Pagura fala de concussões em jogadores de futebol

Pagura fala de concussões em jogadores de futebol

Jorge Roberto Pagura, presidente da CNMF, falou sobre o momento em que os atletas devem ser retirados de campo e o retorno. Gustavo Korte focou na avaliação

III Simpósio de Educação Continuada da CNMF - Dr Pagura III Simpósio de Educação Continuada da CNMF - Dr Pagura
Créditos: Lucas Figueiredo/CBF

O Módulo 4 do 3º Simpósio Médico de Educação Continuada da Comissão Nacional de Médicos do Futebol teve como tema Concussão em atletas de futebol. O presidente da CNMF, Dr. Jorge Roberto Pagura, iniciou os trabalhos com foco no momento em que os atletas devem ser retirados das competições e quando retornar às atividades após algum tipo de trauma. 

Com muitos exemplos em vídeos, o profissional destacou que os protocolos devem ser estabelecidos, para que vire regra retirar um atleta que não esteja em condições ideias da partida. No caso de uma concussão, ele deixou claro que é necessária avaliação mais elaborada.

Jorge Pagura destacou que é necessário retirar os atletas dos gramado caso os sintomas se relacionem a concussão por conta do grave risco de agravo à saúde, além da alteração imprevisível da performance esportiva. O médico lembrou ainda que uma concussão prejudica o tempo de reação simples (reflexo), reação de escolha, diminui a visão periférica, diminui a resistência física e a tolerância ao esforço. A leitura de jogo e a compreensão as orientações do treinador também sofrem alterações. 

– Neste lance do Álvaro Pereira (atleta uruguaio). Ele bateu a cabeça, apresentou os sintomas, mas discutiu com o médico e não quis sair. Aí dizem que é a raça uruguaia. Não é! Não pode ser! Isso é confusão mental. E se ele tem um outro trauma em sequência? – destacou.

Ao comentar sobre o retorno dos atletas após uma concussão, o presidente da CNMF destacou a busca incessante pela capacitação profissional e revelou que há uma ideia de fazer testes para uma alteração da regra envolvendo o assunto. Vem sendo estudada a possibilidade da criação de uma substituição de 10 minutos. Caso o atleta sofra o trauma, ele poderia sair de campo e receber um acompanhamento médico. Se não conseguir retornar, a troca seria efetivada. Caso fique hapto, voltaria normalmente.

Na sequência, o psicólogo Gustavo Korte falou sobre a avaliação computadorizada. O profissional revelou os métodos utilizados para avaliar memória, concentração, velocidade do processamento, acurácia do processamento, razão, entre outros. 

Gustavo explicou que tudo passa por uma avaliação basal. São realizados testes de déficit de atenção e desempenho normal. Essa avaliação ajuda a proteger os jogadores contra outros riscos, como uma volta prematura, que pode causar problemas ainda maiores.

O teste computadorizado é simples e não é necessário ter uma formação medicinal para utilizar a ferramenta. A ideia é que treinadores de base sejam capacitados para que, quando desconfiem de algum problema, possam aplicar o teste. Caso o resultado seja positivo, a avaliação seria enviada para o médico do clube. 

– A avaliação computadorizada é vantajosa porque o resultado é quase imediato, leva cerca de 20 minutos. Tem resultados comparados, tem uma facilidade de administração, não precisa ser administrado por um neuropsicólogo e aumenta também a confiabilidade do teste-reteste. Qualquer um pode ter acesso a esta informação. É necessário apenas que um médico faça o acompanhamento. Mas claro, para liberar o retorno aos gramados, é necessário que sejam realizados outros exames que deem mais confiança – acrescentou. 

Por fim, o psicólogo destacou o período em que os testes devem ser feitos visando o retorno e revelou que ele é capaz de reconhecer se está havendo ou não uma melhora. Antes do encerramento do módulo, os dois palestrantes responderam questionamentos dos participantes.

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