Sue Ronan: o futebol feminino na Irlanda

Sue Ronan: o futebol feminino na Irlanda

Como o futebol feminino foi reestruturado por poucas pessoas em um país

Somos Futebol: Desenvolvimento do Futebol Feminino - Sue Ronan

Créditos: Lucas Figueiredo/CBF

A realidade do futebol é diferente em casa país do mundo. A Irlanda tem uma história muito particular no universo do esporte mais popular do mundo, principalmente para as mulheres. Essa história foi a que contou Sue Ronan, head de futebol feminino da Federação Irlandesa de Futebol, na segunda palestra da sessão sobre o tema na Somos Futebol – 2º Semana pela Evolução do Futebol. 

Com pouco mais de cinco milhões de habitantes, a República da Irlanda é um país europeu dentre os mais desenvolvidos do continente. Sue jogou futebol pelo país de 1988 a 1996, quando se aposentou para comandar a seleção feminina sub-16, cargo que ela jamais imaginaria assumir – isso enquanto trabalhava em um hospital de crianças. Desde então, ela e o manto verde da seleção jamais se separariam.

Em 1973 foi criada a Ladies Football Association of Ireland (LFAI), o primeiro suspiro de organização ao futebol feminino do país. Com o passar dos anos, foi natural o desenvolvimento do número de ligas em diferentes categorias, mas que não se configuravam em uma liga nacional unificada. Como a Irlanda não tinha uma estrutura de competição adequada, as melhores jogadoras acabavam indo estudar nos Estados Unidos, mas em universidades de programas de futebol de qualidade inferior.

Em 2005, eram 10.500 jogadoras registradas, mas o país ainda não tinha uma liga nacional, nem um programa de categorias de base. Ano em que uma virada aconteceu na economia local, com investimento das empresas agrícolas.

– Fizemos um plano de cinco anos, de 2006 a 2010, com todo planejamento e consultoria. Nosso objetivo é cobrir todos os elementos do jogo, aumentar nossos números e melhorar nossos padrões, principalmente na base. Queríamos que as meninas mais jovens começassem a aderir. Isso era o elemento chave para melhorar a padronização – explicou Sue, que trabalhava com outras cinco pessoas dentro da Federação.

Soccer Sisters: uma nova estrutura de captação de atletas

Um dos programas criados foi o Soccer Sisters, que envolveu, em 2006, cerca de 780 meninas de sete a 12 anos de idade que queriam jogar futebol. Todo esse programa visava expandir interesse por futebol, buscando o fortalecimento das equipes sub-12, sub-14 e sub-16.

O programa resultou em mais de 23 mil jogadoras registradas nos anos seguintes, e 30 mil meninas participando do Soccer Sisters. 

O sofrimento com a crise no sistema bancário forçou que a Federação Irlandesa promovesse uma reestruturação. Sue se tornou técnica da seleção feminina principal. A liga nacional conseguiu melhorar a cada temporada e as equipes de base ficaram mais fortes.

Com a de novos pilares para a atuação, a Federação elaborou uma estuturação complexa do futebol de base, com incentivo nas escolas, fortalecimento do alto rendimento e manutenção do Soccer Sisters, que já atendeu mais de 30 mil meninas pelo país.

Hoje, depois de uma reestruturação do staff do futebol feminino dentro da federação e a criação de um comitê de desenvolvimento para a modalidade, estabeleceu-se um Programa de Trilha, como um plano de carreira para a atleta: Soccer Sisters, clubes e ligas e academia de futebol até os centros de excelência e a disputa da liga nacional em alto nível.