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Um Olhar para os Árbitros de Futebol

 

 

RESUMO

A pretensão deste trabalho é explicitar a importância da preparação psicológica do árbitro de futebol. Dentre os diversos personagens envolvidos numa partida de futebol, muito se questiona a respeito da preparação de atletas e equipes, em especial quando seu desempenho apresenta-se abaixo da expectativa ou, em poucos casos, quando o sucesso é repetido de modo tão consistente. Do mesmo modo, o árbitro de futebol é questionado e seu desempenho avaliado, mas sua preparação não é debatida ou incentivada. Cobra-se performance e perfeição desta categoria esportiva, e pouco sabemos a respeito de suas necessidades ou condições para demonstrar tão alto desempenho. O árbitro deve ter uma preparação técnica para interpretar todos os lances de um jogo, uma preparação física que permite que ele esteja próximo onde se desenvolve as jogadas, uma preparação psicológica que saiba transitar por um nível de ansiedade ideal, perceber as ações e as intenções do atleta, além de uma motivação para estar em constante aperfeiçoamento técnico, psíquico e físico, ou seja, em busca de integração, e decisão. Contudo, para compreendermos essa preparação e a atuação do árbitro, é importante identificarmos o contexto de sua inserção e atual apresentação no futebol mundial e brasileiro.

 

Palavras Chave: Preparação, necessidade, atuação.


 

RESUMEN

La intención de este trabajo es describir la importancia de la psicológica árbitro de fútbol preparación. Entre los diversos personajes que participan en un partido de fútbol , sigue habiendo dudas sobre la preparación de los atletas y equipos , sobre todo cuando su desempeño se presenta debajo de las expectativas o , en algunos casos , cuando el éxito se repite de manera consistente. Del mismo modo, el árbitro de fútbol se cuestiona y se evalúe su rendimiento , pero su preparación no se discutirá ni se animó . Los resultados hasta la serpiente y la perfección de esta categoría de deportes , y sabemos poco acerca de sus necesidades o condiciones para demostrar que el alto rendimiento . El árbitro debe tener una preparación técnica para interpretar todos los movimientos de un juego, una preparación física que le permite estar cerca de donde se desarrolla las obras de teatro, una preparación psicológica para saber tránsito un gran nivel de ansiedad , comprender las acciones e intenciones atleta, y una motivación para estar en la mejora técnica, física y mental constante, es decir , la búsqueda de la integración y la decisión. Sin embargo , para entender esta preparación y la actuación del árbitro , es importante identificar el contexto de su inserción y presentación actual en el fútbol mundial y brasileña.

 

Palabras clave: Preparación, necesitan acción.



 

ABSTRACT

The intention of this paper is to clarify the importance of football referee's psychological preparation. Among the many characters involved in a football match, a lot of questions about the preparation of athletes and teams, especially when its performance is below the expectation or, in a few cases, when the success is repeated so consistent. Similarly, the arbitrator is questioned and their performance evaluated, but their preparation is not discussed or encouraged. Cobra-if performance and perfection in this category, and we know little about their needs or conditions to demonstrate such a high performance.
The referee must have a technical preparation to interpret all the moves of a game, a physical preparation that allows it to be near where the played a psychological preparation you know transit a ideal anxiety level, realize the actions and intentions of the athlete, as well as a motivation to be in constant technical development, physical and psychic, that is, for integration, and decision. However, to understand that preparation and the performance of the referee, it is important to identify the context of your current presentation and insertion in the world and Brazilian football

 

Key words: preparation, need, acting.


 

O INÍCIO

O futebol, tal como o conhecemos na atualidade, tem suas raízes na Inglaterra do século XIX, tendo evoluído do rugby. O futebol era permitido jogar apenas com os pés, e visto como diversão e passatempo para a camada popular, e ligação entre os membros da comunidade. 

A regulamentação do futebol se deu no início em 1863. Em 1868 nasce a figura do árbitro, mas somente depois de muitos anos, em 1881 ele passa a atuar em campo (Antunes, 1992). Os árbitros assistentes, conhecidos com bandeirinhas, são integrados ao grupo depois de mais de um ano (Nazareno,1997). 

