Raízes da Seleção: Willian, o futebol e uma relação entre mãe e filho

Raízes da Seleção: Willian, o futebol e uma relação entre mãe e filho

Meia da Seleção Brasileira viveu momento de profunda emoção durante as Eliminatórias da Copa do Mundo de 2018

Willian no Raízes da Seleção

Créditos: Lucas Figueiredo/CBF

A cidade de Mérida estava agitada para a partida entre Brasil e Venezuela. Cheio, o estádio Metropolitano esperava o duelo entre a Vinotinto e a Seleção Brasileira pelas Eliminatórias da Copa. Mas nada disso parecia importar para Willian. O meia, que seria titular em questão de minutos, tentava se concentrar no vestiário, mas tudo dava a crer que o futebol seria só um detalhe naquele dia.

Ao mesmo tempo em que seu filho terminava o trabalho de aquecimento na Venezuela, Dona Zezé travava mais um dia de uma batalha árdua contra um tumor na cabeça. Mas o futebol não é uma coisa simples. É um esporte fascinante, que tem essa incrível teimosia de escrever história atrás de história. E abrilhantou a noite de Willian. Ele foi titular, participou da vitória do Brasil e marcou, no início do segundo tempo, o gol que sacramentou o triunfo. Debaixo de um temporal, não se afundou em lágrimas, mas sorriu, como Dona Zezé tanto gostava de ver. No dia seguinte, ela faleceu. Willian ainda não sabia, mas se tratava de uma das despedidas mais bonitas que poderia oferecer à sua mãe.

– Esse momento foi bem difícil para mim. Às vezes as pessoas dizem que conseguem separar e não levar para dentro de campo, mas é impossível quando acontece algo desse tipo. Procurei me apegar bastante em Deus, nas pessoas próximas a mim, minha esposa, minhas filhas, meu pai, amigo... As próprias pessoas aqui da Seleção me ajudaram muito. Só Deus mesmo para dar graça e nos dar força. Eu fiz um gol naquele jogo e dediquei para ela. Depois, ela infelizmente acabou falecendo. Soube que ela estava vendo o jogo, que na hora que eu fiz o gol ficou muito emocionada. Foi um último adeus dela – lembrou.

Willian - Venezuela x Brasil pelas Eliminatórias da Copa 2018 Willian sorri após marcar contra a Venezuela, em 2016
Créditos: Lucas Figueiredo/CBF

O modo que o destino escolheu para a despedida entre Willian e Dona Zezé foi simbólico. Se hoje o menino se transformou em um jogador de alto nível, que representa a Seleção Brasileira, muito se deve ao esforço dela. O futebol esteve na vida de Willian. Desde sua infância em Ribeirão Pires, no ABC Paulista, a bola era sua principal diversão. Aos quatro anos, começou a levar o lazer mais a sério e passou a jogar futebol de salão. Não demorou para se arriscar no campo e chamar a atenção do clube de seu coração: o Corinthians.

Matriculado na escola do ídolo Marcelinho Carioca, em Santo André, Willian fez um amistoso contra o Alvinegro. Seu time foi derrotado, mas a partida foi uma vitória e tanto para o menino de nove anos. Após o jogo, o auxiliar do Timão procurou sua família e demonstrou o interesse do Timão em contar com o futebol do jovem. A porta estava aberta para que o sonho se realizasse e, por mais obstáculos que se apresentassem, Willian recebeu o apoio mais importante naquele momento.

– Vim de uma família humilde, meus pais sempre trabalharam, fizeram de tudo pra colocar o alimento dentro de casa, pra dar uma situação melhor para mim e para minha irmã. Eles não queriam me deixar morar em alojamento, então nos mudamos para São Paulo. Sempre houve aquela desconfiança, até por gente da família mesmo, de questionar por que estávamos fazendo aquilo, que poderia não dar certo. Largamos tudo por um sonho meu. Eles sempre acreditaram e respondiam que se não desse certo a gente voltaria sem problema algum – recordou.

O sonho de Willian não só se materializou, como ultrapassou qualquer meta imaginada. Na Europa há mais de uma década, o meia não cansa de orgulhar a todos que permitiram que ele corresse atrás do que queria. Nesta Copa América, defende a Seleção Brasileira, como faz desde que começou a ser convocado, em 2011. Com uma diferença: pela primeira vez, vestirá a camisa 10 da Seleção. Tudo isso mexe muito com ele. Willian defende o Brasil como se fosse ainda aquele moleque de Ribeirão Pires, que conquistou o que sonhou e honrou quem tanto lutou por ele. 

– (Vestir a camisa 10) É um sentimento único, um privilégio, poder vestir a camisa 10 de muitos craques. Muitos jogadores já vestiram, inclusive o maior de todos, o Pelé. É um momento de muito orgulho, infelizmente por uma causa da qual a gente não gosta (lesão do Neymar), mas é um sentimento de muito orgulho poder vestir esse número – concluiu.

Retrato Willian Willian veste a camisa 10 da Seleção Brasileira pela primeira vez
Créditos: Lucas Figueiredo/CBF

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