Pioneira na América do Sul

22/10/2017 às 23:37 | Assessoria CBF

Arbitragem brasileira é referência na psicologia

Créditos: Daniel Magalhães / CBF

O trabalho da Comissão de Arbitragem da CBF é incessante. Toda esta movimentação rende frutos e faz com que o Brasil torne-se referência no continente sul-americano. Além do pioneirismo com o projeto do Árbitro Assistente de Vídeo (VAR), a arbitragem brasileira é a primeira da América do Sul a disponibilizar uma profissional para trabalhar o fator psicológico de seus árbitros e assistentes. 

Nas últimas duas rodadas das Eliminatórias da Copa do Mundo 2018, oito árbitros brasileiros foram escalados para as partidas decisivas. Este fato também é resultado do trabalho desenvolvido com o pilar mental. Durante a abertura do IV Curso RAP-FIFA Feminino, na cidade de Águas de Lindóia (SP), a peruana Ana Perez, instrutora técnica da FIFA, fez questão de exaltar esta iniciativa. 

Os cursos de todas as categorias contam com o apoio da psicóloga Marta Magalhães. O trabalho foi iniciado em 2004, no Sindicato dos Árbitros de São Paulo. Entre 2005 e 2006, foi feita uma transição para a CBF e, de 2007 em diante, passou a ser feito pela Entidade máxima do futebol brasileiro. Após a iniciativa da CBF, mais 15 Federações do país passaram a disponibilizar profissionais da psicologia para fornecerem suporte aos árbitros. 

A psicologia da arbitragem na CBF foi iniciada com a instalação de quatro pilares. No físico, foi feito um apoio para a alteração na composição cognitiva, que exigia uma metodologia diferente e um treinamento mais elaborado. O trabalho mental entrou para auxiliar o psicofísico. Na parte técnica o suporte alimentou os planos de trabalho para preparação dos jogos. Este acompanhamento passou a ser feito, juntamente com o levantamento de perfis no quesito atenção e concentração. Em paralelo, foi desenvolvida a preparação mental para as questões técnicas, físicas e sociais. O pilar social trouxe um cuidado com a parte ética e a criação de momentos de integração. Ao final de cada curso criou-se um espaço para a psicodramatização, onde o árbitro tem a oportunidade de expressar sensações e percepções da realidade de sua vida e da modalidade em que está inserido. 

– As modalidades que têm psicólogos do esporte trabalhando junto com a sua comissão técnica têm tido bons resultados. Este trabalho em conjunto, a interdisciplinaridade dos pilares, resulta no sucesso. A inserção do pilar mental e do psicólogo do esporte, dentro das modalidades e das federações, é uma questão temporal, de necessidade. Devido a reação de velocidade do jogador de futebol de hoje, temos carência de uma preparação psicológica mais apurada – afirma Marta Magalhães. 

Ana Perez, que tanto elogiou o fato de a Comissão de Arbitragem da CBF disponibilizar uma psicóloga aos árbitros, explica porque enxerga uma grande importância neste quesito. A instrutora da FIFA  acredita que a iniciativa traz um ganho enorme na concentração. 

– Tenho que parabenizar a comissão de árbitros do Brasil, porque há muitos anos estão se preocupando com o desenvolvimento integral do árbitro como pessoa. Primeiro desenvolver o aspecto técnico, para corresponder as regras do jogo. O físico vem na sequência, pois a carreira exige isto. E finalmente a área psicológica. Existem situações durante o jogo em que o árbitro tem de aprender a enfrentar e superar, como um erro, e não ficar com ele na cabeça. Há uma pressão enorme no ambiente de uma partida. Um grande estádio, com muita gente na arquibancada, jogadores reclamando... E para que o árbitro possa enfrentar estas situações, é necessário um psicólogo – acrescentou.   

A Comissão de Arbitragem da CBF tem ainda um trabalho de reabilitação mental para árbitros lesionados, que consiste em um acompanhamento psicológico até que consigam voltar ao campo de jogo. Os que vivem longe e não conseguem estar com a Dr. Marta Magalhães, sendo no consultório ou em cursos, recebem orientações via chamada de vídeo. 

Foram criados também os grupos de pertencimento, para pessoas que tenham interesses em comum. São passadas algumas atividades, como por exemplo filmes, análises de partidas, entre outros, e depois é promovida uma roda de discussão. O resultado gera um relatório mensal dos grupos e das planilhas de treinamento. É importante destacar também que cada árbitro responde, logo após a partida em que atua, uma auto-avaliação de desempenho psicológico e uma escala de sensação após completar uma sequência de três jogos. Este material é analisado pela Dr. Marta Magalhães e é feita uma devolutiva aos respectivos autores. A tabulação das Séries A e B auxilia a Dr. Marta e as psicólogas Camila Mota, de Goiás, e Daniela Santos, de Alagoas. As demais profissionais das outras federações participantes tabulam as Séries C e D.  

Também são utilizadas algumas avaliações psicométricas, como D2, atenção concentrada, dividida, alternada, teste de personalidade, aplicação de biofeedback, entre outros. Os árbitros passarão ainda pelo Five Digit Test (Teste dos cinco dígitos). O objetivo da atividade é descrever a velocidade e a eficiência do processamento cognitivo, a constância da atenção focada, a automatização progressiva da tarefa e a capacidade de mobilizar um esforço mental adicional quando as séries apresentam dificuldade crescente e exigem concentração maior. Em breve, será realizado um investimento em neurofeedback. 

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