A Associação de Futebol da Inglaterra, Escócia, Irlanda e Países de Gales, criam a International Football Association Board, que hoje contam com 17 regras, e qualquer proposta para alterar, discutir, ou modificar as Regras do Jogo, precisa da aprovação de ¾ dos integrantes do Board, que atualmente é formado pelos quatro países fundadores, e o delegado da FIFA.  A FIFA foi criada em 1904, e, é a responsável por organizar o futebol em todo o mundo. 

No Brasil, a criação da Escola de Árbitros, deu início na década de 40, no Estado de São Paulo, e os cursos eram ministrados sem regularidade.  Hoje temos cursos anualmente para Árbitros de Futebol. 

A CBF institucionalizou, em 2013, a Escola Nacional de Arbitragem de Futebol, que tem por objetivo o aprimoramento dos árbitros, instrutores, assessores, entre outros ligados a Arbitragem de Futebol. 

A International Football Association Board, contam com 17 regras, e em 2014, através do Presidente da Fifa Joseph Blatter, criou dois Painéis Técnicos de Excelência, formado por ex-atletas, técnicos e dirigentes de futebol. 

Esse painel Consultivo reunir-se-ão duas vezes por ano, visando o desenvolvimento do futebol e, da arbitragem dos cinco Continentes. 

Trabalhos de observação serão realizados, e os membros do Painel Consultivo Técnico, terão a missão de contribuir com sugestões ou experimentos que possam otimizar as Regras de Futebol. E pela primeira vez, em 129 anos da existência da IFAB temos a presença de um Brasileiro, sábio nas regras de futebol, o Dr. Manoel Serapião Filho, para representar a América do Sul no referido órgão. 

  

A CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DE FUTEBOL

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) é uma associação constituída por 26 federações de futebol estaduais e a Federação Brasiliense de Futebol. Anualmente as Federações indicam árbitros, assistentes e assessores para compor a Relação Nacional de Árbitros (Renaf) para atuar nas partidas do Campeonato Brasileiro (Séries A, B, C, e D) bem como da Copa do Brasil (masculino e feminino) e, nas recentes categorias Sub-20 e Sub-17 criadas, respectivamente, em 2012 e 2013, e Campeonato Brasileiro Feminino e Sub 20 em 2014.

Para que este ingresso ocorra, o árbitro deve ter, no mínimo, 21 anos, e ter sido aprovado nos testes físicos (padrão FIFA), na avaliação teórica elaborada pela comissão de arbitragem da CBF, e ter atuado em partidas da primeira divisão nos últimos dois anos (se masculino).

O Presidente da Comissão Arbitragem Sérgio Correa, escolhido em 2007, para levar adiante o Projeto de Modernização do Futebol Brasileiro, focou seus objetivos na atualização de instrutores técnicos, e farto material didático para atualizar e aproximar as decisões dos árbitros de todo país.  Em conjunto com os demais integrantes procura dar as oportunidades no crescimento como todo.

A Comissão Nacional de Arbitragem Brasileira é composta por:

  1. Diretoria: Presidente; Vice-Presidente; Secretário; Membro; Ad-hoc., além de contar com dois órgãos diretamente ligados ao presidente da CBF, a Corregedoria e a Ouvidoria da Arbitragem, responsáveis pela parte social (documental) e técnica (análise das reclamações do desempenho das equipes de arbitragem).

  2. Escola Nacional de Arbitragem de Futebol (ENAF-CBF) - composta por ex-árbitros e assistentes de notório saber, que anualmente passam por atualizações organizadas pela entidade máxima do futebol, a FIFA. São eles:

           a) Instrutores Técnicos – Pilar Técnico 

           b) Instrutores Físicos – Pilar Físico 

           c) Psicóloga - Pilar Mental

            d) Comissão + Assessores + Pilares Técnico, Físico, Mental - cuidam do Pilar Social de forma integrada.

