Ex-árbitros analisam transição de carreira

Participantes da Turma II do Curso de Aprimoramento para Instrutores de Árbitros falam sobre os principais desafios da nova função dentro da Arbitragem

Curso de Aperfeiçoamento para Instrutores de Árbitros - Turma II

Créditos: CBF

A experiência adquirida dentro das quatro linhas contribui diretamente no processo de transição de carreira dos ex-árbitros que assumem a função de instrutores. A nova etapa na carreira dos profissionais de arbitragem, porém, tem suas nuances e habilidades específicas precisam ser desenvolvidas. De olho nessa especialização, a Comissão de Arbitragem da CBF e a Escola Nacional de Arbitragem do Futebol (ENAF) vêm aplicando cursos voltados aos instrutores regionais.

Abrindo a programação de 2018, o Curso de Aperfeiçoamento para Instrutores de Árbitros iniciou os trabalhos com a Turma II no último dia 29, em Pinheiral (RJ). Com período de duração inédito no Brasil, o treinamento, que vai até o dia 7 de fevereiro, tem entre os principais objetivos qualificar e padronizar os processos de ensinamento que os instrutores regionais transmitirão aos árbitros de suas respectivas federações.

Representante do Espírito Santo, Marcos André Gomes comentou a importância do instrutor na formação dos árbitros. Após 20 anos dedicados ao apito com 163 atuações pela CBF, o capixaba falou sobre a importância dos cursos para encarar o novo desafio da carreira.

– Até pouco tempo estava atuando como árbitro no Campeonato Brasileiro. Fiz diversos jogos nas Séries A, B, C e D. E, agora, nessa nova fase como instrutor, justamente o maior desafio que a gente tem é sair dessa vestimenta do árbitro para se transformar no instrutor de arbitragem. A gente tem uma visão como árbitro de uma forma e o instrutor deve ser lapidado para poder buscar a formação do árbitro de futebol. Para poder auxiliar o árbitro de futebol, para ele desempenhar suas atividades dento do campo – analisou Marcos André Gomes.

Árbitro-assistente durante 25 anos, sendo 12 deles representando o quadro internacional da FIFA, Hilton Rodrigues Montinho também destacou as diferenças entre as duas funções da arbitragem. Segundo o instrutor carioca, os cursos contribuem na transição de carreira. 

– É uma função um pouco diferente. Você tem que absorver os conceitos e passar esses conceitos para que os árbitros tenham um melhor entendimento. É uma transição tênue, muito difícil de fazer... Então, é um amadurecimento. E o curso que estamos fazendo, ministrado pela CBF, é de suma importância para que eu e os outros companheiros possamos amadurecer esses critérios e conhecimentos para poder ensinar – comentou Hilton Montinho.

Árbitro atuante até 2017, o gaúcho Francisco de Paula Santos Silva Neto se mostrou empolgado com a nova missão que tem pela frente. Para seguir contribuindo com a arbitragem brasileira, o instrutor destacou como essencial o total domínio das regras do futebol. 

– Estou aprendendo muito mais do que quando eu era árbitro. Analiso mais friamente. Leio mais as regras para tentar, quando estiver na frente dos árbitros como instrutor, saber tirar as dúvidas. Quando não souber, voltar com a resposta em outro momento. É uma visão bem diferente. Lá (como árbitro), parece que você está sozinho, dois auxiliares... E aqui, você se torna mais um gestor de outras pessoas – afirmou Francisco de Paula. 

Além dos exercícios teóricos em sala de aula, os alunos foram ao campo principal do CT João Havelange no último final de semana e trabalharam simulações de jogadas. Os instrutores da CBF pararam os lances diversas vezes para corrigir e orientar os instrutores regionais. No sábado (3), o relatório do RADAR (Relatório de Análise de Desempenho de Arbitragem) com os lances do último Campeonato Brasileiro também foram apresentados. 

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