De Jequeri até a Granja Comary: conheça a trajetória da sonhadora Duda

De Jequeri até a Granja Comary: conheça a trajetória da sonhadora Duda

Com apenas 19 anos de idade, jovem do interior de Minas Gerais foi convocada para a Seleção Feminina Principal pela primeira vez neste período de treinamentos.

Treino da Seleção Feminina Principal na Granja Comary - 15/09/2020 Treino da Seleção Feminina Principal na Granja Comary - 15/09/2020
Créditos: Thais Magalhães/CBF

Cidade pequena, campo modesto e meninos correndo atrás de uma bola com o sonho em comum: se tornar jogador de futebol. Esse cenário se repete em todos os cantos do Brasil. Mas em Jequeri, interior de Minas Gerais, em meio aos inúmeros futuros Ronaldos e Romários, havia uma aspirante a atleta. Era Maria Eduarda Ferreira Sampaio, ou melhor, Duda. Acima da média, a menina que se destacava nas peladas mal sabia que o futuro lhe reservava voos ainda mais altos. Com apenas 19 anos de idade, a jovem sonhadora alcançou sua principal meta: ser convocada para a Seleção Feminina Principal.

Uma das novidades da técnica Pia Sundhage neste período de treinamentos, Duda se encheu de orgulho com a convocação da sueca no início do mês. Ainda tentando assimilar seus primeiros passos pela Seleção Principal, a meio-campista do Cruzeiro destacou o próprio empenho e trabalho duro como fatores providenciais para a consagração do maior sonho de sua carreira.

“Fiquei sem palavras (com a convocação para a Seleção Principal), foi uma reação muito boa. Fiquei muito feliz, foi muito importante para mim. Por ser a primeira vez, você pensa e quase nem acredita (risos). Mas acreditar é trabalhar, e desde os anos anteriores eu venho trabalhando bem, tanto no Cruzeiro quanto nas categorias de base da Seleção, então eu esperava uma oportunidade. Uma hora ou outra tinha que vir. Agora é aproveitar bem essa chance para continuar assim”, disse a jovem atleta.

Treino da Seleção Feminina Principal na Granja Comary - 15/09/2020 Treino da Seleção Feminina Principal na Granja Comary - 15/09/2020
Créditos: Thais Magalhães/CBF

De Jequeri para o mundo


Nascida em 2001, Maria Eduarda se apaixonou pelo futebol rapidamente. Durante a infância, o campinho de várzea próximo à casa dela se transformou em um parque de diversões para a jovem. Foi lá que Duda deu seus primeiros chutes na redonda e despertou a sua paixão pelo futebol. Com o apoio da família, a jovem viveu o esporte desde pequena.

“Eu costumo até brincar que eu nasci no campo (risos). Onde eu morava, tinha um campo do lado de casa. Então isso facilitou muito as coisas. Desde menina eu já via o futebol, já acompanhava meu irmão e meus primos no campo. Essa paixão nasceu em casa, acompanhando meu irmão, principalmente, aí só foi crescendo”, relembrou.

Com o passar dos anos, o talento de Duda se sobressaía cada vez mais, mesmo em meio aos meninos da região. Destaque com gols e títulos nos times amadores de Jequeri, a jovem foi recompensada com a inusitada ajuda de um morador de sua cidade que a inscreveu em uma ‘peneira’ de um clube profissional – o América-MG.

“No campo lá da minha cidade eu jogava com os homens. Sempre me sobressaí. Quando estava com 14, 15 anos comecei a jogar nas categorias de base da minha cidade. Tive alguns títulos como artilheira, títulos com a equipe. E daí teve um rapaz, de Jequeri mesmo, que me viu jogar e resolveu marcar um teste. Ele chegou para mim e falou: ‘Marquei um teste para você, vamos fazer?’. Eu falei: ‘Vamos’. E foi então que começou essa parte mais profissional. Fiz o teste no América-MG. Fiquei de maio até o final do ano como se fosse um período de experiência mesmo e no ano seguinte assinei meu contrato”, recordou a meio-campista.