Dentro dessas atribuições, a Comissão Nacional de Arbitragem, instituiu desde 2007, uma organização de Preparação dos Árbitros Brasileiros a partir dos Pilares para a Preparação do Árbitro. Trata-se de uma estrutura que busca aliar conhecimentos teóricos e práticos a fim de viabilizar um trabalho integrado de preparação do árbitro para a devida condução de sua tarefa em jogo.  

 

UM OLHAR PARA OS PILARES DA ARBITRAGEM DE FUTEBOL

Deste modo, busca-se a padronização da preparação e obviamente da atuação dos árbitros de futebol, de norte a sul do país, explicitados em quatro pilares, a saber: Pilar Técnico, Pilar Físico, Pilar Mental e Pilar Social. 

O Pilar técnico pauta-se no conhecimento das dezessete regras (Livro de Regras do Jogo), na atuação em campo, nas avaliações teóricas, e nos gestuais. O Pilar Físico volta se para as necessidades do Treinamento e da Avaliação Física. O Pilar Mental nome dado à atuação do Psicólogo do Esporte, trabalha com as habilidades e competências pautadas na concentração, foco, poder de decisão, e controle das pressões. Todos respeitando o Pilar Social, que procura entender as diversidades de cada Estado, com seus hábitos, costumes, questões climáticas, entre outros, e que visa aproximar a linguagem comum do meio, promovendo uma comunicação mais clara, coesa e nítida no campo de jogo.

O árbitro está sujeito às influências de sua realidade cultural, as alterações e interferências de seu estado emocional e cognitivo são tratados no Pilar Mental para que as preparações e reciclagens constantes do Pilar Técnico e Físico manifestem-se plenamente.

Por tudo isso, entende-se o crescente interesse na preparação e constante atualização da arbitragem de futebol, percebe-se assim crescente exigência nos testes físicos, nas avaliações teóricas, e, especialmente na atuação em campo. Tudo isto requer rigor nos treinos diários, e no período de Aprimoramento e Concentração.

 

OS QUATRO PILARES DA ARBITRAGEM DE FUTEBOL

I - PILAR FISICO 

Desde a criação da função de instrutor físico, percebe-se a melhoria acentuada na aprovação dos árbitros, nas avaliações físicas, bem como, no desempenho de suas atividades em partidas de futebol.

O árbitro bem preparado fisicamente facilita o entendimento das atividades físicas de forma continuada. Para exercer a atividade de árbitro de futebol, eles são avaliados periodicamente com protocolos de tempos estabelecidos para cada categoria, árbitro e árbitro assistente nos gêneros masculino e feminino. Para atingirem os resultados requeridos para cada categoria, eles recebem  treinamentos específicos, com um modelo de planejamento chamado periodização. A grande dificuldade neste pilar são as dimensões continentais do Brasil para um acompanhamento profícuo. Isto se da também nos demais pilares.

 

II - PILAR TÉCNICO 

Para alcance do indispensável e referido aprimoramento Técnico, são realizados cursos, seminários, treinos práticos em campo, e palestras periódicas, além de constantes discussões e troca de opiniões sobre lances especiais que ocorram.

Nesses estudos são tratados assuntos como:

a) Estudo das 17 regras (Livro de Regras CA/CBF), para alcance do pleno domínio e, principalmente, de seu espírito;

b) Análise de vídeos, para uniformidade dos critérios de interpretação e aplicação – técnico e disciplinar;

c) Linguagem verbal e corporal, como meio de controle do jogo e do próprio árbitro;

d) Treinamento prático integrado em campo (técnico – físico – mental);

e) Planejamento da arbitragem, envolvendo: preparação da viagem; chegada aos estádios; providências administrativas; sinais convencionais e especiais entre árbitros e árbitros assistentes; situações de conflito e áreas de atuação; saída do campo de jogo; saída do estádio; refeição; retorno ao hotel; e viagem de retorno;

f) Estudo dos regulamentos das competições;

g) Elaboração de relatórios, com noções de legislação esportiva; 

h) Orientações administrativas, sobre as entidades dirigentes e normas aplicáveis; 

i) Ética no futebol e na vida social.

