Tratamento das lesões musculares no futebol

Tratamento das lesões musculares no futebol

Especialistas explicam os diversos fatores que podem levar à ocorrência de lesões musculares e seus principais tratamentos

III Simpósio de Educação Continuada da CNMF - Gustavo Arliani

III Simpósio de Educação Continuada da CNMF - Gustavo Arliani

Créditos: Lucas Figueiredo/CBF

No encerramento do primeiro dia do 3º Simpósio Médico de Educação Continuada da Comissão Nacional de Médicos do Futebol, o tema apresentado foi "Tratamento das lesões musculares no futebol", sob a coordenação de André Pedrinelli, membro da equipe médica da Seleção Brasileira de Futebol, especialista em ortopedia e traumatologia. Através da correlação entre a quantidade de jogos e de treinamentos na rotina de um atleta, o doutor chamou atenção para outros fatores que também podem gerar lesões nos jogadores.

– A atividade de velocidade é sempre a maior sede das lesões musculares e normalmente elas têm um período moderado de cicatrização. Não importa muito se é um time da faculdade ou um time campeão da Copa, você sabe que, para cada 25 atletas, você espera mais ou menos 50 lesões no ano, sendo que dez a 15 dessas serão musculares – pontuou. 

Para André, o ultrassom é uma ferramenta muito útil para o diagnóstico preventivo, o que aumenta consideravelmente as chances de êxito durante o tratamento e diminui os riscos de novas lesões. 

Dando sequência ao ciclo de palestras, o segundo participante foi Ricardo Sasaki, atual fisioterapeuta da Seleção Brasileira de Futebol. Ele falou sobre os critérios de retorno após lesão muscular. Dentre os temas apresentados estão: autorrelato do atleta referindo-se à confiança para o retorno ao esporte; força muscular adequada; recuperação total da capacidade aeróbica e anaeróbica; ausência de dor; flexibilidade normal; dois treinos completos antes da liberação e bom controle do quadril. Sasaki ressaltou que o risco de lesão nos jogos é seis vezes maior do que nos treinamentos e que é de suma importância respeitar as características individuais de cada jogador no seu tempo de recuperação. 

– A gente tem que respeitar a qualidade de cada jogador, a qualidade física é uma característica de cada jogador. Normalmente, dois atletas têm a mesma lesão, mas um é goleiro e o outro é lateral. Você tem que levar isso em consideração dentro dos seus critérios – concluiu. 

Trazendo informações sobre o tema "Fratura por estresse no futebol", o quarto convidado a se apresentar foi Gustavo Arliani, médico ortopedista e membro do Comitê Médico da Federação Paulista. Em suas colocações, Gustavo chamou atenção para fatores que podem atenuar a pré-disposição de fratura por stress como falhas no alinhamento ósseo, variação hormonal e carência de vitaminas (cálcio e D) e citou o trabalho especial de fortalecimento que eles fazem com a Seleção Brasileira de Futebol Feminino.  

Para encerrar a agenda no primeiro dia do 3º Simpósio Médico de Educação Continuada da Comissão Nacional de Médicos do Futebol, Paulo Lobo, diretor do departamento de medicina esportiva do hospital HOME - Centro Médico de Excelência da FIFA, esteve presente no auditório da CBF falando sobre o sucesso do Programa FIFA 11+ e do recente experimento feito em Brasília utilizando o programa, onde conseguiu reduzir 50% das lesões nos árbitros de futebol. Lobo também aproveitou a noite desta terça-feira para lembrar aos presentes que a melhor prevenção contra lesões é a prática de esportes!

O evento continua durante nesta quarta-feira (25).

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