Base em foco na Semana de Evolução do Futebol

Base em foco na Semana de Evolução do Futebol

Coordenador da base da CBF, Erasmo Damiani, Marcelo Teixeira, do Fluminense, e Joaquim Milheiro, criador do projeto Identidade Portugal, foram os palestrantes

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Créditos: Rafael Ribeiro / CBF

De olho no processo de formação do jogador brasileiro, o tema da tarde desta quinta-feira (28) na Semana de Evolução do Futebol, seminário realizado na CBF que discute os rumos do esporte, foi a categoria de base. 

Erasmo Damiani, coordenador das categorias de base da CBF, Marcelo Teixeira, com a mesma função no Fluminense, e Joaquim Milheiro, criador do projeto Identidade Portugal e responsável pela metodologia de formação do país, foram os palestrantes.

Na CBF desde fevereiro de 2015, Damiani apresentou as mudanças promovidas nas Seleções Brasileiras desde então. Ele falou sobre o quadro administrativo das divisões de base da entidade, mostrou os técnicos das equipes Sub-20 (Rogério Micale), Sub-17 (Carlos Amadeu) e Sub-15 (Guilherme Dalla Déa). 

- Nossa filosofia foi procurar os clubes, os profissionais que lá estavam, para montar nossa equipe com profissionais que conhecem. Montamos o nosso departamento de captação, que tem o Paulinho (Paulo Xavier) como coordenador, e criamos um banco de dados com informações de jogadores brasileiros observados. Queremos deixar um legado. Tudo que estamos fazendo no sentido de organização, observação e estatísticas ficará na CBF.

Damiani conseguiu se manter dentro dos 30 minutos estabelecidos para sua palestra, mas o mesmo não aconteceu com Joaquim Milheiro. Ninguém se preocupou, afinal de contas, ele apresentou um projeto interessante utilizado pela Federação Portuguesa de Futebol. Ele mostrou como Portugal repaginou seu futebol ao buscar um identidade nacional, traçando o perfil do atleta desejado, a forma de encontrá-lo e a metodologia para treiná-lo.

- Assim como o Damiani falou, esse processo passa pela parceria com os clubes. Começamos este projeto há 5 anos e já podemos colher alguns frutos. Por exemplo, antes tínhamos uma ou duas convocações por ano na categoria Sub-15. Aumentamos esse número para seis e com uma competição neste período. Hoje sabemos exatamente a filosofia do jogo português. Claro que cada geração e equipe têm sua característica única, mas a ideia de jogo é a mesma.

Quem falou por último, antes de começar o debate, foi Marcelo Teixeira, diretor da base do Fluminense. Com bastante segurança sobre o que estava dizendo, ele apresentou o programa do Tricolor Carioca, que envolve o início do contato com o futebol, desde as escolinhas do clube, o futsal, passa pela formação no campo e, eventualmente, chega a intercâmbios no exterior.

- Nós montamos um pool de parcerias com clubes da Europa onde colocamos nossos jogadores que sentimos que precisam de uma evolução diferente. Isso começou quando vimos a transformação de um atleta nosso que voltou de um ano de intercâmbio na Suécia com inglês fluente e uma maturidade ímpar. Hoje temos quase 40 jogadores em clubes do exterior, que podem ser aproveitados tecnicamente ou financeiramente.

Após a rodada de palestras, os convidados iniciaram um debate com perguntas vindas da plateia. Como não poderia ser diferente, afinal de contas são temas que andam juntos, a educação foi um dos principais pontos de questionamentos. Isto porque, em sua palestra, Erasmo Damiani havia apresentado o projeto de ter um pedagogo com as Seleções Brasileiras, contratado pela CBF e em contato constante com os clubes para saber da situação escolar dos atletas.

Nesta linha, também falou-se muito sobre aulas de Educação Física no colégio, um dos momentos de primeiros contato de qualquer pessoa com o esporte em geral. Foi aí que o português encerrou com uma reflexão importante.

- A escola de quatro paredes está ultrapassada. O desporto, a arte, isso não fica dentro de sala de aula. É preciso pensar um formato de educação mais lúdico e abrangente.