 

III - PILAR SOCIAL 

Esse Pilar foca o trabalho conjunto de todos os Pilares, na medida de sua necessidade. Trata-se da integração de todos os aspectos da preparação, levando em conta as necessidades regionais e emergenciais da atuação da arbitragem. 

Neste trabalho, conta-se com os membros da Comissão que atuam nas emergências apontadas por árbitros, árbitros assistentes, diversidades regionais, alteridades em equipe, problemas de saúde, entre outras situações.

O homem árbitro é tão importante para o bom andamento do futebol, que cuidados como alimentação, sono, ética, aparência, viagem, acolhimento ao entrar em outra cidade, ou Estado, visita ao estádio, entre outras questões similares, passa pelo crivo esmiuçado deste Pilar. O árbitro antes de tudo é uma pessoa, um cidadão.

Diante desta realidade, pode-se assumir que todos os esforços, são direcionados à manutenção da harmonia pessoal e a boa atuação do árbitro, e árbitro assistente numa partida de futebol. Outro aspecto é o documental exigido anualmente de todos os componentes (certidões civis, criminais, atestados de antecedentes, exames médicos, etc).

 

IV- PILAR MENTAL 

Este trabalho corresponde ao trabalho realizado pelo Psicólogo do Esporte. Ainda que o trabalho desenvolvido contribua no sentido de promoção de saúde, busca de equilíbrio emocional e controle de estresse, o termo mental é utilizado pela Comissão de Arbitragem para designar a complementariedade ao aspecto físico na preparação do árbitro. Esclarecemos assim, que corresponde ao Pilar Mental todos os aspectos relativos à Preparação Psicológica do Árbitro, desde questões relativas à cognição, concentração e tomada de decisão até aspectos relativos à auto regulação emocional como o controle de ansiedade e o desenvolvimento de resiliência como habilidade necessária ao controle de estresse envolvido na atuação deste profissional. 

Segundo Markunas (2003), a preparação psicológica diz respeito a um processo em que os aspectos culturais e socioeconômicos do indivíduo são levados em consideração para o planejamento das atividades específicas que visam o desenvolvimento e aperfeiçoamento de habilidades psicológicas para o alto nível de desempenho, a fim de antecipar o enfrentamento e superação de desafios e exigências específicos da vida esportiva e das circunstâncias da competição.  O controle emocional é efeito dos procedimentos de orientação e treinamento psicológico, com uso de estratégias individuais e de auto regulação.

Antes de detalhar a atuação da Psicologia do Esporte junto à Comissão de Arbitragem da CBF vale relatar brevemente o processo de construção deste trabalho.

O trabalho psicológico com os árbitros de futebol iniciou em fevereiro 2004 no Safesp (Sindicato dos Árbitros de Futebol do Estado de São Paulo), verificar em Sousa (2007). Em 2005, permaneceu com eventuais trabalhos, ora Palestras, ora atendimento individual ou em grupo uma vez por semana, ora cursos para observadores, ora acompanhamento em pré-temporadas, entre outras necessidades do momento. 

Esse trabalho permaneceu até a concentração num hotel em São Paulo, e acompanhamento do teste físico em São Caetano do Sul/São Paulo.  A esta altura, já no ano de 2007, e esse processo foi gradativo e crescente junto a Confederação Brasileira de Futebol.

Ao longo do tempo, diferentes experiências e exigências ao trabalho de preparação psicológica foram realizadas. Dentro do contexto crescente, percebeu-se que o Trabalho Psicológico poderia ser dividido em três momentos:

  1. Nas ocasiões de atuação do árbitro, no vestiário, antes, durante e depois da partida de futebol, e mesmo em treinamento, nas atividades no hotel, ou hospedagem em concentração.

