Após três dias, Workshop da Arbitragem encerra em alto nível

Após três dias, Workshop da Arbitragem encerra em alto nível

O último dia do Workshop de Arbitragem foi, mais uma vez, em alto nível. Realizado nesta quarta-feira (12), com alguns participantes na CBF e a maioria de forma remota, o evento contou com as presenças da ex-árbitra americana Kari Saitz, falando sobre arbitragem feminina, o holandês Mike Van der Roest, falando de VAR, e do uruguaio Jorge Larrionda falando sobre arbitragem preventiva.

Segundo dia de Workshop de arbitragem 2021 Segundo dia de Workshop de arbitragem 2021
Créditos: Thais Magalhães/CBF

O último dia do Workshop de Arbitragem foi, mais uma vez, em alto nível. Realizado nesta quarta-feira (12), com alguns participantes na CBF e a maioria de forma remota, o evento contou com as presenças da ex-árbitra americana Kari Saitz, falando sobre arbitragem feminina, o holandês Mike Van der Roest, falando de VAR, e do uruguaio Jorge Larrionda falando sobre arbitragem preventiva.

“O olhar e a atenção dos árbitros nesses três dias foram incríveis. Todos ganharam muito. Apitar futebol é para quem é craque. Não é algo que é feito da noite para o dia. É preciso uma preparação contínua.”, disse Leonardo Gaciba, presidente da Comissão de Arbitragem da CBF.

A EVOLUÇÃO DA ARBITRAGEM FEMININA

Com quatro Copas do Mundo e quatro jogos Jogos Olímpicos no currículo, a ex-árbitra americana Kari Saitz abriu o último dia do Workshop da Arbitragem, falando sobre a evolução e o futuro da arbitragem feminina. Saitz disse que a FIFA tem investido bastante no futebol feminino e, também, na arbitragem feminina por consequência.

“Já estamos trabalhando pensando na Copa do Mundo de 2023, mas antes disso queremos ir além. Mulheres podem e devem arbitrar jogos de todos os gêneros e de todos os níveis. E isso é um trabalho que o Brasil tem sido líder: na inclusão e valorização das mulheres”, afirmou, citando o exemplo da brasileira Édina Alves que vai aos Jogos Olímpicos de Tóquio (junto com Wagner Reway e a assistente Neuza Back), e está capacitada para apitar jogos tanto femininos quanto masculinos. “Ela vai ser um exemplo para o mundo inteiro”, afirmou, lembrando o elogio feito pelo presidente da FIFA, Gianni Infantino, ao trio liderado por Édina que atuou no Mundial de Clubes da Fifa.”

Kari Saitz falou ainda sobre a importância da preparação física. E voltou a elogiar o Brasil, que desde 2007, por decisão de Sérgio Correa, igualou os índices físicos de homens e mulheres. Também ressaltou a necessidade de preparação mental, e do olhar diferenciado que a FIFA tem tido para árbitras, que já podem, por exemplo, levar seus filhos menores de cinco anos às competições.  “Cada vez mais árbitras e assistentes estão sendo escaladas nas competições mais importantes. Isso nos diz que temos uma qualidade muito boa e para as jovens, que estão começando, saberem que as oportunidades estão aparecendo. O mundo está em mudança”, disse.

Ela ainda deixou quatro chaves que ela considera fundamental para se obter sucesso na arbitragem: primeiro é ter um sonho e construir um plano para alcançá-lo; pensar positivo nas situações mais complicadas; procurar por ajuda, todo mundo precisa de ajuda em algum momento e, por fim, que faça sempre o melhor.” E deixou claro, que com o nível atingido pelas árbitras brasileiras e pelo investimento feito pela CBF, vai se refletir nas presenças das brasileiras em futuras edições de Copas do Mundo.

Gaciba se disse impressionado e feliz com o nível que a arbitragem feminina já atingiu em nosso país. “É uma constante quebra de barreiras. Edna e Neuza têm maior visibilidade, mas temos outras bandeiras no Brasil. Fico impressionado e feliz. Dois presidentes de comissões estaduais vieram me dizer que duas mulheres foram as melhores árbitras em seus Estaduais”, disse, lembrando ainda da presença de Thayslane Costa, que fez a final do Estadual e esteve no VAR na final da Copa do Nordeste com Brígida Ferreira no campo. “As nossas meninas começam a abrir fronteiras trabalhando em jogos da Conmebol e na Sulamericana”, disse, orgulhoso.

O FUTURO DA VAR

Depois foi a vez da maior autoridade do VAR no mundo, o holandês Mike Van der Roest, da FIFA, mostrar aos árbitros vídeos com as diversas situações em que o VAR pode atuar: como linha de impedimento, mão na bola, situação de pênalti, situação de cartão vermelho em falta, por exemplo.

“Não queremos robôs. Todos vocês são pessoas únicas, mas o que queremos é coerência nas marcações. O VAR é ainda uma criança, que só tem 5 anos. Precisamos cuidar para que ele cresça da forma certa. A comunicação deve ser clara para que o VAR tenha sucesso. Não só falar, mas principalmente ouvir”, afirmou.

Gaciba aproveitou para lembrar que o Brasil é um dos países com maior sucesso na implantação do VAR. “A linha que estamos usando na CBF é a linha da FIFA. A CBF não faz leis, protocolos. Só seguimos o que a FIFA determina. Temos autonomia, porque a cultura do futebol é diferente no mundo todo, mas estamos juntos com a FIFA”, disse.

Van der Roest aproveitou para falar de um estudo da FIFA para que mais torneios possam ter acesso ao VAR: o chamado VAR Light. “É uma solução que estamos testando na Fifa. Para torneios menores, usando menos câmaras (de quatro a seis), mas é algo que só no próximo ano vamos ter alguma definição. A FIFA deseja tornar o VAR acessível para todos”, disse, já podendo contar com o Brasil como futuro parceiro no projeto de testes.

PREVENÇÃO E COMUNICAÇÃO

Para encerrar, o ex-árbitro uruguaio Jorge Larrionda pegou carona nas palavras de Van der Roest, de que a arbitragem é para apaixonados. “Como disse Mike, arbitragem é uma filosofia de vida. Não queremos robôs. Não se pode copiar e colar na arbitragem. Queremos árbitros livres e flexíveis, com personalidade própria, para poder antecipar, adaptar-se às situações e tomar decisões”, disse Larrionda, que falou sobre arbitragem preventiva.

Para Larrionda, primeiro o árbitro deve pensar na sua preparação e ter uma estrutura para isso. “Como a que a CBF proporciona, por exemplo”, disse. Para o uruguaio, o VAR veio para dar mais segurança às sólidas decisões arbitrais. “Comunicação é tudo. Seja verbal, seja corporal. A bola é dos jogadores, nunca do árbitro. Não podemos ter medo da tecnologia. Mas tenho que juntar tudo o que sei sobre regras, ao auxílio do VAR e fazer um grande trabalho.

Gaciba fechou o Workshop agradecendo a presença de palestrantes e convidados: “Estamos ansiosos para ver a bola rolar para que coloquem em prática tudo o que aprendemos nesses três dias e que vamos seguir aprendendo, concluiu”.

Na segunda-feira (10), a participação foi de 610 árbitros, na terça-feira 700 e nesta quarta-feira foram 680 participantes.


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