
Sonho possível
Fabio Souza / CBFAos 16 anos, Nicolly Manuel disputa sua primeira Copa do Mundo Feminina Sub-17, no Marrocos. Algo que ela jamais imaginou. A atacante, que hoje defende o Flamengo, começou sua história no futebol aos seis anos de idade, em uma praça de Bonsucesso, bairro da zona norte do Rio de Janeiro, onde mora até hoje. O interesse pelo futebol nasceu enquanto Nocolly observava um grupo de meninos jogando bola. “Eu frequentava uma praça e lá tinha uns meninos que jogavam bola. Daí eu vi e foi amor à primeira vista. Eu gostei muito e comecei a praticar”, conta.
Com o apoio da família, Nicolly deu os primeiros passos no futebol no Real Maré, projeto social localizado no Complexo da Maré. Foi lá que começou a construir sua trajetória no esporte. Depois, soube de uma peneira do Flamengo. Aprovada, a atacante passou a integrar as categorias de base do clube carioca. Estar no Mundial do Marrocos, porém, supera até mesmo o que imaginava quando começou a jogar na praça de seu bairro. “Para mim, estar nesse Mundial é além de tudo o que pensei. Para falar a verdade, eu não imaginava estar aqui, porque sempre foi tudo muito difícil. Mas, com o apoio da minha família, eu nunca desisti”, afirma.
Nicolly Manuel foi capitã do Brasil na partida contra Gana válida pela segunda rodada da fase de grupos da Copa do Mundo Sub-17 no MarrocosCréditos: Fabio Souza / CBF
A família por trás do sonho
Ao longo desse caminho, a mãe, Vânia, a avó e os irmãos tiveram papel fundamental. Nicolly destaca especialmente a presença da mãe, que a acompanhava nos treinos e acreditava em seu potencial desde o início. “Minha mãe me deu todo o apoio. Acho que ela viu alguma coisa em mim, porque nunca deixou de me apoiar. Ela me levava aos treinos, estava comigo em tudo”, relembra.
A torcida da família continua presente, agora a milhares de quilômetros de casa. Durante a Copa do Mundo Feminina Sub-17, no Marrocos, acompanham cada partida da atacante. “É com o coração saindo pela boca! Cada jogo é quase um infarto. Elas estão acompanhando todos os jogos, não perdem um”, ri ao contar.
Nicolly durante partida contra Noruega, válida pela terceira rodada da fase de grupos da Copa do Mundo Sub-17 no MarrocosCréditos: Fabio Souza / CBF
Da primeira convocação ao mundial
Com passagens pelo elenco Sub-20 do Flamengo e já com estreia na equipe profissional, Nicolly também começou a ganhar espaço nas categorias de base da Seleção Brasileira. A primeira convocação veio em 2025, para a equipe Sub-15. Naquele ano, participou da Liga Evolución, no Paraguai, e voltou para casa com o título. A conquista marcou o início de sua trajetória com a Amarelinha.
Em fevereiro de 2026, Nicolly recebeu sua primeira convocação para a Seleção Brasileira Sub-17, durante um período de preparação em Sergipe. Na sequência, foi chamada para disputar o Campeonato Sul-Americano da categoria, competição em que também conquistou o título com a equipe brasileira. Desde então, seguiu entre as convocadas da Amarelinha e deu mais um passo importante na carreira ao garantir presença na Copa do Mundo Sub-17. Durante o mundial, Nicolly marcou dois gols: um na goleada sobre o Canadá e outro no empate contra Gana.
Ao falar sobre a experiência de disputar a competição, a jogadora destacou a estrutura encontrada e a competitividade das equipes adversárias. “O que mais me surpreendeu aqui foi a estrutura e como as seleções são unidas e aguerridas. A fase de grupos foi bem desafiadora e o jogo das oitavas também.”
Agora, a Amarelinha se prepara para enfrentar a China, no próximo domingo (1º), pelas quartas de final, às 15h (horário de Brasília). Para Nicolly, a equipe precisa manter a entrega demonstrada até aqui. “Muita vontade, garra, jogar com o coração sempre. A gente vai dar tudo de si até o último minuto”, projeta.