  2. Na sala de aula, nos trabalhos cognitivos, nos cursos de aprimoramento.

  3. No setting terapêutico (intervenção clínica) em circunstâncias específicas quando necessária.

 

ESTRATÉGIAS UTILIZADAS PARA A PREPARAÇÃO PSICOLÓGICA

Em cada uma das oportunidades de atuação da Psicóloga Esportiva, destacamos:

  1. Coleta de informações através de observações, questionário, entrevistas;

  2. Utilização do teste Pom’s como recurso de trabalho individual e complementar aos dados identificados em observações e entrevistas;

  3. Vivências e dinâmicas para ampliar a awareness (Conscientização /percepção das situações enfrentadas); 

  4. Palestras explicativas sobre Preparação Psicológica, visando ampliar o conhecimento teórico, estimulando a relação dos aspectos estudados e vivenciados. Busca se a estimulação da memória e concentração como habilidades cognitivas específicas;

  5. Atividades de feedback advindos das escutas individualizadas ou em grupo, a fim de promover e/ou facilitar a integração do Grupo Arbitragem, aumentando a sensação de pertencer à Categoria , e procurar a Unidade na forma de atuar;

  6. Trabalho dinâmico em campo para auxiliar concentração na hora do treino. São propostos exercícios em lócus para testar e aprimorar os estados atencionais dos participantes.

  7. Observação e feedback em campo, a fim de ampliar a sensação, percepção e ação mobilizadora na hora do jogo;

  8. Análise conjunta sobre avaliação pós-jogo, através de conversas direcionadas, vídeos tapes, e outros recursos para entrar em contato com a real atuação;

  9. Comunicação direta e permanente com árbitros, quando solicitada, a fim de acompanhá-los e, ou orientá-los psicologicamente;

  10. Técnicas específicas de auto-relaxamento, controle de estresse, quando pertinente.

A partir das estratégias acima mencionadas, as técnicas aplicadas são específicas ao momento e ao controle emocional que se busca, através da auto-regulação cognitiva, sensorial, afetiva, sempre com o objetivo de auxiliar o árbitro em seu padrão de enfrentamento singular, e em sua habilidade e competência, o que leva a uma atuação, cada vez mais comprometida, motivada ao enfrentamento das pressões do mundo esportivo. 

Dentre estas dinâmicas e práticas específicas enfatizamos:

  1. A auto–observação de reações e condutas internas e externas (nos momentos de treino, nas avaliações físicas, na atuação antes, durante e pós-partida).

  2. O auto–registro visando exercitar a escrita, mediante execução dos treinos, atuação e leitura dirigida. O relato detalhado de situações vivenciadas usualmente viabiliza a releitura dessas situações, bem como amplia a percepção e exercita a memória e a leitura mental de situações críticas de seu desempenho. 

Dentre os conteúdos psicológicos são trabalhados:

a) As Habilidades Psicológicas como concentração, atenção, tomada de decisão: Utilização de fatores que estimulam o desenvolvimento da concentração (Weinberg & Gould, 2001), Roda da Excelência (Orlick, T. 2009), a curva de ciclo de contato para árbitros (baseado em Zinker, J. 2001), conforme figura criada para melhor compreensão do contato. 

b) Tomada de decisão: Criação de quadro dos Controles: pensamento, atenção, ativação, atuação (material elaborado para a Copa do mundo 2010, e treino para o campeonato Brasileiro 2011- de acordo com Federation Internationale de Football Association- FIFA)

c) O autocontrole: controle respiratório, estresse e ansiedade, comunicação, confiança, coesão, atenção e prática mental (Weinberg & Gould, 2001 e Orlick, T, 2009).  

  1.    E a motivação, ativação, relaxamento e prevenção do esgotamento.

Deve-se destacar, ao final desta descrição que as ações e intervenções junto aos árbitros são realizadas em períodos curtos e específicos de sua preparação em concentração e em encontros individuais agendados ao longo do ano, o que por um lado viabiliza a articulação das atividades aos demais pilares da preparação da arbitragem, por outro, diminui a frequência e o sistemático aprimoramento de algumas habilidades psicológicas específicas. Por isso, o dinamismo e a prontidão para a criação de exercícios e intervenções facilitadoras do controle emocional e elevados níveis atencionais dos árbitros também é exigência do Psicólogo do Esporte, evidenciando a necessidade de constante aprimoramento no que diz respeito às técnicas empregadas e resiliência em função da adaptação às circunstâncias de todo treinamento.

