Do preconceito ao orgulho: goleiro do Manaus exalta origem indígena

Do preconceito ao orgulho: goleiro do Manaus exalta origem indígena

Jonathan relembra ofensas sofridas pelo Gavião durante a campanha e, em caso de título, promete comemoração com flechada e "uh, uh, uh, uh, uh" indígena

Jonathan Braga Queiroz (goleiro do Manaus)

Créditos: Thais Magalhães/CBF

O Manaus pode conquistar o primeiro título nacional do futebol amazonense neste domingo (17). Diante do Brusque-SC, o time que leva o nome da capital do estado quer carimbar a campanha consolidada com o troféu inédito da Série D do Campeonato Brasileiro 2019. Durante a competição, os jogadores do Gavião foram alvos de preconceito em algumas cidades quando foram atuar na condição de visitante. Mas um termo considerado ofensivo para os intolerantes é motivo de orgulho para torcida, atletas e toda a população do Amazonas.

O goleiro Jonathan explica que o amazonense é ensinado desde cedo a respeitar e ter orgulho da origem indígena. O arqueiro promete deixar isto bem claro caso o inédito título seja conquistado pelo Manaus. 

- Tenho orgulho de ser amazonense, de ser da terra, de ser do interior. Algumas pessoas de fora acham que chamar a gente de índio soa como uma ofensa para nós. Na verdade é um orgulho ser denominado índio. Temos orgulho por sermos amazonenses e também um pouco índios. Por isso, não fico bravo. Se formos campeões vai ter flechada, vai ter "uh, uh, uh, uh, uh" e a gente vai comemorar da melhor forma possível - destacou.

Jonathan é do interior do estado do Amazonas. O arqueiro é de Alvarães, que fica a cerca de 531 quilômetros da capital. Para chegar até lá, porém, leva cerca de três dias de barco, conhecido na região como Recreio, que é o meio de transporte mais barato e mais convencional. Por todo o apoio que recebe e também pelo orgulho de ser da cidade, o camisa 1 do Manaus planeja um tour especial com o troféu em caso de título. 

Jonathan é da cidade de Alvarães, que fica a 531 quilômetros de Manaus e aproximadamente três dias de barco Jonathan é da cidade de Alvarães, que fica a 531 quilômetros de Manaus e aproximadamente três dias de barco
Créditos: Thais Magalhães / CBF

- Esse título é um sonho, um objetivo traçado desde quando comecei a jogar futebol. Essa oportunidade que eu estou tendo hoje está sendo maravilhosa. Já marquei com o pessoal em Alvarães. Vou levar a taça comigo até lá para a gente comemorar junto, tirar algumas fotos. Pois querendo ou não, também tem o apoio deles. Estão com a gente nessa caminhada e têm de comemorar também junto com a taça - acrescentou. 

O futebol une gêneros, etnias, religiões e todos os povos. Independentemente de quem for campeão da Série D do Campeonato Brasileiro neste domingo, o importante é que ninguém se sinta ofendido por sua origem ou qualquer tipo de opção. A bola rola às 16h (de Brasília) para Brusque e Manaus na Arena da Amazônia. Que vença o melhor!

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