Baú da Seleção: Jefferson conta histórias do título mundial pela Seleção Sub-20 e relembra momentos marcantes

Baú da Seleção: Jefferson conta histórias do título mundial pela Seleção Sub-20 e relembra momentos marcantes

Goleiro exalta elenco de 2003, fala com felicidade sobre grandes defesas e diz que é grato por tudo que alcançou com a Seleção

Jefferson Jefferson
Créditos: Rafael Ribeiro / CBF

A camisa número 1 da Seleção Brasileira é repleta de histórias. Pela Amarelinha, diversos craques deixaram sua marca embaixo da meta. Entre eles, Jefferson de Oliveira Galvão, ou só Jefferson. Em entrevista exclusiva ao site da CBF, o ex-goleiro relembrou sua trajetória pela Seleção, desde o título mundial pela Seleção Sub-20, passando pela defesa de pênalti mais importante da sua vida, até a oportunidade de jogar uma Copa do Mundo.

A geração campeã mundial Sub-20, nos Emirados Árabes, em 2003, revelou grandes nomes do futebol brasileiro. O time contava com destaques como Daniel Alves, Fernandinho, Dudu Cearense, Adaílton, além do próprio Jefferson. Foram cinco vitórias, um empate e apenas uma derrota. Ao recordar esta campanha, o ex-goleiro exaltou a força do grupo e a importância desta conquista para o início da sua carreira.

“Era um elenco espetacular. Nós éramos cobrados como uma Seleção forte, já que muitos jogadores eram titulares em suas equipes. Por causa disso, nós nos fechamos de uma tal maneira porque sabíamos que o título teria que vir para o Brasil. A união e a determinação foram muito importantes, porque seria a nossa última competição com todos juntos no mesmo time. Para mim foi muito importante, porque foi depois deste título mundial, quando me reapresentei no Botafogo, que eu cheguei com outro respeito”, disse Jefferson

Seleção Sub-23 campeã mundial em 2003 Seleção Sub-23 campeã mundial em 2003
Créditos: FIFA

Antes de erguer a taça, a Seleção teve um duelo na semifinal contra o seu arquirrival: a Argentina. O confronto não era um jogo qualquer, já que os jovens jogadores brasileiros chegaram mordidos para aquela partida. No mesmo ano, o Brasil havia perdido duas decisões para os Hermanos. Nas finais do Sul-Americano e do Pan-Americano, os troféus foram para a Albiceleste, em partidas difíceis e disputadas. O jogo no Mundial não seria diferente, mas o desfecho sim: 1 a 0 para o Brasil.

“A rivalidade era tão grande que na semana do jogo tiveram algumas faíscas no alojamento e na fila do refeitório. O jogo já tinha começado no horário da janta, porque tiveram que apartar algumas situações. Nós sabíamos que eles estavam em vantagem em relação a gente, por causa das duas vitórias anteriores. Apesar de sabermos da ‘catimba’ deles, nós entramos muito pilhados e visando o título mundial. Não podíamos perder, foi um jogo bastante emocionante e graças a Deus nós vencemos”, contou.

Na final, a Espanha, e mais uma vitória por 1 a 0. A equipe europeia encantava pelo padrão tática mantido em todas as categorias que disputava. A decisão foi acirrada e o gol final, anotado por Fernandinho, saiu quase no apagar das luzes. O triunfo significou o quarto dos cinco canecos que a Seleção Sub-20 possui na competição. A imposição dos espanhóis durante os 90 minutos fez Jefferson lembrar de uma conversa que teve com Daniel Alves ainda em campo.

“A Espanha era impressionante porque o profissional e a base mantem o mesmo padrão de toque de bola, capacidade de envolver o adversário. Nós tivemos que correr muito naquela final. Eu lembro até hoje uma conversa com o Daniel Alves que eu falei ‘Cara, você tem que voltar’, e ele respondeu ‘Eu não aguento mais, não tem como’. Nós nos fechamos de uma tal maneira que isto prevaleceu”, relembrou o goleiro aos risos.

Primeira convocação para a Seleção Principal

Foi no dia 26 de julho de 2010 que Jefferson ouviu o seu nome ser chamado pela primeira vez para a Seleção Principal. O técnico era Mano Menezes e a convocação era para um jogo preparatório contra os Estados Unidos. A partir deste data, o atleta acumulou 22 partidas com a Amarelinha, além de quatro títulos. O goleiro lembra com carinho a emoção que sentiu junto à sua família, na sala de casa, por voltar a representar o seu país.