 

ASPECTOS PRÁTICOS DA PSICOLOGIA DA ARBITRAGEM

A atuação da Psicologia do Esporte vinculada à Comissão de Arbitragem da CBF tem sido construída ao longo do tempo, na complementariedade aos demais pilares da preparação do árbitro e tem superado desafios e construído caminhos, a partir de uma visão integradora do homem e do profissional.

Entendemos que o homem está diante de uma prática, que é seguida pela emoção do espetáculo, ligada por aspectos financeiros, poder, controle e prestígio da mídia e da sociedade como um todo. Ser árbitro normalmente é a segunda atividade do indivíduo, uma vez que ele tem uma função ocupacional em outro trabalho que possa garantir sua sobrevivência.

O lado positivo de ser árbitro está na escolha que ele fez, no prazer em apitar, bandeirar. Ao mesmo tempo, a função exige dele um ótimo preparo físico, técnico, psicológico, e social, e ainda cobra, que ele divida seu tempo entre trabalho, família, estudos, treinos, e está sujeito a pressões de vários segmentos (própria Federação, treinadores, jogadores, mídia, torcedores, clubes, entre outros). 

Essa divisão de papéis requer do mesmo Homem diferentes olhares, posição, dedicação, o que leva a se cobrar-se cada vez mais, e essas excessivas cobranças pode levá-lo ao estresse, ansiedade, insegurança, medo em falhar, entre outros. Tais comportamentos são compreensíveis diante de ameaças e pressões exageradas a qualquer ser humano, exceto ao juiz de futebol, afinal “ele é o único que não pode perder a cabeça”.

Entendemos assim, que a atuação da Psicologia do Esporte neste contexto é ambígua, pois ao mesmo tempo em que visa a promoção de saúde, a ampliação de percepção e consciência do sujeito, submete-o a exercícios e estratégias de neutralização de conteúdos emocionais a fim de mantê-lo sensível apenas à análise das situações de jogo sob a ótica do Livro de Regras.

Percebe-se no convívio com os profissionais da arbitragem que a pressão e o estresse são inerentes à atuação e que o desenvolvimento de resiliência é imprescindível a uma prática de alto nível e zeloso desempenho.

Neste sentido, a psicóloga, volta-se aos árbitros, oferecendo o apoio, o serviço de escuta, a possibilidade de dinamizar, fazer uma releitura dos jogos de forma significativa, a compreensão do tempo, a paciência que se leva para construção da prática de arbitrar pelo prazer dentro das respectivas regras, entre outros elementos essenciais para chegar mais próximo na busca pela Excelência, conforme estudos Orlick (2009). 

Temos experimentado e vivenciado o cotidiano de formação, preparação e atualização dos profissionais da arbitragem de modo a identificar que a segurança e autoconfiança demonstradas em campo, são conquistadas passo a passo, desde a motivação inicial em mostrar o domínio e conhecimento de todas as Regras, até a sensibilidade da aplicação delas, com postura ética e disciplinar de autoridade, em cada situação específica. 

O bom árbitro é aquele que consegue vivenciar presencialmente cada jogo como único, e como afirma Ginger (1995, pag 17) “o contato autêntico consigo mesmo e com os outros favorece um ajustamento criador do organismo ao meio”.

Sousa (2007) reafirma que a atuação voltada para o aqui-agora, para o momento exclusivo da partida de futebol, desligando-se de quaisquer questões antes ou depois da partida é essencial para a devida integração dos pilares de preparação em que a concentração e a manutenção do foco nos aspectos relevantes mostram-se fundamentais para as tomadas de decisão seguras e acertadas.

