50 anos do Tri: Brasil larga com vitória sobre a Tchecoslováquia na Copa

50 anos do Tri: Copa do Mundo de 1970

Estádio Jalisco, Guadalajara (MEX) Quarta, 03 de Junho de 2020 16:00
Brasil

Brasil

Tchecoslováquia

Tchecoslováquia

Relembre a estreia

50 anos do Tri: Brasil larga com vitória sobre a Tchecoslováquia na Copa

Há 50 anos, Brasil derrotava a Tchecoslováquia na estreia da Copa do Mundo de 1970. Os gols brasileiros foram marcados por Rivellino, Pelé e Jairzinho (2).

A série "50 anos do Tri" relembra, em crônicas e reportagens, a conquista da Copa do Mundo de 1970 pela Seleção Brasileira. Serão várias publicações ao longo do mês de junho, que marca o aniversário do terceiro título mundial do Brasil.

Há 50 anos, o Brasil estreava com o pé direito na Copa do Mundo de 1970. No Estádio Jalisco, em Guadalajara, a Seleção Brasileira derrotou a Tchecoslováquia por 4 a 1, de virada, e largou bem na campanha rumo ao tricampeonato mundial. Os gols do Brasil foram marcados por Rivellino, Pelé e Jairzinho (2).

Logo na primeira partida da Copa do Mundo, o Brasil enfrentou os adversários da final do Mundial de 1962. As duas equipes compuseram o Grupo 3 do torneio, junto com a Inglaterra e a Romênia. Oito anos depois, porém, a Seleção Brasileira havia se renovado completamente. Dos 11 titulares da final, nenhum estava no México como jogador. O único remanescente era Mario Zagallo, que agora ocupava o cargo de técnico. Machucado naquela decisão, Pelé estava de volta para liderar o Brasil pela última vez dentro de campo.

O início da Seleção não foi dos melhores. Logo aos 11 minutos do primeiro tempo, o Brasil foi surpreendido. Em grande arrancada, Petras deixou Brito para trás e estufou a rede de Félix. O escrete Canarinho, que já vinha de uma campanha decepcionante na Copa de 1966, não começava bem. Não demorou, no entanto, para os brasileiros reagirem.

Aos 24 minutos, Pelé recebeu bola no meio-campo e, com o corpo, deixou o primeiro tcheco para trás. Em seguida, avançou e tabelou com Tostão, antes de sofrer falta na entrada da área. O Rei até se posicionou para a cobrança, mas foi dos pés de Rivellino que saiu o empate do Brasil. Uma finalização forte, à meia altura, no canto do goleiro mas inapelável. Ali, o mundo conhecia o poder da Patada Atômica, apelido que ganhou o chute de Riva após esse golaço.

Brasil 4 x 1 Tchecoslováquia em 1970 Tostão e Pelé em campo na estreia contra a Tchecoslováquia
Créditos: Acervo CBF

A virada do Brasil quase saiu antes do intervalo. Mas o lance foi tão genial que, mesmo sem alterar o placar, entrou para a história. Na intermediária brasileira, Clodoaldo deu um bote certeiro e desarmou o ataque da Tchecoslováquia. A bola caiu nos pés de Pelé, que viu o goleiro adiantado e, de trás da linha que divide o gramado, chutou. A bola viajou mais de 50 metros no ar do Jalisco antes de cair a centímetros da trave esquerda do goleiro Viktor. A jogada tirou o fôlego de todos os presentes. Apesar de não balançar as redes, foi comemorada, exaltada, por quem sabia que estava testemunhando ali um momento histórico do futebol mundial.

Se não saiu nessa jogada, o gol de Pelé não tardaria a chegar. Na volta para o intervalo, o Brasil continuou pressionando em busca da virada. Aos 14 minutos da segunda etapa, uma combinação de craques resultaria no segundo gol da Seleção. Gerson recebeu a bola próximo ao círculo central. Com a famosa Canhotinha de Ouro, lançou para o Rei. Sua Majestade, já na grande área, subiu muito e quase parou no ar para matar a bola no peito e finalizar na sequência. 2 a 1 para o Brasil.

A genialidade de Gerson voltaria a aparecer dois minutos depois. O meia novamente usou seu lançamento para encontrar um atacante brasileiro. Desta vez, foi Jairzinho quem apareceu livre para, sem dominar, encobrir o goleiro Viktor e completar para o gol vazio. Começava ali a saga do Furacão da Copa, que marcaria em todas as partidas daquele Mundial.

Logo depois desse gol, a Seleção viveu um momento de apreensão. Com uma lesão na coxa direita, Gerson caiu sobre o gramado e teve que ser substituído por Paulo Cezar Caju. A contusão muscular colocava em dúvida a participação do meia no duelo contra a Inglaterra e poderia trazer problemas para a equipe na sequência do Mundial.

