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Psicologia no Futebol de Base: “Como” buscar a vitória?

Por: Michelle Rizkalla

Muito se fala, já há algum tempo, da importância do psicólogo do esporte e podemos acessar a literatura que nos embasa a compreender seu papel voltado para o desenvolvimento de habilidades psicológicas e competências emocionais para a performance. Traduzindo de forma generalizada e simplista, a alta expectativa no trabalho do psicólogo do esporte está em tornar o atleta mentalmente forte no que se refere à: competitividade, alto nível de concentração, criatividade, lidar com pressão e frustração, tomada de decisão eficiente, maturidade, comunicação e liderança eficazes, autoeficácia, resiliência...

Esses comportamentos, que qualificam o conceito “mentalmente forte”, fazem parte de uma longa lista esperada para jovens entre 10 e 20 anos, respectivamente entre as categorias sub10 e sub20 do futebol base. Nesse ponto, considero que a categoria sub20 já tem exigências e características que dissociam do futebol base, apesar da idade em formação. Assim, embora haja essa expectativa, seria possível ter esse padrão “mentalmente forte” diante das situações esportivas competitivas nas quais atletas entre 10 e 20 anos, em fase de formação, atuariam gerenciando de forma eficaz suas emoções, pensamentos e sentimentos? 

Controlar ansiedade antes de um jogo, ter uma boa tomada de decisão, ser competitivo, ter boa comunicação em campo, percepção para definir entre a finalização e assistência, reagir ao perder a bola, motivar-se após um gol sofrido ou após um erro, perseverar mesmo na reserva, ter criatividade e ousadia no ataque, ter concentração nos 90 minutos, entre muitas outras situações que costumam atribuir ao psicólogo sua importância na preparação do atleta para responder às exigências esportivas.

Nesse ponto, o psicólogo deve facilitar o entendimento sobre a fase de desenvolvimento de cada faixa etária, suas demandas e objetivos, assim como deve valorizar um processo de preparação psicológica contínua que acomode os aprendizados de cada fase no repertório emocional e cognitivo do atleta com o objetivo de avançar em maturidade, independência, autonomia e gerenciamento das emoções. É preciso analisar, avaliar e preparar o atleta em cada categoria baseado nas condições e demandas para cada faixa etária, com as exigências e possibilidades para cada idade específica sem perder de vista o objetivo de vitória. Gradativamente, nas fases posteriores as exigências e recursos vão aumentando de acordo com a maturação x maturidade, características da idade e personalidade, assim como história familiar e experiências de vida.

Essa explicação nos permite avaliar melhor as expectativas para o trabalho do Psicólogo do Esporte na base para o qual boa parte espera o desenvolvimento de competências emocionais para alcançar resultados e títulos, numa espécie de “miniaturas de adulto” e próximos a um modelo ideal de perfeição. Ainda que o objetivo seja vencer, existe o “como” se busca essa vitória, o aprendizado desse processo, as avaliações das consequências e isso tudo é um dos pontos relevantes quando se fala de jovens atletas.
O esporte competitivo por ser um sistema seletivo desde as categorias de base pode produzir atletas que passam a se reconhecer sob a dicotomia: aprovado x reprovado; sirvo x não sirvo; capaz x incapaz. Logo, sua auto imagem e autoestima ficam dependentes do status e da produtividade do momento.

Baseada nesse olhar, pude ao longo de quase 17 anos me guiar pelo pensamento: “é possível formar e ganhar”. E assim, na minha prática atuo trazendo os profissionais envolvidos com o atleta a integrarem uma equipe transdisciplinar para alcançar esses dois objetivos complementares: formar e ganhar. Transcendemos o conceito “mentalmente forte” para alcançar apenas resultados, para um novo olhar da importância do Psicólogo do Esporte nas categorias de base. Nessa ótica podemos pensar em 3 segmentos:

*Instituição: no que se refere aos processos tanto de gerenciamento de carreira quanto de metodologias que serão as diretrizes para a preparação sistêmica do jovem atleta, com suas regras e objetivos, assim como valores e missões.

*Comissão Técnica: no que se refere ao papel de líder na tarefa de ensinar não só futebol ou como ganhar um jogo. Também compreender essa função na formação da autoestima, do autoconceito, do nível de confiança e coragem, no senso crítico das situações, no nível de autonomia e independência.

*Atleta: no que se refere não só às competências para um jogo, mas em recursos para lidar com adversidades e frustrações, desenvolver disciplina, persistência e autocontrole, formar sujeitos pensantes e críticos, autorresponsáveis pelas suas conquistas e fracassos, confiantes em suas possibilidades, felizes e seguros em suas escolhas, corajosos para se tornarem independentes e respeitosos na convivência social.
Cabe ao psicólogo do esporte facilitar o processo de autoconhecimento do atleta de suas potencialidades/virtudes e vulnerabilidades para a partir daí desenvolver recursos durante uma preparação ao longo dessa jornada chamada categorias de base, que atravessa a infância, adolescência e início da vida adulta. 
E assim, o Psicólogo do Esporte também pode mostrar sua importância na base: FORMAR e GANHAR, dois caminhos complementares e que abrem inúmeras possibilidades para os jovens se preparem para o esporte competitivo e para a vida.

Currículo Michelle Rizkalla:

- Graduada Psicologia Puc-Rio 2003
- Especialista em Psicologia do Esporte pelo Instituto Sedes Sapientae - SP 2004
- Formação em TCC - Elane Falcone 2004
- Especialista em Terapia Familiar Sistêmica - Núcleo Pesquisas 2010
- Desde 2001 trabalhando com Psicologia do Esporte.
- Psicóloga das categorias de base de futebol do Clube de Regatas do Flamengo
- Coordenadora do Departamento de Psicologia do Botafogo Futebol Base 2011 a 2013
- Psicóloga coordenadora da base e profissional do Audax-Rio 2008 a 2010
- Psicóloga do Tio Sam - futsal- na base e profissional 2003 a 2005
- Psicóloga Olaria A.Clube - futsal 2005
- Psicóloga da equipe infantil do Círculo Militar de São Paulo - basquete 2004
- Psicóloga clínica desportiva desde 2004.
- Co-autora de capítulo de livro sobre Instrumentos de avaliação em Psicologia do Esporte (Katia Rubio, Luciana Angelo org).
- Psicóloga de Projetos Sociais de reabilitação para idosos com atividades físicas 2004 a 2010.

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