A prática da Psicologia do Esporte também tem nos mostrado necessidade em compreender e superar a fase das polêmicas dos jogos, pois existe um olhar algumas vezes equivocado, viciado pelo tempo por parte de vários segmentos da sociedade, quanto aos conhecimentos das técnicas e regras da Arbitragem de Futebol. 

O árbitro está sujeito a críticas e insultos, quer sejam infundados ou não (Barros, 1990). O acolhimento e a resignificação da prática e da relação homem-árbitro tem sido necessária como estratégia de controle emocional e aprimoramento de resiliência, visto que a atuação do árbitro, tal como a do atleta não se encerra em cada partida, uma vez que ela é reavaliada na próxima oportunidade e assim sucessivamente. 

Com isso, pode-se verificar que as falas são direcionadas pela emoção, pela paixão, e algumas vezes, até pelo hábito de criticar o árbitro, ele sempre é alvo de contradições. Essas críticas esbarram fortemente na individualidade do Homem em questão, o que fortalece a necessidade deste Homem estar sempre trabalhando seu auto-suporte, antenado na busca pela confiança e segurança em seu ser e fazer, cada dia mais  ressignificando o presente procurando integrar o que pode melhorar do passado, com as metas do futuro, e a mobilização de energia no presente, para decidir de forma certeira.

Outras tantas necessidades vão sendo desveladas ao longo do tempo e das circunstâncias de trabalho da psicologia, como possíveis conflitos entre a baixa freqüência de escala para apitar jogos e as dificuldades decorrentes de menor remuneração, bem como a queda na motivação para a manutenção do treinamento físico. Ou seja, o árbitro deve estar sempre pronto para ser escalado em uma partida, mas nem sempre o será. É como se fosse um atleta sempre no banco de reservas, pronto a entrar e que não deve frustrar-se se não for chamado. 

Como lidar com esta dinâmica de expectativas e controle emocional? 

Estas e tantas outras questões manifestam-se na rotina do árbitro, que simultaneamente colocam desafios emocionais e o preparam para as situações de pressão e necessidade de autocontrole no próprio jogo. Ainda para exemplificar as demandas psicológicas da atuação do árbitro, ele deve sempre apresentar-se fisicamente apto às partidas e em caso de lesão ou doença, ele deverá pedir licença, com isso, ele é automaticamente retirado da escala, e/ou sorteio da semana. 

Por tudo isto, evidenciamos, na prática como Psicóloga do Esporte na Comissão de Arbitragem da CBF que a força emocional e a capacidade intelectual de interpretação das situações, à luz do Livro de Regras, aliadas ao permanente exercício da ética compõem os alicerces da atuação do árbitro de futebol brasileiro. Trata-se de uma atividade profissional que envolve paixão, controle, responsabilidade, autoridade e autonomia, revelando em cada um dos homens e mulheres algumas das mais altas qualidades psicológicas que o esporte é capaz de recrutar nos seres humanos quer sejam atletas ou árbitros.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os resultados do trabalho da Preparação Psicológica, desenvolvido no contexto das do Pilar Mental, vêm demonstrando significativa diferença nos planos de concentração, uma aparente motivação da equipe de Arbitragem que carece de encontro e do processo dos pilares em conjunto. 

Reforça também, a prática da Psicologia do Esporte, através do Pilar Mental, pautada na abordagem Gestalt-terapia, com ênfase na tomada de consciência (awareness), no aqui agora, no como decidir, e nas atuações presentes. 

Ao longo do tempo, os árbitros tem se apresentado cada vez mais disponíveis, e confiantes nos experimentos e nos diferentes processos de reabilitação. Sua participação nas atividades de preparação psicológica, na atuação do Pilar Mental tem permitido que sensações e percepções emocionais e corporais sejam desenvolvidas em uma perspectiva unificadora do humano. 

