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A gestão profissional no futebol está, finalmente, chegando!

Quem conhece e acompanha mais de perto as questões relacionadas à gestão dos clubes de futebol no Brasil sabe que há muito tempo o comando destas instituições é alvo de questionamentos quanto à sua eficácia, transparência e responsabilidade financeira e administrativa: a ausência da gestão “profissional”.

É um equívoco acreditar que este problema tenha origem simplesmente em uma suposta má fé inata por parte dos dirigentes, atuando sempre de maneira irresponsável e dolosa. É verdade que não se pode dizer, também, que não existam tais perfis. Mas não são a maioria. O principal problema tem origem sistêmica e reside em dois aspectos essenciais: a natureza jurídica destas instituições, e a relação permissiva que elas mantiveram ao longo do tempo com os principais clientes do futebol.

Clubes são instituições privadas, associativas, altamente politizadas, nas quais as posições de poder, ocupadas na grande maioria das vezes de forma voluntária, são decididas por meio de eleições internas que não levam em conta, necessariamente, o critério da meritocracia. Isto produz um profundo viés político no dia a dia da administração, afetando decisivamente a qualidade da tomada de decisão gerencial e de negócios. Neles, as posições de comando são usualmente ocupadas por dirigentes estatutários que não são necessariamente gestores, mas estão gestores.

Por outro lado, historicamente, os principais clientes e públicos de interesse do futebol – patrocinadores, grupos de mídia, investidores, o poder público, atletas, torcedores, imprensa e fornecedores – jamais exigiram relações de alto nível com os clubes, submetendo-se, enquanto parceiros/consumidores, a serviços e relacionamentos de qualidade questionável, algo que, em outros setores, colocaria em risco a continuidade da relação comercial.

Em outras palavras, a métrica de avaliação e consequente satisfação com o desempenho dos dirigentes de cada clube sempre obedeceu a uma lógica absolutamente contrária à praticada em setores tradicionais: resultados esportivos de curtíssimo prazo obtidos a qualquer custo sendo mais valorizados do que medidas que busquem a sustentabilidade econômico-financeira no médio e longo prazos, ainda que colocando em risco a própria existência da instituição.

Esta passividade por parte destes agentes produziu, ao longo do tempo, um ambiente de pouco ou nenhum estímulo para que dirigentes buscassem adotar práticas mais eficazes, responsáveis e assertivas de gestão, resultando em um círculo vicioso de acomodação. Como consequência, gestores e executivos profissionais sempre tiveram pouco ou nenhum espaço de trabalho nos clubes.

Pois agora, isto deve mudar. Nos últimos anos importantes iniciativas surgiram, cuja implementação tem elevado potencial para impactar o setor. Os já mencionados clientes do futebol, que detém o poder econômico na relação, amadureceram, percebendo que somente com uma atuação protagonista, exigindo uma relação de alto nível da outra parte, poderiam estimular e promover ativamente as mudanças que o futebol brasileiro precisa.

Fatos como a criação da “Lei de Responsabilidade Fiscal do Esporte” aliada ao surgimento de movimentos por iniciativa de patrocinadores do futebol como o “Prêmio de Excelência do Futebol Brasileiro” da Ambev estimulam a adoção de boas práticas de governança e gestão nos clubes.

No início de 2017 a Confederação Brasileira de Futebol divulgou seu “Regulamento de Licença de Clubes”, documento que, seguindo o movimento mundial de “fair play financeiro” iniciado pela FIFA, regula e estabelece os critérios e condições para que um clube seja considerado apto para disputar competições por ela organizadas. Este fato não recebeu grande destaque, mas aliado às inciativas já mencionadas anteriormente, este novo regramento tem enorme relevância: dentre os diversos critérios de concessão de licença a um clube está a exigência da presença de gestores profissionais, devidamente contratados e remunerados, nas diversas funções da administração dos clubes.

Claro que a natureza jurídica dos clubes não muda e a figura dos dirigentes estatutários continuará presente, porém agora sempre devidamente assessorada por executivos de mercado com qualificação em suas áreas de atuação.

O Regulamento da CBF passa a valer a partir de agora, 2018. A consequência é evidente: é bastante possível que, em um futuro próximo, o mercado aos gestores profissionais de futebol esteja finalmente aberto e estruturado, impactando decisivamente o nível de qualidade da gestão praticada nos clubes.

* Michel Mattar é mestre em administração pela USP, coordenador da FIA Business School e do curso de Gestão do Futebol da CBF, autor dos livros “Gestão de Negócios Esportivos” e “Na trave: o que falta para o futebol brasileiro ter uma gestão profissional”. 

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