Nascida em Tabatinga (SP), Aline é uma das promessas do futebol brasileiro na Amarelinha. A trajetória da atacante começou no Sub-17. Se tornou campeã sul-americana e disputou os mundiais Sub-17 e Sub-20. A primeira convocação para seleção principal foi cedo, aos 17 anos. No entanto, foi aos 19 anos que Aline Gomes fez sua estreia como titular da Seleção Brasileira e em grande estilo. A atacante mostrou muita habilidade, explosão física, velocidade e personalidade em campo.
Em entrevista à CBF TV, Aline compartilhou as emoções dessa experiência, contou como é trabalhar com Arthur Elias, além de falar sobre sua relação com jogadoras que admira, como Adriana, e sobre a parceria de longa data com Dudinha. Ela também revelou o grande sonho com a Amarelinha.
Aline estreou como titular em amistoso contra Austrália em Brisbane (AUS)Créditos: Rafael Ribeiro/CBF
CBF TV - Como foi sua estreia como titular? Você estava muito à vontade em campo, fez uma grande apresentação e dificultou a marcação das adversárias.
Eu estava falando com a Portilho antes, no comecinho, quando a gente já estava no campo para entrar e eu estava sentindo um pouco estranha. Eu falei “nossa, acho que eu estou um pouquinho nervosa ainda”. Aí ela falou para mim, “não, vai leve, joga seu futebol, se você errar, a gente vai estar ali correndo para você, todo mundo junto”. E isso me confortou muito. Então pensei “eu acho que é isso então, vou jogar futebol”. E foi exatamente isso, deu tudo certo ali, consegui ir bem na partida. Todo mundo falou comigo depois que eu fui bem, fiquei muito feliz com isso. E eu estava ali mesmo para ajudar o Brasil, para ser melhor e a gente conseguir sair com vitória.
CBF TV - E esse momento com a Dudinha? Vocês jogam desde a Seleção Sub-17. Hoje estão aqui na Seleção Principal. Primeira vez juntas.
A gente tá desde o ciclo de 2021, a minha primeira convocação, com a Sub-17. Então ali a gente pegou uma amizade muito boa. A gente esteve no Sul-americano, teve um Mundial, e a gente sempre conectava. Sempre estando juntas. Quando a gente fazia gol, comemoravámos juntas. Então isso eu acho que é muito legal, e tá aqui na seleção de futebol, que eu acredito que é onde todas as atletas querem chegar. É uma sensação inexplicável a gente treinando juntas. Não tivemos a oportunidade de jogar mas acho que isso não vai faltar. O Arthur coloca todo mundo pra jogar, dá rodagem, então espero ainda ter uma oportunidade de estar com ela pra gente lembrar dos tempos da Sub-17.
Aline Gomes e Dudinha: parceria desde a Seleção Sub-17Créditos: CONMEBOL
CBF TV - Você tem a Adriana como uma referência. Essa é a segunda vez que vocês estão justas na Seleção. Como é para você estar com alguém que você admira tanto?
Eu ainda falo que nunca é normal estar do lado dela, que eu sempre assistia na televisão. A minha referência máxima. A gente está ali junto, na mesa, todos os dias ali pertinho, conversando, eu fico, tipo, 'a amiga da Adriana'. Eu nunca imaginei isso na minha vida. E ela entrou no jogo também, a gente conseguiu fazer algumas conexões ali, teve até um lance muito bom, que ela pediu a bola. Eu fingi que ia receber a bola, eu deixei a bola passar, a gente correu junto ali lado a lado. Para mim ainda não é muito normal, mas eu estou tentando fingir costume de estar ali perto dela, estar com ela vendo todos os dias.
Aline e Adriana estiveram juntas na Copa do Mundo na Austrália em 2023
CBF TV -Como é trabalhar com o Arthur Elias? Você foi convocada em fevereiro para a Copa Ouro e agora está tendo a segunda oportunidade.
Bom, é um cara inteligentíssimo. Acho que deu pra perceber no jogo, até nas nossas reuniões que nós temos. No jogo que a gente fez um modelo que até surpreendeu todo mundo, né? Elas não conseguiram marcar e a gente conseguiu fazer dois gols muito rápido. E também quero destacar essa oportunidade que ele dá pra todo mundo. Então acho que, como a gente fala assim no nosso meio futebolístico, que é muito fácil jogar com ele, né? Essa oportunidade que ele dá, essa visão de jogo, essa conversa que ele tem sempre antes, pós-treino, pós-jogo, acho que isso facilita muito pra quem vai jogar e dá uma confiança a mais.
CBF TV -A convocação para os amistosos na Austrália te trouxe para o lugar onde você viveu sua primeira convocação para uma Copa do Mundo com a Seleção Principal. Você foi chamada como suplente, mas participou de toda preparação antes da estreia.
Aquela convocação foi como se eu tivesse mudado a minha vida, né? Foi uma convocação para a Copa do Mundo. O resultado, com certeza, não foi o que a gente esperava, mas eu pude fazer 18 anos aqui, foi a primeira vez que eu vi a Marta de perto, convivi com ela , com a Debinha também e as meninas que eu assistia sempre na televisão. Então foi uma experiência muito boa, apesar de eu ter vindo como suplente, ter ficado menos dias do que as meninas. Mas eu vivi como se fosse a oportunidade da minha vida e foi para que mudasse tudo. Então estar aqui hoje de novo e ter começado uma partida de titular, ter ido super bem na partida, quebrar um tabu de 8 anos sem vencer a Austrália foi super importante, histórico e já estar marcado na minha carreira. Muito legal ter voltado pra cá e fazer a história diferente dessa vez, né? Espero também ganhar o próximo jogo que vai ser só complemento do que já aconteceu.
CBF TV - Falando em “fazer história”, qual história você quer construir com Seleção?
Agora com o meu retorno, eu vim na primeira convocação do ano, agora estou vindo na última, então considerando essa volta, espero permanecer. A história mesmo que eu quero é ser campeã da Copa do Mundo, em 2027, no Brasil.
