Formiga: De Pia a Gio, história da volante se confunde com a da Seleção Feminina

Formiga: De Pia a Gio, história da volante se confunde com a da Seleção Feminina

Em 26 anos de história com a Amarelinha, meia uniu gerações no futebol. Relembre companheiras e adversárias marcantes de Formiga na Seleção Brasileira.

Seleção Feminina - Sessão de fotos FIFA - Copa do Mundo 2019 - Formiga Seleção Feminina - Sessão de fotos FIFA - Copa do Mundo 2019 - Formiga
Créditos: Naomi Baker/FIFA

Cinco de junho de 1995. Tinha início a segunda Copa do Mundo de Futebol Feminino, na Suécia, e a Seleção Brasileira, formada sete anos antes, estreava logo contra as donas da casa. No primeiro confronto das duas equipes em Copas, em 1991, as suecas levaram a melhor por 2x0, com direito a gol de uma das principais artilheiras de sua história, a meia-atacante Pia Sundhage. De casa, uma jovem promessa assistia aquelas que viriam a ser, em um futuro próximo, suas companheiras de equipe. Seu nome? Miraildes Maciel Mota, mas pode chamar de Formiga.

No início, aos 13 anos, Formiga rechaçou o apelido, inspirado no fato de que ela, incansável, corria o campo inteiro para ajudar sua equipe. Jamais parou de fazê-lo. “No fim, percebi que o apelido caía bem”, reconheceu. E como. A volante esteve com a Seleção em todas as Olimpíadas desde que o futebol feminino começou a ser disputado, em Atlanta 1996. De todas as Copas do Mundo, só não participou da primeira, em 1991.

Jogos Olímpicos de Tóquio 2002 - Seleção Feminina: Brasil x Zâmbia. Formiga. Jogos Olímpicos de Tóquio 2002 - Seleção Feminina: Brasil x Zâmbia. Formiga.
Créditos: Sam Robles/CBF

Na edição seguinte, em 1995, lá estava ela e, quem diria o destino, encarando Pia. A sueca atuou por 90 minutos, mas não conseguiu evitar a revanche brasileira sobre as anfitriãs. Do banco, a jovem promessa de apenas 17 anos vestia a Amarelinha pela primeira vez e comemorou muito o gol de Roseli, que deu a vitória à Canarinho.

O grupo de sua estreia tinha Sissi, Pretinha, Michael Jackson, Márcia Taffarel, Andréia, Tânia Maranhão e outras históricas Guerreiras do Brasil. Enfrentou a Alemanha de Birgit Prinz e Heidi Mohr, as maiores artilheiras da história das vice-campeãs de 1995. Naquele ano, o Brasil parou na fase de grupos e a Noruega ficou com o título. Em 1999, a Seleção chegou à sua primeira semifinal, vencendo as norueguesas na disputa pelo bronze.

Formiga: De Pia a Gio, história da volante se confunde com a da Seleção Feminina Formiga: De Pia a Gio, história da volante se confunde com a da Seleção Feminina
Créditos: Lucas Figueiredo/CBF

Era o prenúncio de um feito inédito de uma geração que, reforçada por jovens promessas como Marta, Cristiane e Rosana, chegaria à sua primeira final olímpica em 2004. O Brasil jogou melhor, teve um pênalti não marcado a seu favor, mas o gol de Abby Wambach na prorrogação deu o ouro aos Estados Unidos.

“Em Atlanta, em 1996, fomos as quartas colocadas, e nós mesmas não imaginávamos que chegaríamos. E a nossa medalha de prata, em 2004, foi a melhor. Foi fantástica a maneira que a gente trabalhou em tão pouco tempo. Infelizmente não veio o ouro, mas eu fiquei muito feliz que conseguimos colocar a Pretinha em uma final”, lembrou.

Em 2007, Formiga ajudou a Seleção a chegar à primeira decisão de Copa do Mundo de sua história, após golear os Estados Unidos por 4 a 0 na semi. A derrota para Alemanha teve revanche nas Olimpíadas do ano seguinte, com nova goleada por 4 a 1. Aquela edição terminou com a segunda prata olímpica da Canarinho, após as Guerreiras do Brasil serem superadas na prorrogação pelos Estados Unidos de Hope Solo, Carli Lloyd e da técnica Pia Sundhage.

A sétima e última participação olímpica de Formiga, em Tóquio 2020, marca um momento de renovação da Seleção Brasileira. Agora, aos 43, era ela quem recebia e passava toda sua experiência às novatas. A caçula daquele elenco, Giovana Queiroz, de apenas 18 anos tem 25 anos a menos que a volante, um a mais que Formiga quando estreou pela Canarinho.

Sessão de fotos da Seleção Feminina Principal - Jogos Olímpicos de Tóquio. Formiga e Giovana. Sessão de fotos da Seleção Feminina Principal - Jogos Olímpicos de Tóquio. Formiga e Giovana.
Créditos: Sam Robles/CBF

Onipresente em Olimpíadas, Formiga personifica a história da Seleção e do futebol feminino. Os piores momentos, os melhores, as maiores vitórias, as derrotas mais doídas: ela sempre esteve lá. Sentiu todas elas, lutou até o fim a cada batalha. Christine Sinclair, Megan Rapinoe, Alex Morgan, Vivianne Miedema, Lucy Bronze… a brasileira enfrentou praticamente todos os grandes nomes internacionais da modalidade. Ganhou o ouro pan-americano diante de um Maracanã lotado contra os Estados Unidos, em 2007, e outros dois em 2003 e 2015. Conquistou ainda o Sul-Americano de 2010 e a Copa América de 2018.

Duas medalhas de prata e três semifinais olímpicas, um vice-campeonato de Copa do Mundo, recorde de participação em Olimpíadas (sete), o mesmo número de Copas no currículo… Formiga é a atleta, entre homens e mulheres, que mais vezes vestiu a camisa da Seleção Brasileira; a mais velha a participar e marcar gol em Copas; a atleta brasileira que mais participou dos Jogos Olímpicos, junto a Robert Scheidt; a única jogadora de futebol a ter disputado todas as edições das Olimpíadas. Chegou como promessa, tornou-se referência e se despede da Canarinho como um dos maiores nomes da história do futebol e do esporte brasileiro.

Cristiane, Formiga e Marta Cristiane, Formiga e Marta
Créditos: Laura Zago/CBF

Quando o apito final soar em Manaus, não marcará apenas o término de uma partida. Será o derradeiro capítulo de uma das mais belas histórias de amor que o futebol já escreveu da maneira como nos acostumamos a ver nos últimos 26 anos: Formiga, a lenda, a dona do meio-campo, a incansável Guerreira do Brasil.

O cenário muda, o legado fica, o amor também. É impossível falar da trajetória da Seleção sem falar da carreira de Formiga e vice-versa. Assim como as outras pioneiras da história do futebol feminino brasileiro, sua impressão digital estará em toda conquista da Canarinho. E seu exemplo será sempre a bússola das gerações futuras.

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