Bruno Guimarães x Edenílson: a disputa pelo meio na final da Copa do Brasil

Bruno Guimarães x Edenílson: a disputa pelo meio na final da Copa do Brasil

Principais meias de Athletico Paranaense e Internacional, os dois devem ditar boa parte do resultado do jogo desta quarta-feira

Bruno Guimarães e Edenílson: homens de confiança de Athletico e Internacional na final da Copa do Brasil

Créditos: Gabriel Machado/AGIF - Ricardo Duarte-Internacional

O futebol moderno é feito por jogadores capazes de atuar nas duas metades do campo. A palavra volante, cada vez mais em desuso, é substituída por "meia", principalmente quando se fala de jogadores como Bruno Guimarães e Edenílson. Nesta quarta-feira (18), os dois serão fundamentais para as pretensões de Athletico-PR e Internacional, respectivamente, na final da Copa do Brasil. Na ida, o Furacão venceu por 1 a 0, e agora tem a vantagem do empate no Beira Rio.

Bruno Guimarães e Edenílson apresentam estilo diferentes de futebol. Na verdade, são praticamente complementares. O meia do Furacão constrói mais. Com a bola nos pés, é capaz de controlar o ritmo e a velocidade do time e também sabe aparecer como homem surpresa (vide o gol no jogo de ida).

Já Edenílson desfruta de todo espaço que lhe é oferecido. Com muito vigor físico e velocidade, é capaz de dar suporte à defesa do Inter e rasgar o campo adversário para chegar à frente. Foi assim que ele marcou o gol que fechou o triunfo por 3 a 0 sobre o Cruzeiro, na semifinal.

Bruno e Edenílson são símbolos de duas propostas de futebol distintas, que se confrontam nesta quarta. Para ajudar a explicar a diferença, convidamos Carlos Eduardo Mansur, do Jornal O Globo, e Leonardo Miranda, analista do Globoesporte. Confira o que os analistas disseram abaixo.

Bruno Guimarães, o senhor do tempo


Athletico Paranaense venceu o Internacional por 1 a 0, em jogo de ida da final da Copa do Brasil de 2019 Bruno Guimarães comemora o gol marcado diante do Inter
Créditos: Gabriel Machado/AGIF


Em maio de 2017, o Athletico Paranaense anunciou a contratação de um meia vindo do Audax, de São Paulo. Aos 19 anos, Bruno Guimarães chegava para reforçar as divisões de base do clube. Na temporada seguinte, o meia foi incorporado ao elenco profissional e passou a ser fundamental para o Furacão. Primeiro técnico do meia no Athletico, Fabiano Soares lembrou do início do jovem no clube:

- Taticamente, ele é muito bom e isso conta muito. Ele é competitivo e tem muita qualidade. Tivemos que ter muita paciência para lançá-lo, porque ele chegou muito tímido ao clube. Com o passar do tempo, foi se soltando e demonstrou todo seu valor.

Após passar atuar como primeiro volante e até como zagueiro (no período sob Fernando Diniz), Guimarães se encontrou como o segundo homem de meio-campo dos sonhos do Athletico. É capaz de acelerar, dar combate, pressionar, explorar os espaços da defesa adversária com seus passes e também finalizar.

O Bruno vem se mostrando mais completo do que o Edenílson. Ele foi trazido do Audax pelo Fernando Diniz, que pensava nele como zagueiro. É um jogador extremamente técnico com a bola no pé. Ele começou como primeiro volante, tem muita visão e bom passe. Especialmente esse ano, vem se tornando um jogador muito dinâmico. Mais até do que o Edenílson. É o auge técnico e tático dele. E muito do Athletico passa pelas jogadas que ele comanda - analisou Leonardo Miranda.

Dentro do jargão tático, Bruno Guimarães é conhecido como uma meia de "condução", porque se aproveita dos espaços enquanto tem a posse da bola. No estilo de jogo propositivo do Athletico, ele funciona como um maestro, que retém o ritmo e acelera o ataque quando é necessário. É essa leitura e a precisão técnica que fazem dele um jogador tão fundamental para o Furacão, como analisou Carlos Eduardo Mansur.

- O Bruno Guimarães é um meia móvel, mas tem uma característica que o Edenílson não tem: a da organização. Talvez ele seja menos físico, carregue menos a bola, menos infiltrador, mas é um meio-campista muito completo. Ele combate, organiza com passes e também tem chegada para finalizar. É muito promissor, um tipo de meia que executa muitas funções com a bola - frisou o jornalista.

Edenílson, o velocista colorado


Internacional volta a vencer o Cruzeiro e garante vaga na final da Copa do Brasil, para enfrentar o Athletico Paranaense Ao seu melhor estilo, Edenílson marcou contra o Cruzeiro na semifinal
Créditos: Jeferson Guareze/AGIF


Porto-alegrense, Edenílson apareceu para o futebol brasileiro quando o técnico Tite o levou do Caxias ao Corinthians. Desde o começo no Alvinegro, o gaúcho chamou atenção pela força física e a velocidade. Não à toa, também fez as vezes de lateral direito no time, onde foi campeão mundial e da Libertadores. 
Contratado pelo Inter em 2017, Ed caiu como uma luva no sistema tático de Odair Hellmann. Foi peça-chave na recuperação do time, que voltava de uma passagem pela Série B e tentava se restabelecer no topo do futebol brasileiro.

Ao contrário do estilo condutor de Bruno Guimarães, Edenílson é conhecido por suas infiltrações. Em termos táticos, isso significa que ele prefere avançar dentro de campo sem a bola, aproveitando-se dos buracos oferecidos pela defesa adversária. Foi assim, por exemplo, que um lançamento longo de Victor Cuesta virou uma assistência para o meia diante do Cruzeiro, na semifinal.

O Internacional de Odair Helmmann se vê mais à vontade quando não tem a bola por tanto tempo. O time é montado para explorar os espaços deixados pelo adversário. Nesse contexto, Edenílson aparece como um meia ideal para o Colorado.

- O Edenílson evoluiu muito com o Odair. Ele pisa muito na área, ainda mais do que o Bruno Guimarães, e tem uma grande finalização.  O que um time reativo oferece a seus jogadores? Espaço. É esse espaço que o Patrick e, principalmente, o Edenílson aproveitam. Eles não vão ter tanto tempo com a bola, mas vão ter o espaço para invadir a área. É um time de chegada muito forte. O Inter depende muito deles - destacou Léo Miranda.

Na partida desta quarta-feira, porém, o Internacional terá um desafio a mais. Apesar do jogo reativo, o Colorado precisará buscar o resultado. E muito disso passa pela capacidade de seus homens de meio-campo ganharem a disputa contra os do Athletico. Se o Furacão tiver dificuldades para manter a posse de bola e controlar o jogo, o Inter tende a ter mais chances de contra-atacar.

- O Edenílson ajuda muito na marcação e na imposição física do time. Ele carrega a bola e tem uma infiltração muito boa. Às vezes, o Inter joga com dois pontas sem tanta velocidade, como D'Alessandro e Sóbis. Ele é o jogador que dá profundidade ao time, faz essa ultrapassagem e dá opção na frente. É um jogador de muita vitalidade e mobilidade - avaliou Mansur.

Será um jogo feito por detalhes, em que um passe mal dado, um encaixe errado, pode pôr tudo a perder. E um momento em que brilhem a estrela de jogadores como Bruno Guimarães e Edenílson pode definir o título da Copa do Brasil.

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