sobreviverá, por aqui, apenas em fotos e filmes. Mas, não importa o lugar, a lembrança de tudo aquilo estará comigo. Nada poderá impedir.

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