Duda durante a disputa da Liga Sul-Americana Feminina Sub-19, na Venezuela Duda durante a disputa da Liga Sul-Americana Feminina Sub-19, na Venezuela
Créditos: Conmebol

Transição para o profissional


A partir dessa nova empreitada, surgiu um dos maiores desafios da carreira de Duda: sair de casa com apenas 17 anos. Seu futebol já não cabia mais apenas em Jequeri e ganhou a capital Belo Horizonte. Nessa transição de mais de 220 km de distância para a cidade grande, a jogadora, mais do que nunca, exaltou o apoio de membros de sua família que apoiaram sua trajetória em tempo integral. Apesar dos ‘perrengues’, a jovem destacou a sua evolução como atleta com a rotina de treinos no profissional, com a qual não estava habituada.

“A principal dificuldade que eu tive foi sair de casa. Eu tinha 17 anos na época. Vir para a cidade grande para quem morava no interior.... Na época no América-MG não tinha alojamentos, cada atleta tinha que dormir nas suas próprias residências. Tive a oportunidade de morar com a minha avó. Passei uns perrengues para ir treinar, meus tios me levavam todos os dias. Esse início no América-MG foi de muito aprendizado, muitas coisas diferentes, ir para o profissional, treinar todos os dias. Consegui pegar bem isso e evoluir bastante. No ano que eu cheguei a gente já ganhou o Mineiro e no ano seguinte eu consegui jogar um pouco da fina, que vencemos novamente. Depois, já comecei a ser titular. Essa evolução foi crescendo muito rápido. Hoje, vejo que foi muito importante cada detalhe”, recordou.

No América-MG, Duda conquistou dois Campeonatos Mineiros, em 2017 e 2018. O bom desempenho no Coelho despertou o interesse do rival Cruzeiro, que a contratou para a temporada de 2019. Logo em seu primeiro ano na Raposa, a meia faturou o Estadual e conquistou o acesso para o Campeonato Brasileiro Feminino A-1 em 2020, com o vice-campeonato no torneio. 

Duda é o trunfo do Cruzeiro em 2020 Duda é o trunfo do Cruzeiro em 2020
Créditos: Divulgação/Cruzeiro

“O Cruzeiro, sem dúvidas, é uma equipe muito grande, então tem muita visibilidade. Já cheguei sendo uma peça principal do time. Poder disputar um Brasileiro A-1, me sinto muito feliz aqui, em poder jogar com as melhores e aprender a cada jogo. Isso tem sido muito bom para mim, procuro evoluir sempre mais para conseguir sempre voos mais altos”, frisou Maria Eduarda.

Histórico nas categorias de base da Seleção


A história de Duda com a Amarelinha não é recente. A atleta passou pelas duas categorias de base da Seleção Feminina. Na Sub-17, uma breve passagem sem torneios disputados. Já na Sub-20, a meia brilhou. Figurinha carimbada nas convocações e camisa 10 da equipe, a mineira teve seu ciclo coroado no início deste ano com o título da Liga Sul-Americana Sub-19, disputada na Venezuela. Duda ainda esteve na Seleção Sub-20 que disputou o Sul-Americano da categoria no início do ano. A competição foi interrompida por conta da pandemia da covid-19 e deve ser concluída em novembro deste ano, na Argentina.

“Foi muito gratificante (vencer o Sul-Americano Sub-19). No ano anterior já tínhamos disputado a primeira fase da Liga e passado essa experiência de jogar com a Seleção, de estar disputando. E nesse ano já chegar coroando no início do ano como foi com o título, mostra que estamos no caminho certo. Mas tem muita coisa para buscar ainda, independentemente de títulos, o nosso futebol tem sempre que evoluir. Então esse momento foi de alegria, de comemoração, mas agora temos que pensar no futuro”, projetou a craque da Seleção.

Liga Sul-Americana Feminina Sub-19: Brasil x Uruguai. Duda Liga Sul-Americana Feminina Sub-19: Brasil x Uruguai. Duda
Créditos: CBF/Laura Zago

Com apenas 19 anos, Maria Eduarda conseguiu conquistar seu principal objetivo. A trajetória não foi fácil, repleta de percalços. Segundo a própria, sua meta agora é se manter no topo em alto nível. Com uma carreira inteira pela frente, a jovem deixou um recado para todas crianças sonhadoras que estão dando seus primeiros pontapés na bola, assim como ela deu, anos atrás, em Jequeri, interior de Minas.

“Eu diria para aproveitar. Quando se tem um sonho, temos que correr atrás, batalhar, passar pelas dificuldades que forem necessárias. O principal é isso, dar continuidade mesmo com as dificuldades, porque quando você batalha e faz por merecer, as coisas acontecem”, concluiu a estreante na Seleção Principal.

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