"A dedicação deve ser máxima"

"A dedicação deve ser máxima"

Tricampeão olímpico, o treinador de vôlei da seleção brasileira acredita na quebra de paradigmas no treinamento de mulheres

José Roberto Guimarães José Roberto Guimarães
Créditos: Rafael Ribeiro / CBF

José Roberto Guimarães, técnico da seleção brasileira de vôlei feminino, inspirou a todos que acompanharam seu discurso na manhã desta quarta-feira (27) durante o evento “Somos Futebol – Semana de Evolução do Futebol Brasileiro”, realizado na sede da CBF. A 100 dias das Olimpíadas, o único treinador campeão com a seleção masculina e feminina do maior evento esportivo do mundo presenteou os convidados com histórias acumuladas ao longo dos anos dedicados ao esporte, em especial à modalidade feminina.

Tricampeão olímpico - duas vezes com as mulheres, em 2008 (Pequim) e 2012 (Londres), e uma vez com os homens, em 1992 (Barcelona) -, José Roberto participou do dia de debates sobre a busca por espaço do futebol feminino no Brasil e no mundo à convite de Marco Aurélio Cunha, coordenador da modalidade na CBF. 

– Trocar experiências e trocar ideias a respeito do trabalho executado tanto no futebol quanto no vôlei é importante. E mais ainda porque trabalhamos com mulheres. Podemos melhorar, desenvolver e contribuir para a performance do futebol feminino no Brasil e seu desenvolvimento. É a partir do planejamento e organização que vamos evoluir e deixar um legado para a futura geração.

No começo de sua carreira como técnico, quando era assistente, José Roberto recebeu um conselho de Bebeto de Freitas, personalidade do voleibol, e nunca mais esqueceu. Bebeto disse para o atual técnico da seleção não ter medo de criar e inovar, e levando isso em consideração, José mudou a forma de o Brasil jogar - uma nova escola de vôlei estava formada, e o mundo passou a copiar o novo estilo de jogo.

Durante a palestra, José Roberto relacionou sua experiência com questões pertinentes ao futebol feminino e aproveitou para desenvolver o que quis dizer com a inovação empregada enquanto técnico. Depois de sofrer um revés nas Olimpíadas de 2004, e não conseguir a classificação para a final, o treinador decidiu que seriam necessárias algumas mudanças para que pudesse chegar a uma perspectiva vitoriosa.

– No vôlei, nós também passamos por dificuldades, mas hoje temos uma comparação muito próxima ao masculino, por conta das vitórias que conseguimos. E eu acho que esse também é o caminho do futebol. 

Como primeira medida, José saiu do país para aprender novos estilos, e ao mesmo tempo em que conviveu com as adversárias do Brasil, estudou novas práticas. O segundo ponto para ele está relacionado à quebra de paradigmas em treinar mulheres brasileiras. Segundo o treinador, quando se tratam de mulheres, os treinos vão além da parte técnica e tática, o lado físico e psicológico ganham outro significado, e existe uma sensibilidade envolvida. 

– Para que as jogadoras sejam coniventes com a proposta de trabalho, nossa sensibilidade precisa ser maior ainda. Quando um grupo de mulheres acredita na sua proposta, acredita no que está sendo feito, elas mergulham de cabeça no projeto e são extremamente fiéis. 

O terceiro e último ponto de José Roberto está ligado à preparação. A crença na continuidade e na intensidade, relacionada à recomposição do trabalho e troca de experiência, levaram a equipe de vôlei feminino do Brasil a conquistar dois ouros seguidos nas Olimpíadas.

– Se você não se preparar e se focar adequadamente, perdeu. Não tem outra fórmula, a dedicação deve ser máxima. 

De técnico para técnico, antes de encerrar sua participação na Semana do Futebol, José Roberto deixou um recado para Vadão:

– Desejo que você faça uma grande Olimpíada com o seu time e realize o sonho de muitos brasileiros com uma medalha de ouro em casa. Quando o torcedor vir que o time está treinado, correndo, tentando e se ajudando, não têm críticas. As pessoas dão força, aplaudem e sentem um carinho grande. Esse reconhecimento é o mais importante de tudo.