Somos Futebol recebe representantes da FIFA

Somos Futebol recebe representantes da FIFA

Omar Ongaro, Kimberly Morris e Marcos Motta palestraram sobre o tema na sede da CBF. Profissionais juntaram-se a Reynaldo Buzzoni para roda de debates no final

Somos Futebol: Transferências internacionais

 

O segundo dia de palestras da 2ª Semana de Evolução do Futebol foi iniciado na manhã desta terça-feira (9), na sede da CBF, no Rio de Janeiro (RJ). Com o tema Transferências internacionais - Registros e Transferências Internacionais e Litígios, três palestrantes discorreram sobre o assunto. O primeiro a falar foi Omar Ongaro, Diretor de Regulamentação de Futebol FIFA, que deu ênfase ao relacionamento entre clubes e terceiros nas negociações. Em seguida, Kimberly Morris, líder de Integridade e Compliance da FIFA TMS, destacou a preocupação da Entidade máxima do futebol mundial com a ética. Por fim, Marcos Motta, especialista em Direito Esportivo Internacional da Bichara & Motta Advogados, explicou as particularidades das regras de transferências.

Para encerrar o período da manhã, os três palestrantes juntaram-se ao Diretor de registros e transferências da CBF, Reynaldo Buzzoni, e promoveram uma roda de conversas. Os profissionais debateram sobre o tema e responderam aos questionamentos de expectadores e jornalistas presentes no evento. 

Omar Ongaro: relação clube x terceiros

Diante de um auditório lotado, Omar ganhou a atenção dos expectadores com indagações importantes. O profissional lembrou que a França foi o primeiro país europeu a criar uma fiscalização e regulamentação sobre as transações com participação de TPO (participação de terceiros), na década de 1990. Na FIFA, a primeira vez em que o assunto se tornou relevante foi em 2006 após caso envolvendo o atacante argentino Tévez.

– Era um contrato estabelecido entre ele e o West Ham, e havia um acordo do jogador com duas empresas de empresários não licenciados. Era um caso de TPO, ou seja, terceiros. Não era um jogador com um clube e um clube anterior. Os contratos deram às empresas vários direitos ao jogador, principalmente a capacidade de encerrar o contrato com o clube e negar transferências. As empresas tinham participação ativa na carreira do Tévez e influência direta no clube – recorda.

Kimberly Morris: ética nas transferências

A plataforma ITMS, que gerencia e monitora as transferências internacionais de jogadores masculinos de futebol, foi o destaque de Kimberly Morris. A profissional explicou que o sistema é obrigatório e utilizado por 6.000 clubes profissionais. Através dele, é necessário obter dados e todos os anos são publicados relatórios com essas informações. Esta iniciativa foi tomada pela preocupação da FIFA com a transparência.

– O objetivo da Fifa é gerar transparência, credibilidade e integridade para o mercado de futebol. De 2013 até 2015 foi muito parelho o número de jogadores que entraram e saíram do Brasil. O que é interessante reparar é que isso mostra que a grande massa dos clubes de vocês estão liberando jogadores, mas também estão recebendo – destaca.

Marcos Motta: funcionamento das regras

Em sua palestra, o profissional exemplificou os pontos apresentados com questões particulares. Marcos Motta citou exemplos de negociações em que teve participação e deu a sua opinião sobre alguns assuntos. De certa forma, com as indagações que fez, o advogado iniciou o debate que veio logo a seguir.  

– Os atletas podem ter direitos econômicos? Não é o meu entendimento. Para mim, o atleta não é um terceiro estranho a uma relação contratual. Portanto, ele não pode ser considerado como terceiro. Mas a FIFA atualmente considera ele como terceiro, e ele não pode possuir direitos econômicos – enfatiza.

Roda de debates

O tema continuou a ser discutido em uma roda de debates com os três palestrantes e o Diretor de registros e transferências da CBF, Reynaldo Buzzoni. Os profissionais apresentaram seus pontos de vista sobre os temas e, quando discordaram de algo, argumentaram. Em um determinado momento, Buzzoni fez uma pontuação sobre o papel do interlocutor no futebol e todos os presentes concordaram.  

– O investidor tem que estar no futebol. Mas ele tem que investir no crescimento do futebol, sem pensar somente no lucro. Não podemos ter um player que só está ali para ganhar dinheiro, que faça um clube de hospedeiro – finalizou.