Com Caju em campo, o Brasil conseguiu administrar bem a partida. Quando acalmou os ânimos, ampliou a vantagem. O placar ficou completo aos 38 do segundo tempo. Dessa vez em jogada individual, Jairzinho deu números finais à partida. O camisa 7 recebeu de Pelé na intermediária de ataque, passou por três defensores e bateu no canto do goleiro. Vitória definida: 4 a 1 e um começo categórico para a Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1970.

BRASIL 4 X 1 TCHECOSLOVÁQUIA - COPA DO MUNDO DE 1970

Brasil: Félix; Carlos Alberto Torres, Brito, Piazza e Everaldo; Clodoaldo e Gérson (Paulo Cezar, 62); Jairzinho, Tostão, Pelé  e Rivellino. Técnico: Zagallo.

Tchecoslováquia: Vitkor; Dobias, Horvath, Migas e Hagara; Kuna, Hrdlicka (Kvasnak, 46); Frantisek Vesely (Bohumil Vesely, 75), Petras, Adamec e Jokl. Técnico: Josef Marko

Gols: Petras (11), Rivellino (24), Pelé (59) e Jairzinho (61, 83)

CA: Gerson, Tostão, Horvath

Você sabia?


- A partida entre Brasil e Tchecoslováquia repetiu o duelo da decisão da Copa do Mundo de 1962. Ao longo do Mundial, o Brasil ainda reencontraria o Uruguai, rival na final da Copa de 1950.

- Por três minutos, Pelé não se tornou o primeiro jogador a marcar em quatro Copas do Mundo (1958, 1962, 1966 e 1970). Quando o Rei balançou as redes da Tchecoslováquia, o alemão Uwe Seeler acabara de realizar o feito em sua estreia no Mundial.

- O Brasil chegou à estreia da Copa do Mundo com 100% de aproveitamento nas Eliminatórias. Aquela Seleção é, até hoje, o único time que ganhou todos os jogos nas Eliminatórias e no Mundial.

Há 50 anos...


Os jornais brasileiros tratavam o grupo da Seleção como o mais complicado em todo o Mundial. No dia do sorteio, o Correio da Manhã, de Porto Alegre, destacou a "pouca sorte" do Brasil por cair na mesma chave da Tchecoslováquia, da Romênia e da Inglaterra, que tentava a defesa do título conquistado em 1966. Técnico da Seleção no momento do sorteio, João Saldanha destacou o tamanho do desafio do Brasil:

- Quando o touro investe, tem-se que enfrentá-lo de qualquer maneira. Já esperava uma chave difícil, mas teríamos que enfrentar estes adversários mais cedo ou mais tarde. Para ser campeão mundial, um time tem que vencer todos os outros, não importa a ordem.

Capa do Jornal O Globo na véspera da estreia da Seleção na Copa do Mundo de 1970 Precaução e novidade na escalação: a véspera de Brasil x Tchecoslováquia
Créditos: Acervo O Globo

Na véspera da partida, o Jornal O Globo, do Rio de Janeiro, destacou a estreia do Brasil e a primeira transmissão ao vivo de um jogo de Copa do Mundo. "O Brasil todo vai parar, colado aos rádios ou em frente às tevês: é a primeira vez que um jogo da seleção "canarinho" numa Copa terá transmissão direta pela TV", destacou a publicação.

À época, havia algumas críticas sobre o esquema escolhido pelo técnico Zagallo, que fez mudanças importantes antes da disputa do Mundial. A dúvida para a estreia estava por conta da condição física do lateral Marco Antônio. No último treino antes do duelo com a Tchecoslováquia, Zagallo confirmou a entrada de Everaldo como seu substituto.

Após o jogo, no entanto, a preocupação se transformou em euforia. No Correio da Manhã, o relato de José Trajano destacava a magnífica exibição de Pelé. Jorge Arbex, por outro lado, destacou a apreensão de Zagallo com a saída de Gerson, após sentir a coxa direita. Mas no geral, as publicações eram só elogios à atuação da Seleção Brasileira. Como destacou o próprio O Globo, em letras garrafais: "Fúria e técnica esmagam tchecos".

Capa do Jornal O Globo após vitória da Seleção contra a Tchecoslováquia na Copa do Mundo de 1970 Manchete do Jornal O Globo após a vitória do Brasil
Créditos: Acervo O Globo

PATROCINADORES

Seleção Brasileira Nike Itaú VIVO Guaraná Antártica Mastercard GOL CIMED Semp TCL FIAT 3 Corações Techno GYM STAT Sports