#TBTdaAmarelinha: Kátia Cilene, do atletismo ao futebol

#TBTdaAmarelinha: Kátia Cilene, do atletismo ao futebol

Conhecida por marcar muitos gols, a atacante desistiu de uma carreira no atletismo para ser parte da geração que encantou os brasileiros no futebol feminino

Kátia Cilene - Brasil x Noruega - Copa do Mundo Feminina 2003 Kátia Cilene - Brasil x Noruega - Copa do Mundo Feminina 2003
Créditos: Action Images/FIFA

Quando tinha 16 anos, Kátia Cilene se viu em um momento de escolha. De um lado o atletismo, que praticava desde sempre e tinha uma carreira promissora. Do outro o futebol, uma aposta e um tiro no escuro. Para a sorte dos torcedores brasileiros, ela seguiu o caminho dos campos e ganhou não apenas o Brasil, mas o mundo. Conhecida pelo faro de gol apurado, a atacante marcou seu nome na Seleção pelo grande talento e poder decisivo em uma geração de ouro.

Iniciando sua trajetória com a camisa verde e amarela em 1995, ao lado de nomes como Sissi e Formiga, ela se aposentou do time em 2007, conquistando o ouro nos Jogos Pan-Americanos do Rio e a prata na Copa do Mundo. No #TBTdaAmarelinha desta semana, contamos a história desta verdadeira craque da Seleção Brasileira Feminina.

Kátia Cilene

Atacante da Seleção Feminina
Defendeu o Brasil de 1995 a 2007
Títulos: Pan-Americano de 2007 e Sul-Americano de 1995, 1998 e 2003
Chuteira de bronze na Copa do Mundo de 2003

A dúvida: atletismo ou futebol?


O começo no futebol foi aquele que a gente já conhece de outras histórias. Curiosa sobre aquele esporte que tanto via os meninos jogando, Kátia Cilene começou a se aventurar nas partidas pelas ruas de Padre Miguel, no Rio de Janeiro. Com o passar do tempo, se viu em uma grande dúvida. Deveria seguir no atletismo ou apostar no futebol?

“O início não foi muito diferente de outras meninas que quiseram jogar futebol. Meu esporte de base foi o atletismo e minha vida foi basicamente essa modalidade até os 17 ou 18 anos, quando tive que decidir de vez entre isso ou o futebol. Eu fazia heptatlo e 100m com barreira, por exemplo. O futebol eu jogava com os meninos na rua e tinha aquela vontade de estar lá com eles, pois era mais dinâmico. Comecei na rua em Padre Miguel e, em clube, meu início foi no Vasco no futebol de salão. Fui para o Saad em seguida e depois para o mundo”, disse Kátia Cilene, em entrevista exclusiva ao site da CBF.

Se ainda restava alguma dúvida, a convocação para a Seleção Brasileira, que disputaria Copa do Mundo em 1995, na Suécia, poderia ajudar na decisão. Ao lado de estreantes como Sissi, Michael Jackson e Formiga, a jovem de apenas 16 anos começou a ver que existia um mundo além daquele que conhecia. 

“Minha primeira convocação foi em 1995. A Sissi também chegou neste ano. Ela já tinha o nome dela, já era conhecida na modalidade e excelente jogadora. Dessa geração, eu e Formiga éramos as mais novas, eu com 16 e ela com 15 anos. Fiquei muito feliz quando soube, pois eu estava no meio dessa escolha entre atletismo e futebol. Logo veio essa convocação para a Seleção e me dei conta do valor de estar ao lado dessas jogadoras e desse time, de ver como aquelas meninas jogavam tão bem quanto os meninos que eu estava acostumada. Sissi, Roseli, Michael, Marisa, Meg… era impressionante ver a capacidade técnica de todas elas. Foi aí que eu percebi que era possível ter uma carreira dentro do futebol, então abracei a ideia. Conversei com a minha técnica do atletismo e informei que decidi seguir no futebol”, lembra Kátia.

A Seleção Brasileira e a carreira fora


Depois da estreia em Copas do Mundo, ela não saiu mais da Seleção. Neste período, ficou na quarta colocação nas Olimpíadas de Atlanta (1996) e Sydney (2000), disputou quatro Copas do Mundo (1995, 1999, 2003 e 2007) e venceu o Pan-Americano (2007) em casa. Foram 12 anos de muitos gols, histórias e memórias.

