Formiga aposta em comunicação da Seleção Feminina como trunfo contra a Holanda

Formiga aposta em comunicação da Seleção Feminina como trunfo contra a Holanda

Meia considera a troca entre as atletas como chave para manter a organização tática. Em entrevista coletiva, ela também falou sobre maturidade da equipe e representatividade

Seleção Feminina foi a campo após vitória na estreia da Olimpíada de Tóquio 2020. Formiga. Seleção Feminina foi a campo após vitória na estreia da Olimpíada de Tóquio 2020. Formiga.
Créditos: Sam Robles/CBF

Trabalho coletivo, cumplicidade e muita comunicação para manter a organização tática da equipe. Para Formiga, esses são os fatores que podem ajudar a Seleção Brasileira no próximo desafio em Tóquio. Antes do último treino para a partida contra a Holanda, a meia concedeu entrevista coletiva nesta sexta-feira (23) e falou sobre o confronto.

“Sabemos da potência que a Holanda tem do meio para a frente. O que a Pia sempre nos pede é para manter essa compactação, e é o que vamos fazer. Fugimos um pouco desse padrão no jogo contra a China e a partida com a Holanda será totalmente diferente. Precisamos realmente estar bem compactadas e a comunicação acho que vai nos ajudar bastante, da goleira para a zagueira, da zagueira para o meio campo e do meio para as atacantes”, destacou, analisando os caminhos das Guerreiras até a meta holandesa. 

“Devemos aproveitar que a zaga delas não é tão rápida e explorar o contra-ataque. Se conseguirmos roubar a bola e já fazer essa transição direta para o ataque, com bola no chão, acho que levamos vantagem. A qualidade do meio campo delas é impressionante, mas acredito que fazendo esse trabalho em conjunto, com a linha de quatro no meio campo, isso vai ajudar bastante para que a gente não sofra tanto lá atrás”, analisou.

Brasil e China se enfrentaram pela rodada de abertura dos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020. Formiga. Brasil e China se enfrentaram pela rodada de abertura dos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020. Formiga.
Créditos: Sam Robles/CBF

Na batalha pelo ouro, é fundamental manter a confiança, mas sem euforia. Recordista em participações olímpicas, com sete edições no currículo, Formiga elogiou a postura das jogadoras mais jovens após a goleada contra a China.

“As meninas, de uma certa forma, já têm sua experiência. Elas sabem que demos só o primeiro passo, subimos apenas o primeiro degrau e temos muitas pedreiras pela frente, como a potência da Holanda já no próximo jogo. Sabemos que não será nada fácil, então o que passou, passou, já está lá atrás. Agora, é foco total na Holanda. Que a gente possa fazer um excelente jogo e conseguir a segunda vitória para dar mais confiança ao grupo na busca pela medalha de ouro”, torceu, ponderando que as lições permanecem na memória.

“É com treino, vídeos e conversa entre os setores que vamos consertar os espaços que acabamos dando contra a China. Acho super importante a gente ter esse feedback da comissão técnica e a consciência de que precisamos melhorar em algumas coisas, eliminar esse tipo de situação no jogo porque, numa falha dessa podemos nos prejudicar”, alertou.

A experiência de quem está na sétima participação em Olimpíadas conta muito dentro e fora dos gramados. Formiga se vê mais preparada do que nunca para liderar a equipe e auxiliar a Canarinho a tomar os melhores rumos. 

“Quero levar para o Brasil a medalha de ouro. Nesse momento, me vejo mais madura, um pouco mais paciente em algumas situações para ajudar o grupo a tomar as decisões corretas dentro de campo. Por ser minha última, e ter vivido tantas, acho que consigo ajudar a equipe nesse aspecto para que a gente possa avançar fase a fase”, disse ela, que já tem planos para os próximos passos na carreira.

“A primeira coisa que penso, que acho que as pessoas devem pensar, é: tenho 43 anos, já na sétima Olimpíada, no nível que estou… talvez as pessoas achem que isso é anormal, ter a capacidade de atingir esse nível com a minha idade, numa competição tão forte. Meu desejo após parar de jogar é fazer cursos, me tornar treinadora e caso sobre um espaço, vou para o lado da gestão esportiva também. O que não posso, com certeza, é ficar longe do futebol”, garantiu.

Seleção Feminina foi a campo após vitória na estreia da Olimpíada de Tóquio 2020. Formiga. Seleção Feminina foi a campo após vitória na estreia da Olimpíada de Tóquio 2020. Formiga.
Créditos: Sam Robles/CBF

Uma Seleção livre, dentro e fora de campo


Há 26 anos na Seleção, Formiga sabe da responsabilidade de representar o povo brasileiro dentro e fora de campo. Veterana na luta pela valorização do futebol feminino, ela falou também sobre o papel dos atletas na batalha contra outros preconceitos.

“Como somos exemplo e espelho para milhões de pessoas, não só no futebol, a gente representa milhões de pessoas, acho bacana a gente se posicionar, continuar quebrando essas barreiras, esse preconceito, sair do armário realmente. Eu não vejo nenhum problema nisso e fiquei feliz de saber que minha esposa esteve falando na TV durante o nosso jogo, que a Marta, que é mundialmente a maior representante do futebol brasileiro, também se posicionou, que a Cristiane estava lá com seu filhão Bento e sua esposa, maravilha. Acho que, dessa forma, a gente vai conquistando o respeito das pessoas não só por ser atleta profissional, e sim como ser humano. Espero que outras pessoas, que outras atletas, possam também se posicionar e, dessa forma, juntas, conquistemos o respeito do mundo para acabar com esse preconceito”, defendeu, comentando a comemoração de Marta em homenagem à noiva no terceiro gol da Seleção contra a China.

“Fico feliz de ela estar tão livre. Acho que isso só ajuda a gente aqui na Seleção, só traz alegria. É um momento mágico para ela e para nós, porque a gente sofre muito preconceito e é muito julgada mesmo quando não saímos do armário. Também a vejo com toda essa leveza e fico super contente, e acredito que ela, dessa forma, só tem a acrescentar ao futebol feminino, não só do Brasil como mundialmente. Sabemos da importância dela no esporte e acho que, sendo ela mesma, ela encoraja muitas pessoas também a sair do armário e poder sentir essa liberdade. Ela aqui dentro, nos bastidores, sempre foi assim, e que bom que hoje ela está transmitindo essa alegria e leveza para tantas pessoas”, concluiu.

As Guerreiras do Brasil fazem nesta sexta-feira, no Sendai Stadium, seu último treino antes de enfrentar a Holanda. A partida ocorre neste sábado, às 8h (horário de Brasília), no Miyagi Stadium, e será transmitida por TV Globo, SporTV e BandSports.

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