Há um ano no México, Dória retoma as boas atuações e projeta futuro

Há um ano no México, Dória retoma as boas atuações e projeta futuro

Em exclusiva à CBF, zagueiro cria do Botafogo fala sobre sua primeira temporada no futebol mexicano e as voltas que deu até reencontrar a alegria em campo

Zagueiro soma 36 jogos com a camisa do Santos Laguna Zagueiro soma 36 jogos com a camisa do Santos Laguna
Créditos: Divulgação/Santos Laguna

No dia 27 de julho de 2018 o Santos Laguna anunciou a contratação de Dória, apresentando-o como "zagueiro brasileiro que vem para dar a vida por essas cores". E a projeção vai dando certo. Perto de completar um ano pelo clube mexicano, o jogador nascido em São Gonçalo (RJ) parece ter encontrado o melhor momento da carreira desde que saiu do Brasil, quando apareceu para o futebol e começou a se destacar com a camisa do Botafogo, o que lhe rendeu convocações para as categorias de base da Seleção Brasileira.

— Estou muito feliz aqui no México. Foi uma das melhores coisas da minha vida. Toda minha família está feliz — conta Dória, a respeito da sua adaptação, antes de completar:

— Eles me queriam lá (Santos Laguna) também para atrair mais brasileiros. Sendo eu um jogador que já foi para a Seleção e tudo mais. Cheguei e joguei bem nos seis primeiros meses. Estou me sentindo em casa.

Desde 2018 no Santos Laguna, Dória já balançou três vezes as redes pela equipe mexicana Desde 2018 no Santos Laguna, Dória já balançou três vezes as redes pela equipe mexicana
Créditos: Divulgação/Santos Laguna

Somando 36 jogos e três gols marcados pelo Santos Laguna, Dória se prepara agora para a segunda temporada no México. O campeonato nacional começa nesta sexta-feira (19) e no domingo (21) sua equipe estreia na competição diante do Guadalajara.

— Os mexicanos são muito parecidos com os brasileiros: são soltos, gostam muito de driblar. Eles adoram sair jogando... não têm medo, gostam de ir para cima. São muito aguerridos também. Quando não dá na técnica, vai na garra. Foi fácil minha adaptação — explicou o zagueiro.

No meio do caminho tinha um Bielsa 

Mas a estrada mostrou-se longa e com percalços para ele. Depois de, com apenas 17 anos, começar a se destacar pelo Botafogo, sendo apontado como uma das grandes revelações do futebol brasileiro em 2013, o jovem zagueiro despertou o interesse comum do mercado europeu. Em setembro do ano seguinte, foi anunciado como novo reforço do Olympique de Marselha. Mas Dória mal sabia que sua primeira passagem pela França seria conturbada. A relação do técnico da equipe na época, o argentino Marcelo Bielsa, com o presidente do clube, Vincent Labrune, atingiu diretamente o jogador.

— Eu fui muito bem recebido no Marselha. O problema em questão não foi meu. Foi uma briga entre o treinador e o presidente - explica Dória, antes de completar:

— O Bielsa nunca conversou comigo. Ele não quis me usar para provar ao presidente que não precisava de mim. Fiquei quase seis meses jogando na equipe B do Marselha. Essa falta de sequência me prejudicou muito. Fui meio que sacaneado em várias oportunidades que tive para jogar, ele preferia improvisar laterais ou jogadores da base no meu lugar.

Começava então o período de maturação. Sem ser utilizado na França, Dória começou a rodar. Voltou ao Brasil, em 2015, para defender o São Paulo, disputando 15 jogos e marcando dois gols. Depois, em julho do mesmo ano, partiu para o Granada, da Espanha, onde atuou em dez partidas até o início de 2016.  Dória ainda voltaria ao Marselha antes de ser novamente emprestado, desta vez para o Yeni Malatyaspor, da Turquia, último clube do zagueiro antes de ir em definitivo para o México.

Da desconfiança à redenção no México

De início, a proposta do México soou com certa dúvida ao zagueiro. Ele confessou ter tido uma visão, de certa forma, deturpada do país. Mas, após os dirigentes do Santos Laguna apresentarem pessoalmente o projeto ao zagueiro e à família, Dória não pensou duas vezes.

— Quando recebi a proposta do México, meus pais ficaram com certo receio. A imagem que a gente tinha do México era totalmente diferente do que realmente é. A abordagem do clube foi completamente diferente do que eu estava acostumado. Quando me ligaram, eu estava na França. Fizeram uma entrevista e, dois dias depois, eles já estavam na minha casa lá na França para explicar o que planejavam — explicou.

Dória conta ainda que o aval de Élio, seu pai, foi determinante para carimbar o passaporte ao México.

— Levaram meu pai (Élio) para o México. Ele ficou uma semana conhecendo a cidade e as instalações do clube. Meu pai ficou encantado. Disse na hora que eu poderia ir. Foi uma das melhores coisas da minha vida. Estou muito feliz — disse.

Sonho de voltar a vestir verde e amarelo

Dória acumula convocações para as categorias de base da Seleção Brasileira. No currículo, o zagueiro tem as conquistas das edições de 2013 e 2014 do Torneio de Toulon, na França. Pela Principal, ele chegou a ser convocado para o amistoso contra a Bolívia, em 2013. Ao ser questionado sobre o tema, Dória não hesita ao dizer que ainda tem o desejo de vestir a amarelinha.

Dória levantou duas vezes a taça do Torneio de Toulon com a Seleção Dória levantou duas vezes a taça do Torneio de Toulon com a Seleção
Créditos: Gregório Fernandes

— Tenho sonho de defender novamente a Seleção. Isso nunca vai morrer dentro de mim — afirmou, projetando um futuro próximo:

— A Seleção está em um momento de renovação. Muitos não vão conseguir chegar em 2022, na Copa do Catar. Então, tem sempre essa renovação constante.