“A Olimpíada da Austrália foi um grande momento. Jogamos de igual para igual com outras seleções, estávamos mais fortes e com a consciência de que éramos capazes de jogar assim. Sidney me marcou bastante, pois eu era praticamente protagonista junto a jogadoras importantes. O Mundial de 2007 também foi uma prova de que podemos competir com as grandes potências. Fui uma das artilheiras nesse. A cada ano que passamos na Seleção fomos vendo que era possível, com um trabalho sério. O futebol brasileiro é tão feminino quanto masculino”, afirmou.

Durante a carreira, a atacante sempre esteve entre as artilheiras das competições que disputou. Além de brilhar no Brasil, jogando em times como São Paulo, Vasco e Saad, ela também construiu uma carreira internacional de 14 anos. Longe de seu país, ficou marcada na história do futebol feminino francês e norte-americano como a primeira estrangeira a ser artilheira dos dois países, jogando por Lyon e San Jose CyberRays respectivamente.

“Foram vários momentos marcantes, é até difícil escolher.  O que mais chamou a atenção na minha carreira foi a quantidade de gols que eu marcava. Já marquei mais de 50 gols em Brasileiros, fui a primeira estrangeira a ser artilheira nos Estados Unidos e na França. Deixei essa marca simbólica de gols por onde passei. Foi maravilhoso jogar fora. Foi no San Jose CyberRays (EUA) que aprendi a ser mulher e ser humano por completo. Foi a minha primeira experiência fora do país e eu praticamente não falava o idioma. No ano seguinte da minha chegada já fui artilheira, fiz o gol mais bonito e estive no tapete vermelho com Ronaldo, Serena Williams e tantos outros em uma premiação. Foi muito gratificante. Depois dali passei pela Espanha, no Estudiantes e Levante, e segui para a França, onde ganhei Copa da França e Campeonato Francês, além de jogar a Liga dos Campeões. Passei pela Rússia e depois voltei para o Brasil jogando pela Marinha”, lembra a camisa 9.

Brasil 5x0 USA - PAN 2007 Maracanã Brasil 5x0 USA - PAN 2007 Maracanã
Créditos: Rafael Ribeiro / CBF

Os Jogos Pan-Americanos do Rio


No dia 26 de julho de 2007, o Maracanã e o Brasil pararam para aplaudir a Seleção Brasileira Feminina. A grande final dos Jogos Pan-Americanos do Rio contou com um estádio lotado, milhares de torcedores atentos e uma goleada para não colocar nenhum defeito. Diante dos Estados Unidos, o placar de 5 a 0 deu a medalha de ouro para as donas da casa e uma festa linda no Maraca.

“Foi maravilhoso ganhar aquele título do Pan-Americano no Maracanã lotado. Vencemos as norte-americanas do jeito que foi após anos tentando uma vitória. Foi a cereja do bolo, era o que estávamos precisando para mostrar que éramos capazes de jogar de igual para igual com elas. Eu já tinha essa experiência de jogar em estádio cheio, pois o São Paulo tinha o costume de fazer jogos preliminares no Morumbi. Ouvia meu nome ser ovacionado e era lindo. Rever uma situação parecida foi gratificante, o Maraca lotado para ver a Seleção Feminina. Demonstramos que somos capazes de colocar grandes públicos no estádio. Não tem nem como descrever. Só vivendo esse momento para ter ideia do que é. O futebol feminino é capaz disso”, recordou a ex-jogadora.

Por fim, Kátia Cilene relembrou as oportunidades que recebeu e o que a trajetória na Seleção significou. Após 12 anos a serviço da Amarelinha e uma carreira memorável, ela deixa seu conselho às próximas gerações: pede que aproveitem o momento para brilhar.

“A Seleção é uma grande vitrine. Todas as jogadoras precisam aproveitar essa oportunidade e eu aproveitei. O Brasil abriu um leque muito grande. Todas deveriam pensar da mesma maneira. A partir do momento que você veste a camisa da Seleção, deve aproveitar todas as oportunidades que acontecerem. Foi isso que eu fiz. Se eu não tivesse passado por essa experiência, talvez não veria o mundo da forma que vi. Cheguei onde cheguei e sou o que sou hoje por essa chance”, concluiu.

Quem é Kátia?


“A Kátia foi uma das maiores artilheiras que tive a honra de jogar junto. Jogadora fora de série, finalizava bem e era muito brincalhona. Foi e sempre será importante para o futebol feminino.” - Sissi

"A Kátia era uma atleta diferenciada. Ela tinha alegria nas pernas, uma passada larga, era bonito de ver. Estilosa, craque. Tenho sempre respeito e admiração pela pessoa que foi tanto dentro quando fora de campo. Ela é um exemplo para o futebol feminino, sempre se dedicando bastante para o crescimento da nossa modalidade." - Michael Jackson

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