Governador de São Paulo e Presidente da CBF vão se reunir em janeiro para tratar questão da torcida única

Governador de São Paulo e Presidente da CBF vão se reunir em janeiro para tratar questão da torcida única

João Dória e Rogério Caboclo conversaram neste sábado sobre a situação no Estado de São Paulo

Presidente Rogério Caboclo durante a final do Mundial Sub-17 Presidente Rogério Caboclo durante a final do Mundial Sub-17
Créditos: Alexandre Loureiro/CBF

Em Bragança Paulista para a entrega da taça de Campeão da Série B do Campeonato Brasileiro ao Bragantino na tarde deste sábado, 30, o Presidente da CBF, Rogério Caboclo, conversou por telefone com o Governador de São Paulo, João Dória, para tratar da questão relativa à realização de partidas com torcida única no estado paulista. O tema esteve em debate nesta semana após pedido da Polícia Militar e do Ministério Público de São Paulo para que não houvesse torcedores do Flamengo no jogo contra o Palmeiras, neste domingo, no Allianz Parque.

Dória e Caboclo deixaram marcada para janeiro uma reunião, quando acionarão todas as partes envolvidas na organização dos jogos para debater. A ideia é que o Governo de São Paulo e a CBF busquem, conjuntamente com os órgãos de segurança, Ministério Público, Tribunal de Justiça do Estado e Federação Paulista, uma solução definitiva para esta situação.

Em nota emitida nesta sexta-feira, 29, a CBF manifestou sua contrariedade à realização de jogos de futebol com torcida única, apesar de se ver compelida a acatar a recomendação do Ministério Público de São Paulo, em razão do grave temor manifestado pelos órgãos de segurança pública.

Confira nota da CBF na íntegra:

A CBF vem a público informar que, por recomendação do Ministério Público do Estado de São Paulo, amparada em requerimento formulado pela Polícia Militar daquele Estado, não haverá a venda de ingressos para a torcida do Flamengo para a partida a ser disputada no próximo dia 01 de dezembro, entre a Sociedade Esportiva Palmeiras e o Clube de Regatas do Flamengo.

Embora seja contrária à realização de partidas de futebol com torcida única, a CBF, sempre a favor da integridade física dos torcedores, mas preocupada com o equilíbrio esportivo, responsabilidade institucional e compromissos econômicos decorrentes, se viu compelida, em caráter excepcional, a acatar a recomendação em questão, em razão do grave temor manifestado pelos órgãos de segurança pública de São Paulo quanto à possibilidade de enfrentamentos violentos entre torcedores das duas equipes.

De qualquer forma, a CBF não pode deixar de consignar que, a despeito de risco similar, as autoridades públicas do Rio de Janeiro não obstruíram a presença dos torcedores palmeirenses na partida disputada no primeiro turno, o que permitiu que o Clube de Regatas do Flamengo efetuasse a venda de 4.000 ingressos à torcida do Palmeiras na ocasião.

A CBF sempre respeitará decisões embasadas provenientes de autoridades responsáveis, como o Ministério Público do Estado de São Paulo e a Polícia Militar do Estado de São Paulo, mas enfatiza que a adoção da torcida única afeta direitos de terceiros, que vão desde os patrocinadores, passando pelos telespectadores e atingindo, principalmente, os torcedores.