Simpósio da Comissão Médica é aberto com debates sobre registro

Simpósio da Comissão Médica é aberto com debates sobre registro

Evento tem como objetivo discutir o papel da medicina no futebol brasileiro , que se realiza em dois dias no Rio de Janeiro,

IV Simpósio Médico

Créditos: Lucas Figueiredo/CBF

Teve início nesta segunda-feira (26) o IV Simpósio de Educação Continuada da Comissão Médica e de Combate à Dopagem. Com a medicina como tema central, o evento propõe uma série de debates com a presença dos principais profissionais da área no futebol brasileiro. O presidente da Comissão de Médicos da CBF, Jorge Pagura, fez a abertura do Simpósio. Em seguida, foi a vez de Diogo Netto, gerente de Desenvolvimento Técnico, Responsabilidade Social e Sustentabilidade da CBF, falar sobre sua experiência com o futebol como transformador social. Ele é um dos responsáveis pelo projeto CBF Social, que realiza verdadeiros festivais de futebol para atingir crianças Brasil afora. Entre os temas, também esteve o projeto Gol do Brasil, uma metodologia desenvolvida pela CBF para atender crianças de 6 a 16 anos de idade.

Em seu primeiro módulo, o foco do evento ficou no papel do departamento médico no âmbito do licenciamento de clubes e registro de atletas.

O licenciamento tem trabalhado para obter garantias dos clubes, para assegurar cuidados médicos essenciais para os profissionais do futebol. O clube requerente, por exemplo, deve disponibilizar suporte médico em todas as atividades do futebol profissional e das categorias de base.

Diretor de Registro e Transferências da CBF, Reynaldo Buzzoni falou sobre as obrigações dos clubes com a área médica. 

- Para o ano que vem, vamos conversar com o Pagura, para fazer uma vistoria em cada centro de treinamento e estádio que participa da Série A e Série B, para verificar se esses departamentos médicos estão de acordo com o que a CBF exige. Se o clube tiver alguma coisa que tenha que ser feita, será dado um prazo para ele.

Um dos avanços previstos pela CBF é o uso da assinatura digital durante o registro de atletas. Todo jogador precisa de um atestado médico para ser registrado na CBF. A entidade vê a assinatura digital como uma forma de ter mais garantias para o registro.

- A gente recebe por volta de 60 mil contratos por ano. E não tenho como garantir que a assinatura que foi feita é mesmo do médico. Quando vem sem assinatura, sem CRM, a gente reprova. Mas a assinatura digital dá uma garantia muito maior para a gente, e para vocês (médicos) próprios.

Medicina na China

Com experiência internacional, o médico Edilson Thiele apresentou algumas das características do trabalho fora do Brasil. Sua carreira no futebol começou no Atlético-PR. Após passagens pela Seleção Brasileira, foi convidado por Luiz Felipe Scolari para trabalhar no futebol chinês. O convite, que parecia absurdo à época, acabou se apresentando como uma grande oportunidade.

Outros países apresentam desafios como outro calendário, jogadores com características diferentes e uma cultura de futebol diferente. Thiele detalhou parte de seu trabalho no Guangzhou Evergrande. Na sequência, o médico Cláudio Gil dissecou os riscos e os paradigmas da medicina do exercício e do esporte. Para o doutor, é essencial ter em mente a exposição a que um atleta de alto nível sempre está sujeito. Mas reforçou que não praticar esportes é um risco muito maior.

- Temos que ter essa visão científica, mas também compreender o lado complexo do ser humano. É isso que esses congressos, além de aprofundar o conhecimento técnico e científico, fazem.

Com a participação do tetracampeão Branco, coordenador da base da Seleção Brasileira, e Walter Feldman, Secretário-Geral da CBF, o Simpósio foi oficialmente aberto, logo após o discurso do doutor Gil. A solenidade ainda contou com a presença de Fernando Solera, presidente da Comissão de Doping da CBF.

As conferências do primeiro módulo se encerraram com a apresentação de Jorge Pagura sobre o uso da ciência e da tecnologia no futebol. Pagura detalhou o trabalho da Comissão Médica e de Combate à Dopagem da CBF, incluindo os programas de concussão, control de doping e de temperatura, e de uso do futebol como transformador social. 

- Já tivemos workshops e palestras em mais de 19 estados brasileiros, com mais de 100 horas de palestra. É um trabalho que a gente tem feito, e a gente agradece a disponibilidade do (Fernando) Solera para isso.