Ídolo no Benfica, Jonas faz balanço da carreira: "Feliz e realizado"

Ídolo no Benfica, Jonas faz balanço da carreira: "Feliz e realizado"

Após anos bem sucedidos atuando pelo Benfica, jogador anunciou sua aposentadoria dos gramados neste mês

Jonas anunciou sua aposentadoria aos 35 anos

Créditos: Divulgação/Site Oficial Benfica

Ser jogador de futebol é um sonho de muitas crianças pelo mundo. Mas, e quando esse desejo se torna realidade, o menino vira profissional, conquista títulos e encerra a carreira como ídolo de um clube, qual a sensação? Agora ex-atleta, Jonas viveu cada uma dessas experiências. O atacante, revelado pelo Guarani-SP, com passagens por Santos, Portuguesa, Grêmio e Valencia-ESP, e que fez história com a camisa do Benfica-POR, anunciou sua aposentadoria dos gramados aos 35 anos. 

— Sensação de dever cumprido, um sentimento muito bom por ter feito tudo o que estava ao meu alcance e da melhor maneira que eu podia. O balanço é positivo, com títulos coletivos, prêmios individuais, consegui vestir a camiseta da Seleção Brasileira. Tenho muito orgulho de ter sido convocado, de ter feito gols com a camisa do meu país. Paro feliz. Realizado — disse o brasileiro, em entrevista ao site da CBF.

O futebol sempre esteve presente na vida de Jonas. Mas até que a brincadeira de moleque virasse coisa séria, o caminho não foi fácil. E se não fosse pela insistência do pai, talvez a história tivesse tomado outros rumos. 

— Passei a infância jogando bola na rua. O sonho do meu pai era que um dos três filhos virasse jogador profissional, então sempre tivemos muito incentivo lá em casa. Aí fui crescendo e nunca parei de jogar, brincando ou competindo por clubes da minha região. Mas quase que não acontece (risos) — brincou o ex-atacante antes de explicar os motivos.

— Eu cheguei a ir duas vezes a Campinas para treinar no Guarani, quando tinha 12 e 15 anos, mas sentia saudade de casa e pedia para voltar. Tinha um treinador lá que acreditava muito em mim, o Donizeti. E ele insistia com a minha família para que eu fosse para o Guarani, mas não tinha jeito. Eu cheguei a desistir. Fiz vestibular, passei em Farmácia, meu irmão é farmacêutico e já tinha a farmácia dele lá em Taíuva, tem até hoje. Cursei dois anos. Mas meu pai nunca desistiu e pediu para eu tentar mais uma vez. Como eu já estava mais velho e acostumado a morar fora de casa, porque a universidade ficava em Araraquara, eu fui. E deu certo. Cheguei com 19 anos, quase estourando a idade de júnior e fiquei.

A partir daí a carreira de jogador, enfim, começou. No Brasil, além do Guarani, também jogou no Santos, na Portuguesa e no Grêmio. Mas foi na Europa que Jonas viveu seus melhores anos. No Valencia, da Espanha, deu seus primeiros passos no Velho Continente e lá ficou de 2011 a 2014. 

Jonas jogou no Valencia de 2011 a 2014 antes de se transferir para o Benfica Jonas jogou no Valencia de 2011 a 2014 antes de se transferir para o Benfica
Créditos: Lázaro de la Peña/Valencia CF

Do time espanhol se transferiu para o Benfica, em setembro de 2014. Uma decisão que mudou sua história. Tornou-se ídolo do clube português e criou uma identificação com a torcida que foi além das quatro linhas. 

— É uma relação de amor. Aqui em Portugal, aconteceu tudo muito rápido. Logo na minha estreia, entrei no segundo tempo e fiz um gol. E foi tudo acontecendo de forma maravilhosa. Gols, títulos, ambientação, grandes amigos. Foi em Lisboa que conheci o Luisão, um dos melhores amigos que fiz no futebol. Sem falar que foram os melhores anos da minha carreira. Quando saio na rua vejo o respeito que as pessoas têm por mim, o carinho como me tratam. Foi uma relação construída ao longo desses cinco anos e só posso dizer que todo esse sentimento é recíproco — relatou.

No dia 18 de maio de 2019, no encerramento do Campeonato Português contra o Santa Clara, vestiu a camisa do Benfica, em uma partida oficial, pela última vez. Assim como em sua estreia entrou no segundo tempo da partida, não fez gol, mas ao apito final comemorou mais um título pelo clube. 

— Foi muita emoção. Passou um filme na cabeça. As dificuldades da carreira, os gols, os títulos, aquele barulho do Estádio da Luz, a torcida gritando meu nome. Chego a me arrepiar só de falar. Foi incrível. E ali eu sabia que estava chegando ao fim. Estava bem perto de tomar a decisão.

Jonas entrou no segundo tempo e balançou as redes duas vezes no Estádio da Luz Jonas vestiu a camisa do Benfica em 182 partidas oficiais e fez 137 gols
Créditos: Divulgação/Site Oficial Benfica

Ao fim de cinco temporadas, o saldo em solo português ficou assim: quatro títulos do campeonato nacional, uma Taça de Portugal, duas Taças da Liga e duas Supertaças. Jogou 182 jogos, fez 137 gols e deu 35 assistências. Foi artilheiro do Campeonato Português nas temporadas 2015/16 e 2017/18 e eleito o melhor jogador da competição por duas vezes (2014/15 e 2015/16). Mas entre as conquistas, uma tem um lugar especial na memória do ex-atacante. 

— É difícil escolher um. Mas talvez seja o primeiro título que eu conquistei aqui em Portugal, o do Campeonato Português, porque estava vindo do Valencia desacreditado. Cheguei no Benfica, fiz muitos gols e fui campeão — comentou Jonas, que ainda falou sobre como foi tomar a difícil decisão de pendurar as chuteiras. 

— A condição física foi o que pesou na minha decisão. Eu sabia que não conseguiria render em alto nível, que não conseguiria estar à altura da exigência do Benfica. Então decidi parar e ficar ao lado da minha família. Estou fora do meu país desde 2011, voltar para a casa vai ser algo muito bom. Primeiro vou descansar. Esse final foi muito intenso. Eu quero estar perto dos meus pais, dos meus familiares, dos meus amigos. Agora vou viver uma transição e quero me dedicar a ela. Fazer cursos e me envolver mais com questões que antes o futebol não permitia em função dos compromissos. Tenho apenas 35 anos. Muita vida pela frente — encerrou.