Contratações e riscos da pré-temporada: o módulo II do Simpósio Médico

Contratações e riscos da pré-temporada: o módulo II do Simpósio Médico

Médico conceituado no futebol brasileiro, Michael Simoni discorreu sobre cenários e dilemas médicos no dia a dia dos clubes de futebol

IV Simpósio Médico

Créditos: Lucas Figueiredo/CBF

Como é avaliar um jogador que acaba de chegar ao seu clube? Qual é o tamanho da responsabilidade de um médico que deve dar o aval ou não para uma contratação de peso? Esses foram alguns dos questionamentos do tema da mesa comandada pelo médico Michael Simoni, de longa trajetória no futebol brasileiro.

No futebol de clubes, passou boa parte de seu tempo atuando no Fluminense, onde tratou grandes jogadores e foi responsável por lidar com verdadeiros dilemas médicos. Alguns deles viraram objeto da palestra. Com a ajuda do fisiologista Rodrigo Morandi e o médico Alexandre dos Santos Cabral, discorreu sobre alguns cenários que teve de enfrentar quando estava no Tricolor.

O que fazer, por exemplo, quando um reforço que chega para salvar o time de um rebaixamento tem o joelho comprometido por uma artroscopia recém-feita? O que decidir quando um atleta tem um quadro físico bom, mas apresenta sérios riscos cardíacos? Para Simoni o veto só é necessário em três casos: risco de óbito, risco de incapacidade definitiva e, eventualmente, risco de botar um cara para jogar e ele precisar de uma cirurgia. Há também a contraindicação, quando o jogador tem um histórico que não mostra que ele teve muita sequência nos últimos anos. 

- (O risco de parada cardíaca) é a única causa real para veto de um jogador. O presidente pode falar que quer muito, que vai passar por cima, que eu digo: "foi um prazer te conhecer, um abraço!" - disse. 

Antes de qualquer contrato ser assinado, o jogador precisa passar por uma bateria de exames. O exame de pré-contratação se inicia com uma avaliação profunda do histórico, que deve ser minucioso, deixando que cada especialista responda por sua área. Mais do que a responsabilidade pelo projeto de futebol do time, o médico ainda responde pela saúde do atleta, a maior prioridade neste caso.

- Só três pessoas assinam um contrato de futebol: o jogador, o presidente e o médico. O médico é responsável pela contratação - reforçou Simoni.