Raízes da Seleção: O pé no chão e a origem do capixaba Richarlison

Raízes da Seleção: O pé no chão e a origem do capixaba Richarlison

Criado na roça, atacante da Seleção Brasileira disputa cada partida como se fosse uma final. E é isso que faz dele um jogador tão especial

Richarlison Richarlison
Créditos: Lucas Figueiredo/CBF

Com pouco mais de 50 mil habitantes, Nova Venécia é um pequeno município no interior do Espírito Santo. Desconhecida para boa parte do país, a cidade virou assunto nos principais veículos de comunicação do Brasil no último mês de maio. Mundo afora, a imagem de um filho orgulhoso de sua origem ganhava as redes sociais, os canais de televisão e o coração dos torcedores. O nome dele? Richarlison.

Foi lá que o jovem atacante acompanhou, atônito, a convocação da Seleção Brasileira para a Copa América. Cercado por familiares e amigos, ouviu Tite chamar os jogadores nome a nome. Quando o capixaba foi chamado, Nova Venécia explodiu. Sentado no chão da casa de sua avó, Richarlison saiu correndo entre crianças que o têm como ídolo. Viveu ali um dos dias mais emocionantes de sua vida, e não havia local mais apropriado para isso.

- Aquela casa lá foi a primeira casa que eu comprei quando virei jogador profissional, para tirar a minha minha vó do aluguel. Quando tem data festiva, a gente vai para a casa lá porque tem um quintal grande, dá para a criançada brincar e para reunir toda a família - disse.

Mesmo com pouco tempo de carreira, Richarlison já se tornou inspiração para muitas crianças brasileiras. Seu jeito bem humorado gera uma identificação fácil com os jovens. Em Nova Venécia, então, é tratado como um rei pelas crianças. Por onde anda, é reverenciado e tenta atender a todos.

Quando voltou para casa após a temporada europeia, visitou a quadra de futebol de salão onde tudo começou. E foi surpreendido com uma massa de crianças e adolescentes doidos para vê-lo.

- Todo mundo tem sua parte criança né? Eu não sou diferente. Gosto muito de criança porque é um amor puro. Quando vejo uma criança, fico sempre atento se chamam o meu nome, se pedem autógrafo, porque não vou negar nunca. Quando eu era criança, era maluco para ganhar um autógrafo, uma chuteira, uma camisa de algum jogador, e eu nunca tive essa oportunidade. Então agora eu não penso duas vez e trato com o maior carinho - recordou.

Defender a Seleção Brasileira sempre foi um sonho para Richarlison. Durante a infância, teve ídolos como Ronaldo. No começo como jogador, também se espelhou em Neymar. Chegou até mesmo a usar o cabelo moicano, comprar uma chuteira parecida. Mas não teve espelho maior na vida de Richarlison do que Antônio Carlos, seu pai.

É um craque da várzea e da vida. O pequeno Richarlison acompanhava atento Às jogadas do pai em campo. Sonhava um dia ser tão habilidoso como ele. Em casa, também não passava despercebida a luta de Antônio para garantir uma vida digna para o filho. Em um dos momentos mais tristes desta batalha diária, Richarlison prometeu a si mesmo que mudaria o destino da família.

- Era Natal, fomos comemorar na casa do meu pai, porque ele morava na roça. Eu e meus primos fomos pescar e o dono da propriedade tinha falado para o meu pai para não pescar em uma reserva lá, onde tinham os peixes que ele tratava. Não estávamos pescando nada, eu estava com o anzol e coloquei nessa represa “proibida”. Pegamos um peixe e o dono viu. Foi aí que ele começou a humilhar meu pai na nossa frente, ameaçou tirá-lo de casa, dizendo que iria morar na rua. Fiquei sem palavras. Fui chorar no quarto. Meu pai falou que isso ia passar, mas depois eu conversei com o meu tio e disse que isso não ia ficar assim, que ia conseguir a casa para o meu pai e tirar ele daquela vida - lembrou.

Apesar das dificuldades pelas quais teve que passar, Richarlison leva a vida com muita leveza. Sabe que cada dia precisa ser tratado como se fosse o último, e desfruta de cada momento que tem com a Seleção Brasileira. É justamente essa forma de encarar a vida que faz dele um jogador tão especial.

Depois de tantos percalços, ganhou fama, tornou-se jogador profissional, transferiu-se para o Everton, da Inglaterra, foi convocado para a Seleção Brasileira. Mas nada disso muda sua personalidade. Enquanto realiza seus sonhos, Richarlison sente como se estivesse jogando suas peladas em Nova Venécia, batendo bola com seu pai no interior do Espírito Santo.

- Só consigo pensar em jogar, acho que isso faz muita diferença. Podem ter 200 mil em um estádio e isso não faz diferença para mim. O mais importante é estar ali jogando e pode ser contra qualquer equipe, qualquer seleção, que eu vou dar o meu máximo. Fico solto e livre. Sempre joguei por amor. Levo cada jogo como se fosse uma final, porque quando eu era criança, era maluco para estar jogando em um estádio lotado. Hoje, tenho a oportunidade. Por isso, quero fazer meu melhor, mostrar meu futebol e evoluir - finalizou.

Retrato Richarlison Richarlison disputa sua primeira competição oficial com a Seleção
Créditos: Lucas Figueiredo/CBF

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