
Kaylane estreou na Copa do Mundo no Marrocos como capitã da Seleção Brasileira Sub-17
Fabio Souza/CBFA faixa de capitã no braço esquerdo, placa de melhor jogadora da partida nas mãos e muitos sorrisos. Assim Kaylane encerrou a vitória da Seleção Brasileira Sub-17 sobre a China por 3 a 0 na última terça-feira (28), que garantiu o time nas quartas de final da Copa do Mundo no Marrocos. “Ter recebido a melhor jogadora da partida contra a China foi um orgulho, algo muito gratificante para mim. É um sonho de uma menina lá atrás que não imaginava que poderia estar vivendo isso aqui”, disse sorrindo. A braçadeira nesse mundial foi uma surpresa. Kaylane não esperava ser capitã. “A responsabilidade eu gosto, mas eu nunca tinha recebido antes. Estou preparada para tudo e Rilany me deu essa oportunidade. Ser líder é ser exemplo, é cuidar do ambiente dentro e fora de campo”, contou.
A camisa 10 da Amarelinha tem feito isso com naturalidade e a maturidade alcançada pelos desafios que encarou pelo sonho de jogar futebol. “Sou uma menina muito humilde. Nasci e cresci em Duque de Caxias, no Rio de Janeiro. Acho que de tudo aquilo que eu sonhei lá atrás estou conquistando aos pouquinhos. Sou uma menina que sonha muita e quer conquistar muitas coisas”, contou.
A trajetória de Kaylane começou cedo, ainda aos sete anos, na escolinha que o pai fundou, o Estrela da Primavera. De lá, seguiu para uma escola do Boca Júniors, onde viveu a primeira realização. “Lá eu recebia uma ajuda custo. Não era muito, uns 200 reais. Eu tinha uns 10 anos e comprei a minha primeira chuteira.” Depois veio o Fluminense, em parceria com o projeto Daminhas da Bola, até chegar ao Flamengo.
Kaylane foi capitã na partida contra China válida pelas oitavas de final da Copa do Mundo no MarrocosCréditos: Fabio Souza/CBF
O apoio que vem de casa
Toda a jornada de Kaylane teve uma base sólida: os pais. E é por eles, também, que Kaylane joga. “Chegar até aqui foi com muito sacrifício dos meus pais, que sempre me apoiaram. A gente pedia dinheiro emprestado para passagem, saía às cinco da manhã para eu jogar no clube, muitas vezes só jogava cinco minutos. Minha mãe fazia marmita, só arroz e feijão. Meus pais sempre procuraram dar o melhor, mesmo faltando para eles.”
Hoje, com o salário de atleta, ela tem orgulho em conseguir retribuir tudo que foi feito por ela. “Consigo ajudar a minha família a comprar o que precisa dentro de casa, comprar roupas e outras coisas. Fiquei muito feliz em ajudar meu pai a comprar um carro.” E ela segue com sonhos simples, mas cheios de significado. “Tenho vários sonhos. Dar o melhor para a minha família e conhecer vários países",revela.
Kaylane marca o primeiro gol para o Brasil na vitória por 3 a 0 sobre a China nas oitavas de final na Copa do Mundo Sub-17 no MarrocosCréditos: Fabio Souza/CBF
Seleção Brasileira
Em 2023, veio a primeira convocação para a Seleção Brasileira. “Foi algo muito gratificante, foi inesperado. Por mais que a gente sonhe, a gente nunca espera. Foi com a Sub-19, na Liga de Desenvolvimento, a primeira vez vestindo a camisa do Brasil.” Com 16 anos, Kaylane fala com muita serenidade sobre a responsabilidade de representar o pais mundial. Sabe que o futebol exige mais do que talento: pede resiliência. Depois da eliminação na fase de grupos na Copa do Mundo de 2024 na República Dominicana, ela destaca que o ambiente na atual campanha nesse mundial é especial. “A Copa do Mundo está sendo muito importante. A comissão e as atletas deixam tudo leve, confortável. Estamos unidas dentro e fora de campo. Do Mundial do ano passado para esse aprendi a ser mais madura, aprendi muitas coisas dentro e fora de campo também. Quando a gente perde é ruim, mas por outro lado você aprende a nunca desistir.”
Com essa mentalidade e determinação que Kaylane vai em busca da vaga inédita nas semifinais da Copa do Mundo com as companheiras de equipe. O Brasil vai enfrentar o Canadá no próximo sábado (01), às 12h30 (horário de Brasília).