Os árbitros da CBF tem se mostrado capazes de integrar dimensões sensoriais, afetivas, intelectuais e sociais, habilitando-se para a focalização em seus objetivos, e no desenvolvimento de um trabalho de forma criativa, bem humorada, com a postura disciplinar necessária, porém tranqüila e altamente eficaz.   

Por fim, cabe destacar que a atuação do profissional da arbitragem está pautada num código de conduta amplamente debatido, divulgado e exercitado por todos os membros da Comissão de Arbitragem da CBF.

Assim como todos os pilares da preparação do árbitro e auxiliares, a preparação psicológica, ou Pilar Mental, respeita os procedimentos da instituição. Isto significa que cabe a todos os profissionais envolvidos manter sigilo e respeito às práticas realizadas nos processos de preparação, bem como manter discrição no que diz respeito à discussão de condutas de arbitragem.

Deste modo cabe a todos os profissionais envolvidos com a CA/CBF manter-se reservado à participação de debates sobre situações colocadas pela mídia como polêmicas. Preserva-se a imagem do indivíduo que realiza a prática profissional da arbitragem, ao mesmo tempo, que se preservam os procedimentos técnicos da Instituição e de todos os profissionais que colaboram para sua melhoria contínua.

Os debates a respeito de boas ou más condutas são tratados em fóruns internos dedicados a estes fins e outros de ordem técnica que envolve exclusivamente os órgãos esportivos competentes, somente em alguns casos eles são comunicados à comunidade esportiva, com o objetivo de esclarecer e educar a todos os envolvidos com o futebol tendo como pauta à luz das regras.

No mesmo sentido, a atuação do profissional em Psicologia do Esporte, no âmbito de atuação da Preparação Psicológica de Árbitros e Auxiliares da Comissão de Arbitragem da Confederação Brasileira de Futebol, segue os parâmetros e orientações do Conselho Federal de Psicologia especialmente tomando o Código de Ética Profissional como balizador das práticas profissionais, acompanhando ainda quaisquer resoluções sobre atuação nas condições que dizem respeito ao trabalho em questão.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS

 

ANTUNES,P. Regras do Futebol . São Paulo: Cia Brasileira,1992

BARROS, J. M. A. Futebol porque foi...porque não é mais. Rio de Janeiro: Sprint, 1990. 

GINGER,S.A. Uma terapia do contato, São Paulo: Summus, 1995

SOUSA; M.A.M. Gestalt-terapia e a arbitragem de futebol . In. Karina O.Fukumitsu; Hugo R.B.Oddone (org.). Expandindo Fronteiras. Campinas, S.Paulo. Editora Livro Pleno, 2007

MARKUNAS, M. Periodização da Preparação e do Treinamento Psicológico. In: Rubio, K. Psicologia do Esporte: teoria e prática. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2003.

NAZARENO, A. Fundamentos de arbitragem de futebol. Porto Alegre: Sulina,1997.

RUBIO, K. (org.) Encontros e desencontros: descobrindo a Psicologia do Esporte. São Paulo: Casa do Psicólogo. 2000 

ORLICK, T. Em busca da Excelência – Porto Alegre: Artmed, 2009

WEINBERG, R. S. & GOULD, D. Fundamentos da Psicologia do Esporte e do exercício.  Porto Alegre: Artmed,2001.

ZINKER. J. A Busca da elegância em Psicoterapia. São Paulo: Summus, 2001

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http://www.unimasterfutebol.com.br/pdf/ifab_international_football_association_board.pdf  (acessado julho 2011) 

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http://www.cbf.com.br/media/104239/manual_do_assessor_arbitragem_2011 (acessado julho 2011)


MARTA APARECIDA MAGALHÃES DE SOUSA

CRP 06/24.728-1

Psicóloga Escolar - Orientadora de Estudos da Escola Tempo Integral 

Psicóloga Esportiva – Psicóloga da Confederação Brasileira de Futebol

Psicóloga Clínica -  Atua consultório (sede própria)

 Av. Estilac Leal 46, Centro, Guarulhos, São Paulo – CEP 07013.142 

Tefone (011)2229.0951   (011)99642.9344

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