Médicos discutem recuperação e lesões do joelho

Médicos discutem recuperação e lesões do joelho

Na manhã desta quarta-feira (25), o Dr. Moisés Cohen e o Dr. Sérgio Freire Jr. coordenaram módulos que discutiram novidades em procedimentos e lesões de joelho

III Simpósio de Educação Continuada da CNMF. Sergio Freire. Lucas Figueiredo/CBF

III Simpósio de Educação Continuada da CNMF. Sergio Freire. Lucas Figueiredo/CBF

Créditos: Lucas Figueiredo/CBF

III Simpósio de Educação Continuada da CNMF - Luis Fernando Funchal

III Simpósio de Educação Continuada da CNMF - Luis Fernando Funchal

Créditos: Lucas Figueiredo/CBF

III Simpósio de Educação Continuada da CNMF - Marcos Girão

III Simpósio de Educação Continuada da CNMF - Marcos Girão

Créditos: Lucas Figueiredo/CBF

III Simpósio de Educação Continuada da CNMF - João Granjeiro

III Simpósio de Educação Continuada da CNMF - João Granjeiro

Créditos: Lucas Figueiredo/CBF

III Simpósio de Educação Continuada da CNMF - Alex Evangelista

III Simpósio de Educação Continuada da CNMF - Alex Evangelista

Créditos: Lucas Figueiredo/CBF

III Simpósio de Educação Continuada da CNMF - Moisés Cohen

III Simpósio de Educação Continuada da CNMF - Moisés Cohen

Créditos: Lucas Figueiredo/CBF

No encerramento do 3º Simpósio de Educação Continuada da Comissão Nacional de Médicos do Futebol (CNMF), dois módulos se debruçaram sobre as principais inovações técnicas e novas perspectivas sobre as mais frequentes lesões de joelho no universo do futebol. Os painéis, coordenados pelo Dr. Moisés Cohen e Dr. Sérgio Freire Jr., contaram com apresentações de João Grangeiro, Marcos Girão, Luis Fernando Funchal, Alex Evangelista, além de palestras dos moderadores do tema.

Coube ao Dr. Moisés Cohen abrir as discussões com uma apresentação sobre a importância e novas técnicas acerca da reparação meniscal. O Dr. Cohen iniciou a palestra apresentando as principais características anatômicas da região dos meniscos, ressaltando os detalhes e pontos de interesse na avaliação médica. Em seguida, definiu as principais indicações clínicas para a intervenção cirúrgica de reparação meniscal: classicamente, lesões associadas à alta instabilidade da região, podendo ser verticais, longitudinais e periféricas, com degeneração mínima do corpo meniscal, e quando há lesões acometendo ao menos 50% da estrutura, seja no sentido radial, ou na orientação proximal-distal. Posteriormente, Dr. Moisés Cohen exibiu, em vídeos, diversos casos clínicos descrevendo as técnicas e dispositivos empregados em diversas propostas para reparação meniscal. Fechou a apresentação apresentando índices de sucesso da técnica cirúrgica e, no encerramento, o especialista destacou a frequência com que a sutura de menisco tem sido utilizada e a necessidade de enxergar além da recuperação imediata.

– O procedimento é cada vez mais frequente, cada vez mais rotineiro no nosso dia a dia. É rara uma semana em que não façamos duas, três reparações meniscais, algo que antes era extremamente menos recorrente. Acreditamos no sucesso da técnica. Por experiência, cerca de 80% dos indivíduos que passaram por meniscectomias (remoção ou recuperação integral/parcial do menisco) desenvolvem artroses. Temos que pensar um pouco a longo prazo. Temos que pensar em defender a saúde do atleta. Então, a ideia é que paremos de falar “preserve o menisco“, e realmente comecemos a executar reparações e suturas de menisco – destacou o Dr. Cohen.