“Eu peguei um gostinho de representar o Brasil na Seleção Sub-20, e isto acabou sendo uma motivação para que eu nunca desistisse de chegar na Seleção Principal. Eu tive esta oportunidade com 26 anos, depois de seis anos sem vestir a famosa camisa amarela. Eu passei quatro anos na Turquia e sabia que a possibilidade de ser convocado era pequena. Um dos motivos para eu ter voltado para o Brasil foi este, estar sob a vista do técnico da Seleção. Eu estava com uma expectativa alta, pois estava bem no Botafogo e havíamos conquistado o estadual fazia pouco tempo. Quando eu escutei o meu nome na televisão, fiquei muito emocionado. Minha família estava comigo, todos choraram, pularam. No final, valeu a pena toda a dedicação e o esforço”, relatou o goleiro com alegria.

Jefferson em coletiva após uma de suas convocações para a Seleção Principal Jefferson em coletiva após uma de suas convocações para a Seleção Principal
Créditos: Rafael Ribeiro / CBF

Defesas para a história

O primeiro título pela Seleção Principal veio em 2011, no Superclássico das Américas contra o Argentina. Aliás, o clássico sul-americano tem grande importância na história do nosso personagem. Após dois títulos no mesmo torneio em anos seguidos, Jefferson viveu seu momento mais importante com a Amarelinha. Na vitória por 2 a 0, na China, o goleiro defendeu um pênalti de Lionel Messi, então melhor jogador do mundo pela FIFA. Uma defesa com sabor especial, além de valer mais um troféu para o Brasil.

“Na hora a ficha não cai, porque a adrenalina está alta demais. Eu estava buscando o meu espaço e nesse jogo eu tive a oportunidade de pegar uma cobrança de pênalti do Messi. Só que a repercussão foi muito grande, e ainda comentam sobre isso hoje em dia. Até aconteceu de crianças me reconhecerem na rua, depois de terem visto a defesa na televisão, e falarem para as suas mães: ‘Olha, o goleiro que pegou o pênalti do Messi’. Isso é bem legal, porque eu pude alcançar essa geração mais nova de uma outra maneira, por causa de um momento específico na minha carreira que vai ficar para sempre na história. Eu me orgulho muito de ter honrado o meu país e a Amarelinha”, falou Jefferson com emoção

Brasil 2-0 Argentina - Superclássico das Américas 2014 Brasil 2-0 Argentina - Superclássico das Américas 2014
Créditos: Rafael Ribeiro / CBF

Recentemente, em votação popular pelo site GloboEsporte.com, uma linda intervenção protagonizada pelo arqueiro foi premiada. Um momento de plasticidade, no limite da linha do gol, praticamente inalcançável, foi escolhido como a defesa mais importante da história da Seleção. O lance aconteceu em uma cabeçada de Benzema, em amistoso contra a França no Stade de France. Jefferson fala com gratidão da escolha dos brasileiros.

“Primeiro eu agradeço a Deus e as pessoas que participaram. Mesmo após a minha aposentadoria, o meu trabalho foi reconhecido. Foi realmente uma bela defesa, importante e corajosa. Fiquei muito feliz de ter ganhado esta votação. Falando do jogo, foi uma grande vitória por ter sido contra França e na casa deles. E jogar lá sempre traz antiga lembranças à tona. A partida foi difícil, complicada, saímos atrás placar, mas felizmente conseguimos a vitória”, afirmou.

Jefferson em partida contra a França Jefferson em partida contra a França
Créditos: Rafael Ribeiro / CBF

Ponto alto na carreira

Com uma história rica de grandes momentos, Jefferson afirma que o mais significante deles foi participar de uma Copa do Mundo. O goleiro foi convocado para o torneio de 2014, um ano depois de conquistar a Copa das Confederações, também no Brasil. Até hoje, ter participado da competição mais importante do futebol mundial é o maior orgulho dele:

“Sem dúvida nenhuma foi o auge da minha carreira no futebol. Para mim, foi uma oportunidade muito grande participar de uma Copa do Mundo. Eu já vi comentários de jogadores, que ganharam dois ou três Campeonatos Brasileiros, se lamentando por não terem disputado uma Copa pela Seleção. Esse tipo de declaração montra a grandeza que é representar o Brasil com a Amarelinha, e eu me sinto muito honrado de ter chegado nesse degrau, ainda mais através do Botafogo. Ter ganhado a Copa das Confederações também foi um dos ápices na minha trajetória. Aquele grupo era sensacional”.

Comemoração do título da Copa das Confederações 2013 Comemoração do título da Copa das Confederações 2013
Créditos: Rafael Ribeiro / CBF

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