Raízes da Seleção: 'Fênix da poeira', Daniel Alves sonha com mais um título com o Brasil

Raízes da Seleção: 'Fênix da poeira', Daniel Alves sonha com mais um título com o Brasil

Jogador mais experiente da Seleção Brasileira, Daniel Alves lembra começo difícil no futebol e quer continuar sonhando com a Amarelinha

Daniel Alves no Raízes da Seleção

Créditos: Lucas Figueiredo/CBF

Parte da mitologia grega, a fábula da fênix conta a história de uma ave lendária que, ao morrer, incendeia o próprio corpo. Passado um tempo, ressurge das próprias cinzas, ainda mais forte. Mas o que isso tem a ver com a Seleção Brasileira? Foi bem longe da Grécia, em um povoado de Juazeiro, na Bahia, que se iniciou a lenda de Daniel Alves; um jogador de futebol que, como o ser mitológico grego, usa as próprias dificuldades como combustível. Pelo menos foi assim que ele mesmo se definiu.

– Eu me considero um fênix, mas que sai da poeira. De onde eu vim, só tinha poeira, não tinha muita cinza, não (risos).

A conversa com Daniel Alves nunca é simples. Com a mente aberta e a cabeça fresca, o lateral já cruzou o mundo com o futebol, e não tem medo de expor as impressões que essa vida lhe deixou. Do alto de seus 36 anos de idade, Dani mantém o espírito de quando era um jovem tentando vencer a batalha pela própria sobrevivência.

Afinal, o futebol nem sempre foi uma certeza para ele. Antes de firmar carreira nas categorias de base do Bahia, precisou pular de bico em bico para se manter e ajudar o sustento da família de Seu Domingos. De figurante de filme a vendedor de geladinho, Daniel nunca disse não para as oportunidades que a vida lhe apresentou. E foi recompensado.

– É como a música do Zeca Pagodinho, eu já fiz de quase tudo nessa vida... Fui predestinado a ser um atleta profissional, fazer uma carreira brilhante, graças a minha dedicação e a fé que tenho. Sinceramente, é um grande privilégio poder falar de tudo o que vivi. É uma demonstração que não se tem barreira quando se dedica e se quer mesmo. Eu sou uma prova viva disso. Vim do interior da Bahia, de um povoado muito pequeno e precário. Mas a minha vontade era gigantesca e algo dentro de mim dizia que eu ia ser importante – frisou.

Mesmo diante de certas dificuldades na base do Bahia, Daniel persistiu. Morando em Salvador, no alojamento do Esquadrão de Aço, chegou a pensar que não teria futuro, que talvez aquilo não fosse para ele. Mas não tem nada na vida que ele não lide com o peito aberto e o sorriso no rosto. Em meio à adversidade, enfrentando o que fosse necessário, Daniel Alves triunfou.

Revelado pelo Bahia, se aventurou muito cedo no futebol europeu. Transferiu-se para o Sevilha, da Espanha, com pouco mais de um ano de carreira como profissional. Foi lá que a história dele ganhou asas e se realizou, com a agradável sina de ser campeão. Fez história no Barcelona, passou pela Juventus e agora defende o Paris Saint-Germain. Em comum, os títulos e as convocações para a Seleção Brasileira, que começou a defender em 2006.

Até o momento, são 39 títulos na carreira, que fazem dele o jogador com mais conquistas na história do futebol. Mas nada é capaz de tirar seu apetite. E é pensando no 40º que ele chega para a disputa da Copa América, desta vez como capitão.

– Não tem jeito, alguém tem que ser o coroa, né? Mas não é o que você conseguiu, é a vontade de seguir conseguindo. Essa chama continua acesa e está ardendo neste momento. Tive de superar uma coisa muito grave para um atleta (a lesão). Com foco, dedicação, a gente consegue. Estou outra vez na estrada e preparado para comer poeira.

Entre tantas conquistas, uma ainda vive na memória dele. Quando ganhou a Liga dos Campeões da Europa em 2015, com o Barcelona, Daniel Alves viu a ficha cair. No gramado do Estádio Olímpico de Berlim, abraçou seu pai, que via pela primeira vez seu filho vencer a Champions pessoalmente. Juntos, posaram para uma foto com a taça, que representa praticamente tudo para Daniel. 

Está tudo ali. Daniel, a sua persistência, a capacidade de vencer, o laço com a família e a humildade para reconhecer, em um momento de tanta glória, quem realmente importa. E é para repetir cenas como essa que Daniel Alves não para de lutar e, quando ninguém mais imagina ser possível, ressurge como se fosse, mesmo, uma fênix.

– Eu prometi para meu pai: se voltasse para casa para dar um abraço nele, seria de comemoração. Ele me ensinou que a gente tem que persistir no que a gente quer. Tive um exemplo em casa na prática, em vez da teoria, e isso eu aplico hoje. Eu sou muito objetivo, não gosto de dar voltas. Vou à solução, não ao problema. Tudo isso graças ao Seu Domingo, guerreiro nosso de cada dia. Se Deus quiser, vamos poder comemorar juntos mais uma vez. Sonhar é grátis, e eu prometo que vou sonhar muito ainda.

Retratos Daniel Alves Daniel Alves mantém o espírito elevado e a mente aberta para os próximos desafios com a Seleção
Créditos: Lucas Figueiredo/CBF

PATROCINADORES

Seleção Brasileira