Em seguida, o Dr. João Grangeiro assumiu o palco e apresentou uma análise sobre as lesões condrais associadas ao futebol. A palestra começou com uma densa análise da estrutura cartilaginosa da região dos joelhos: suas funcionalidades, características e relação anatômica com os principais movimentos articulares. Na sequência, Grangeiro enfatizou os principais critérios de diagnóstico das mais frequentes lesões de cartilagem ligadas à prática do futebol, e salientou a importância da análise clínica na recomendação de intervenção cirúrgica em determinados quadros médicos. Em seguida, o especialista enumerou as principais técnicas para tratamento e recuperação de lesões condrais, tanto invasivas quanto não-invasivas. Posteriormente, apresentou as principais técnicas cirúrgicas relacionadas a lesões deste gênero: a abrasão ou “shaving“, as microfraturas, a mosaicoplastia, o transplante autólogo de condrócitos e o transplante osteocondral. O médico finalizou exibindo casos clínicos e o uso das técnicas demonstradas, além dos impactos na recuperação e no tratamento dos atletas.

Para encerrar o primeiro módulo dedicado às questões do joelho, o Dr. Marcos Girão assumiu a discussão sobre o uso das técnicas de osteotomia (procedimento cirúrgico no osso) no tratamento de jogadores de futebol. O especialista começou a palestra exibindo a evolução do uso do procedimento através de literatura médica e de diversos artigos, nacionais e internacionais, relacionados à implementação da técnica. Em seguida, após a apresentação da base bibliográfica e seus desdobramentos, o Dr. Girão discutiu os principais fatores pré-operatórios e os objetivos esperados com a execução da técnica: redução da dor, uma melhor da função articular e correção e alinhamento do eixo da articulação. Após analisar os detalhes do procedimento e destacar os principais exames utilizados para potencializar o diagnóstico e favorecer uma indicação correta da intervenção, através de vídeos e esquemas ilustrativos, o especialista encerrou a apresentação com as principais conclusões sobre a técnica.

– Existe espaço para indicação da osteotomia em casos suportados para a literatura e precisamos estar abertos a novos conceitos. É um procedimento cirúrgico tecnicamente exigente e não isento de complicações, com resultados mais estáveis apoiado em instrumentos e dispositivos de fixação. Atletas jovens e motivados apresentam resultados melhores, e evidências apontam melhorias na qualidade de vida em atletas aposentados – conclui o Dr. Marcos Girão.

Na abertura do segundo painel temático sobre os joelhos, o Dr. Moisés Cohen retornou ao palco para debater as novidades da medicina referentes às lesões no ligamento colateral anterior (LCA). Dando sequência a sua primeira apresentação, em que tratou da cirurgia de sutura meniscal, o Dr. Cohen discutiu as principais técnicas invasivas na reparação do LCA, com destaque para o novo “padrão ouro“: a abordagem “all-inside“, que consiste na execução do procedimento de recuperação de ligamento, sem ter que realizar um túnel na região cortical, tibial ou femural. Deste modo, há uma menor agressão intra-operatória, com melhor evolução da recuperação pós-operatória, e uma maior integração na interface com o osso, sem o uso de parafusos entre a estrutura óssea e o enxerto. Através da exposição de diversos vídeos e casos clínicos detalhando as etapas, Cohen trouxe para a discussão a técnica, entrando nas especificidades de seu instrumental e dispositivos de execução. Para o especialista, a técnica é ainda mais bem sucedida sob o domínio das bases da anatomia.

– A anatomia é a base de tudo. Independente da técnica, independente do tendão e de quais instrumentos vá usar, é seguir os conceitos básicos da anatomia. Além disso, é preciso ter mente aberta. Eu estou sempre pronto e disposto a aprender coisas novas, mas sempre com uma visão crítica. Não é qualquer modificação, um surgimento de uma nova técnica, que fará mudar toda uma experiência de vida – completou o Dr. Cohen.

O coordenador do módulo de joelho ainda subiu ao palco mais uma vez para discutir as lesões e complicações do ligamento anterolateral (LAL). Por ser tratar de um assunto recente e com pesquisas em estágio inicial dentro da literatura médica, o Dr. Cohen salientou as perspectivas plurais quanto a anatomia e os procedimentos já enraizados no tratamento e recuperação de contusões do ligamento. O especialista exibiu vídeos ilustrativos para descrever as técnicas e ferramentas utilizadas para fixação e reconstrução da estrutura ligamentar, e finalizou destacando as principais dificuldades em abordar a região. 

– Vale destacar a complexidade do trato iliotibial. Nós estudamos bastante a anatomia da região e ele tem várias expansões, várias fibras na sua profundidade, na região capsular óssea. E você pode encontrar outras estruturas ligamentares. Isso não quer dizer que o anterolateral não exista, mas talvez ele não seja uma estrutura isolada, para que se possa evitar o pivô. A tendência, mas ainda sem evidência, é que a reconstrução do ligamento lateral, associado ao anterolateral, auxilie na estabilização do joelho – destacou o especialista.

Para apresentar as principais questões acerca do ligamento colateral medial (LCM), foi convidado ao palco o Dr. Luis Fernando Funchal. O especialista abriu a apresentação discutindo as principais características da estrutura ligamentar, através de esquemas, imagens e vídeos. Apontou a literatura médica disponível para determinar as melhores avaliações clínicas e as necessidades da estrutura e ressaltou a importância do ligamento na estabilidade da articulação e na capacidade rotacional do joelho. Para Funchal, existe uma relação direta entre o LCM e o menisco medial, além de uma unidade no tratamento funcional e estrutural do ligamento em questão, apesar da subdivisão anatômica. O médico destacou os impactos das lesões do tendão, e salientou a conexão com contusões associadas ao ligamento colateral anterior, de maneira que alguns sintomas e desdobramentos da análise clínica são decorrentes do ligamento lateral. Em seguida, o profissional exibiu diversas análises esquemáticas das classificações das lesões de ligamento colateral medial, descreveu os principais fatores para indicação de reparação cirúrgica e exibiu os principais critérios para a recuperação pós-operatória. Após a apresentação dos casos clínicos e da demonstração de diversas técnicas de intervenção cirúrgica para reparar lesões do ligamento medial, o Dr. Funchal concluiu afirmando que o futebol é um dos principais causadores de traumas na estrutura medial do joelho, e que são vitais as constantes avaliações físicas. Ele ressaltou a necessidade de procurar alterações nas imagens obtidas por ressonância magnética.

O Dr. Sérgio Freire Jr. apresentou as principais questões em torno das lesões do compartimento posterolateral. O especialista exibiu esquemas ilustrativos e destacou a anatomia particular da estrutura, além de analisar detalhadamente o desenvolvimento biomecânico da região do joelho. Para enriquecer a palestra, Freire Jr. expôs diversos casos clínicos em que ressaltou os principais pontos de interesse no diagnóstico e fatores pré-operatórios críticos. Apresentou técnicas de intervenção cirúrgica para reconstrução da estrutura, e apontou os principais balizadores a serem observados no período de recuperação e no pós-operatório. Para o especialista, o tempo ideal para solução da lesão seria de seis a nove meses.

Para encerrar a manhã de apresentações, o fisioterapeuta Alex Evangelista palestrou sobre a importância do processo de recuperação do atleta após passar por uma intervenção cirúrgica. O profissional destacou, inicialmente, os fatores pré-disponentes para o agravamemento das lesões, além de subdividir o processo de recuperação em três etapas a serem seguidas e respeitadas: a resposta inflamatória, a recuperação fibroblástica, e a remodelação muscular. Evangelista apresentou diversos relatórios e indicadores para corroborar o processo, e explicou detalhadamente cada etapa atravessada, seus principais pontos críticos e as expectativas obtidas através dos números e equipamentos dispostos no tratamento. No entanto, o fisioterapeuta destacou o caráter constante do tratamento e a importância da parceria com o departamento médico do clube

– Apesar de as fases serem apresentadas como distintas, o período de recuperação é contínuo, com as etapas sobrepondo-se. Nosso compromisso como fisioterapeuta é estar diariamente conversando com o médico para termos um direcionamento sobre os nossos resultados – concluiu Alex Evangelista.